Investimentos

Setor de óleo e gás investe mais na retenção de talentos

O ano passado foi de intensa movimentação no setor de óleo e gás, com variações bruscas no preço do petróleo até sua estabilização no segundo semestre. Apesar das turbulências enfrentadas nos últimos meses e do

Valor Econômico
23/06/2010 08:12
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O ano passado foi de intensa movimentação no setor de óleo e gás, com variações bruscas no preço do petróleo até sua estabilização no segundo semestre. Apesar das turbulências enfrentadas nos últimos meses e do futuro incerto da economia mundial, as companhias que atuam nesta indústria estão otimistas e continuam investindo em novos projetos, na retenção de talentos e demandando mão de obra especializada. A conclusão é de Matt Underhill, diretor global da divisão de óleo e gás da empresa de recrutamento Hays, e tem base em uma pesquisa da consultoria com 7 mil profissionais da área em mais de 30 países.



Na América do Sul, e mais especificamente no Brasil, Underhill identificou uma grande disputa por talentos não somente entre as petrolíferas, mas também com indústrias concorrentes como a financeira, a de construção civil e as mineradoras. "Há uma grande pressão para que se consiga atrair e reter talentos. Profissionais qualificados com experiência em atuar em grandes projetos têm muitas opções de trabalho. Nós somos mais um mercado tentando atraí-los", diz.



De acordo com o especialista, porém, o maior gargalo está mesmo na área de engenharia. "O mundo todo está sofrendo com a escassez de engenheiros e as universidades não dão conta de suprir a demanda. Muitas lançaram cursos específicos para óleo e gás, mas ainda é pouco", ressalta. Outros profissionais valorizadas no setor são geólogos e geofísicos, além de especialistas em perfuração e dutos submarinos. O salário inicial médio deste último é o maior do setor e chega a US$ 57 mil por ano - podendo ultrapassar US$ 162 mil no caso dos seniores. Outra função com boas perspectivas é a de técnico em segurança. "Acidentes como o ocorrido recentemente no Golfo do México causam grandes prejuízos financeiros e de reputação às organizações. É preciso investir pesado para evitá-los."



Em termos gerais, a remuneração anual praticada no Brasil está dentro da média mundial, o que equivale a US$ 75 mil para trabalhadores locais e US$ 125 mil para expatriados. O país que melhor paga sua mão de obra local é a Austrália e os trabalhadores expatriados ganham mais no Azerbaijão. "Os salários são maiores do que nas outras indústrias e a tendência é que subam ainda mais. Dois terços de todos os pesquisados esperam ganhar um aumento em 2010", diz Underhill.



Para atrair e reter os talentos, as companhias estão investindo mais nos benefícios concedidos aos seus quadros. No estudo da Hays, o pagamento de bônus - tanto atrelados aos resultados anuais, quanto por projetos específicos - é um dos mais populares e são praticados por praticamente metade das empresas do setor. "Em média, paga-se 25% do salário base anual. Em posições mais críticas e estratégicas, porém, esse montante pode chegar a 50% da remuneração."



Underhill afirma que o mercado em óleo e gás continuará recebendo altos investimentos por, no mínimo, mais cinco anos. Assim, esse tipo de política, junto com o aumento da carga de treinamentos, será fundamental para que as companhias possam dispor de capital humano. "Outras indústrias sofrem mais com questões relacionadas a habilidades comportamentais de seus funcionários. No nosso caso, o problema está na parte técnica mesmo", explica.
 

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