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Setores naval e imobiliário reacendem disputa pelo terreno da Setal

A prefeitura de Niterói pediu autorização da Câmara dos Vereadores para negociar o terreno do antigo Estaleiro Setal, na Ponta da Areia, com construtoras de imóveis comerciais ou residenciais. O espaço, de 112 mil metros quadrados, já foi cobiça

Agência Estado
07/05/2012 08:55
Visualizações: 309
A última área livre para a expansão da indústria naval em Niterói pode acabar nas mãos do mercado imobiliário. A prefeitura pediu autorização da Câmara dos Vereadores para negociar o terreno do antigo Estaleiro Setal, na Ponta da Areia, com construtoras de imóveis comerciais ou residenciais. Internamente, o Executivo trabalha com a ideia de construir no local um centro de convenções que seria bancado pela construção de um centro comercial no mesmo local.

"É a única área pública no Centro que ainda tem ligação com o mar. Seu destino merecia ser debatido, não só com a industria naval, que mostrou interesse e foi ignorada na audiência, mas também com os pescadores e marisqueiros da região e com os cidadãos em geral. Mas, como sempre, o município só pensa em construir mais prédios" diz o vereador Renatinho (PSOL).

A área de 112 mil metros quadrados já foi cobiçada pela Petrobras, que queria construir ali uma base naval para reparo e manutenção das plataformas do pré-sal. O terreno é considerado de alto valor pelo setor naval, já que tem bom calado para grandes embarcações, que não precisariam cruzar por debaixo da Ponte Rio-Niterói para atracar, diferentemente da maioria dos estaleiros da região.

"Queremos aproveitar essa área para a nossa atividade portuária, que está com 100% de sua capacidade utilizada" informa Paula Ribeiro, subgerente jurídica da Nitport Serviços Portuários S/A, responsável pela administração do porto.

Não é a primeira vez que o setor mostra interesse pela área. Em outubro de 2009, o Fórum Fluminense da Indústria Naval manifestou posição favorável à implantação de uma base da Petrobras no local. Na época, a estatal ofereceu cerca de R$ 25 milhões, mas o prefeito Jorge Roberto Silveira falou que só cederia a área por R$ 70 milhões - cerca de R$ 83 milhões em valores atuais.

Quem também é contra a venda do terreno são os pescadores da Colônia Z-8, que, desde o início dos anos 1990, ocupam a região. Eles temem pela retirada das 50 famílias que vivem no local.

"Estamos apreensivos. Estamos sendo cercados por obras de grande porte, como o a do Caminho Niemeyer, e a do futuro terminal do metrô. Daqui a pouco vão querer nos expulsar daqui", afirma o pescador Gilson Matos, que era diretor financeiro da Colônia Z-8 na época da transferência dos pescadores para o local.

A prefeitura ainda não se manifestou. Segundo fontes ligadas ao Executivo, o município quer cerca de R$ 50 milhões ou permuta em obras pelo terreno. O objetivo seria viabilizar o fim da obras do Caminho Niemeyer. A prefeitura não confirma esta informação.
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