Empresas

Usinas reforçam produção para atender as indústrias químicas

Valor Econômico
13/12/2010 09:45
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Os principais grupos sucroalcooleiros do Brasil estão reforçando sua produção para atender as indústrias químicas. A retomada de importantes projetos de grandes companhias, como a Dow Chemical e Solvay Indupa, para a produção de resinas verdes a partir do etanol, tem levado empresas como Cosan, Copersucar e São Martinho a rever suas estratégias para abocanhar maior fatia nesse mercado.
 

A Cosan, maior companhia sucroalcooleira do país, está sendo sondada por grupos químicos para possíveis parcerias nesse setor. A empresa já tem fechado contrato de fornecimento com a petroquímica Braskem , para um volume de cerca de 175 milhões de litros anuais de álcool voltado para a produção de polietileno (PE) da fábrica de Triunfo (RS). "Esse mercado está em franco crescimento e remunera mais que o álcool carburante", afirmou Pedro Mizutani, presidente da Cosan Açúcar, Álcool e Energia.
 

Com 23 usinas em operação, pelo menos metade das unidades da companhia já está adaptada para atender a esse mercado, disse o executivo. "Atualmente 10% da nossa produção [estimada em 2,5 bilhões em 2010/11] é destinada para essas indústrias, mas pode chegar até 15%", disse. "Temos sido procurados por empresas para futuras parcerias, mas não temos nada fechado ainda."
 

A companhia belga Solvay informou que vai retomar o projeto de construção de uma fábrica de etileno, a partir da rota do etanol, de 60 mil toneladas/ano, para produzir PVC "verde". Esse projeto foi interrompido em 2008, por conta da crise financeira global. Para viabilizar essa unidade, a empresa tinha fechado contrato com a Copersucar para o fornecimento de 150 milhões de litros/ano de etanol para a fábrica de Santo André, na Grande São Paulo. Segundo a companhia, esse etanol será utilizado para substituir a nafta na produção de PVC. Os estudos para implementar o projeto foram retomados e estão em fase final, informou a multinacional.
 

Segundo Paulo Roberto de Souza, principal executivo da Copersucar, nessa safra a companhia deverá negociar 350 milhões de litros de etanol para uso industrial. "O contrato da Solvay, quando a unidade estiver em operação, adicionará 140 milhões de litros por ano", disse.
 

A Dow Chemical informou, em recente entrevista, que também está retomando seu projeto de produção de plástico verde no Brasil, com investimento superior a US$ 1 bilhão.
 
 
A primeira empresa a colocar em operação uma unidade de resina termoplástica "verde" no país foi a Braskem. A fábrica de Triunfo entrou em operação em setembro e a companhia fechou contrato com diversas usinas para o fornecimento de 700 milhões de litros de álcool por ano para atender essa demanda. A petroquímica deverá definir a construção de sua segunda fábrica, desta vez para produzir polipropileno (PP) verde também a partir de fontes renováveis.
 

A substituição de nafta por etanol não é exatamente uma novidade no Brasil. A rota do etanol já é conhecida pelas indústrias químicas, mas a forte oscilação dos preços do petróleo e o apelo "verde" no mercado internacional têm levado as indústrias a rever seu modelo de produção. "Com esse novo apelo no mercado e a expertise do Brasil em energia renovável, a expectativa é de que a produção de álcool voltado para as indústrias químicas [também conhecido como etanol para outros fins] dobre em 2011", afirmou Júlio Maria Martins Borges, presidente da JOB Informação & Resultado.
 

De acordo com Martins Borges, a produção de plástico verde a partir do etanol tornar-se viável com o petróleo a partir de US$ 80 o barril. "Se não ocorrer nenhuma turbulência macroeconômica, a expectativa é de que o petróleo fique nos patamares de US$ 100 o barril."
 

O mercado de álcool químico no Brasil deve movimentar cerca de 2,5 bilhões de litros, incluindo as exportações. "Esse volume poderá ultrapassar os 3 bilhões de litros em 2011", disse Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar). Segundo Rodrigues, as exportações de etanol, incluindo o combustível, deve encerrar 2010 em torno de 1,5 bilhão de litros. "Deste total, cerca de 80% são de etanol voltados para indústrias químicas e farmacêuticas." Países asiáticos, como Japão, e a União Europeia são os principais consumidores desse produto.
 

Com contrato de longo prazo com a japonesa Mitsubishi, o grupo São Martinho, de Pradópolis (SP), também está reforçando sua atuação no segmento. Até há poucos meses, a trading era acionista da usina Boa Vista (GO). Com a venda de sua participação nessa unidade, a companhia japonesa mantém o contrato de compra, mas a unidade Iracema, instalada no interior de São Paulo, passou a fornecer o etanol para a multinacional. "Hoje cerca de 5% de nossa produção [de um total de 600 milhões de litros em 2010/11] de etanol é voltada para esse segmento. Antes, a fatia era bem menor", afirmou Fábio Venturelli, principal executivo da São Martinho.
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