Energia elétrica

Quase R$ 200 bi de economia com o mercado livre de energia


29/11/2019 15:17
Quase R$ 200 bi de economia com o mercado livre de energia Imagem: Divulgação Visualizações: 1039

O consumidor do mercado livre de energia elétrica já economizou R$ 195 bilhões, nos últimos 21 anos. O número, revelado pela Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), impressiona, mas ainda não alcança quem paga a maior conta de luz, hoje, no Brasil: o pequeno consumidor. Atualmente, o mercado livre de energia elétrica é restrito aos consumidores acima de 500 quilowatts, o que equivale a uma fatura mensal em um valor igual ou superior a R$ 80 mil.

Mas um projeto de lei que tramita em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados quer diminuir a distância entre os consumidores de grande porte e a população. O PL 1917/2015, conhecido como projeto da portabilidade da conta de luz. A proposta amplia a margem de cobertura do mercado livre, aumentando a competitividade entre os fornecedores de energia e reduzindo as tarifas para os consumidores brasileiros.

“A reforma é urgente. Postergar a decisão é potencializar os problemas de um modelo que hoje está esgotado e não consegue responder aos desafios do setor, aos desafios que virão e, principalmente, prejudicar o consumidor, porque o consumidor fica preso nesse modelo e não consegue acessar a uma energia mais barata, fruto da competição, que é um dos cernes das discussões”, afirma Bernardo Sicsú, representante da Abraceel.

Em outra pesquisa realizada pela Associação, 87% dos consumidores ouvidos consideraram a conta de energia muito cara e 79% gostariam de ter a liberdade de escolher o fornecedor de energia elétrica. E as notícias não são nada animadoras. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que, em 2020, a conta de energia deve subir 2,42%.

“O que se busca com a discussão do PL é ampliar e permitir que todos tenham a liberdade de escolha. Não se está forçando a nada. O que está se dando é uma opção ao consumidor de onde ele quer ficar, se ele quer discutir livremente com outro fornecedor as condições ou se ele quer continuar na fornecedora”, alerta Sicsú.

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Mercado livre

Segundo informações da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), apenas 30% do setor é dominado pelo mercado livre. Isso quer dizer que apenas 6,7 mil consumidores possuem a liberdade de escolher de quem querem comprar energia elétrica – em um universo de mais de 82 milhões.

Para o deputado federal Mauro Nazif (PSB-RO), é importante que a população tenha poder de decisão na hora de escolher a empresa prestadora de serviço, assim como acontece na telefonia há mais de 10 anos. O parlamentar acredita que a forma como a energia é ofertada no País penaliza o consumidor, que paga caro por um serviço que nem sempre é eficiente.

O parlamentar comenta que o governo fala em “prestação de subsídios” nesse setor, mas, para ele, é preciso fazer mais pela população. “Agora, nós temos que levantar e ver essa questão do subsídio, ver a questão dos impostos, encargos – isso significa mais de 30% no pagamento aos consumidores – e é em cima disso que temos que trabalhar, para que possamos melhorar a tarifa de energia elétrica, diminuindo para o consumidor, principalmente na região Norte.”

De fato, a energia elétrica na região Norte é uma das mais caras no Brasil. Entre 2014 e 2017, as contas de luz dos moradores acumularam uma alta de 44,04% no período – a média brasileira foi de pouco mais de 31%. Em 2018, a alta superou os 54% na região Norte. O levantamento da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) atribuiu os altos valores ao aumento no custo de produção da energia, devido ao uso mais intenso de termelétricas, e os subsídios embutidos nas tarifas.

A deputada federal e presidente da Comissão Especial para o PL 1917/2015, Jaqueline Cassol (PP-RO), endossa o discurso e afirma que a prestação de serviço na região Norte, especialmente em seu estado (Rondônia), ainda precisa de melhorias. Na opinião dela, a abertura do mercado de energia traria uma economia de 30% para pequenas e médias empresas e para a população em geral, como já ocorre com grandes empresas.

“A ideia do PL é justamente essa, é escalonar para que a média e pequena empresa e o consumidor final, que somos nós, que pagamos – falo por Rondônia – uma das tarifas mais caras do Brasil e um péssimo serviço, que a gente possa ter a flexibilidade de comprar de qualquer gerador. A ideia é tornar acessível a energia, que é o desenvolvimento do Brasil, a todos.”

Tramitação

Por ter caráter conclusivo – ou seja, não precisa passar pelo Plenário da Casa, apenas pelas comissões designadas para análise –, caso seja aprovado na comissão, o PL vai direto para votação no Senado.

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