Transição Energética
Evento em parceria com o Governo do Estado de São Paulo reuniu especialistas para discutir papel do estado na transição energética.
Redação TN Petróleo/Assessoria IBP
A relevância da maior economia do país para o futuro da energia no Brasil foi tema central do evento "Diálogos de Energia – O futuro da energia em São Paulo: caminhos para competitividade e desenvolvimento sustentável", realizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), em parceria com a InvestSP e a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), nesta terça-feira, 9 de junho, na sede da InvestSP. A primeira edição do projeto reuniu representantes da indústria e agentes públicos para debater os caminhos para o desenvolvimento sustentável no cenário global de transição energética.
Na abertura, presidente da InvestSP, Rui Gomes Junior, destacou o interesse de investidores estrangeiros por projetos de energia no país. "Os investidores estrangeiros olham com atenção para o Brasil no longo prazo e a agenda de transição energética é muito relevante, especialmente na questão dos biocombustíveis", afirmou.
O presidente do IBP, Roberto Ardenghy, reforçou a relevância da indústria de petróleo e gás para a economia brasileira e seu papel na transição energética. "O setor evoluiu e hoje produz 5,4 milhões de barris de petróleo por dia, com tecnologia, segurança operacional e cuidado ambiental", destacou. Na mesma linha, a subsecretária de Energia e Mineração da Semil, Marisa Barros, ressaltou que segurança energética, sustentabilidade e competitividade precisam caminhar juntas, defendendo uma transição que concilie o desenvolvimento das energias de baixo carbono com o papel estratégico do óleo e gás.
Desafios da descarbonização
Ao longo do dia, especialistas discutiram os avanços da descarbonização na indústria. Adriano Lima, diretor de Sustentabilidade da Vast e coordenador de grupo de trabalho do IBP, destacou os esforços realizados para reduzir as emissões nas atividades marítimas e logísticas. "Temos toda a parte de suporte logístico e de transporte, que colocamos em busca da descarbonização de nossas atividades e para suporte aos nossos clientes no segmento de logística marítima". Já Janaína Ruas, diretora de Desenvolvimento de Negócios da SLB, ressaltou a importância da integração entre diferentes fontes de energia e do uso de novas tecnologias para acelerar a descarbonização do setor.
Jair Toledo, gerente geral de Projetos Renováveis e Baixo Carbono da Petrobras, ressaltou as metas ambiciosas da estatal e o seu papel como âncora do setor. "Temos a ambição net zero de 2050 que nos mostra que a curva de produção cresce com sustentabilidade. A descarbonização é gradual, é adição energética. Temos de descarbonizar nossas atividades e oferecer soluções para outros atores do setor".
Logística e expansão dos biocombustíveis
Outro tema de destaque foi a expansão da infraestrutura necessária para combustíveis e biocombustíveis. Pedro Sandrin, vice-presidente Jurídico da Acelen, apresentou os desafios logísticos relacionados à produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF). "Vamos importar parte da matéria-prima para produzir o SAF que vamos exportar, justamente pela dificuldade de receber a biomassa local de forma competitiva".
Já Adalberto Febeliano, diretor geral do Deinfra na Fiesp, reforçou a necessidade de investimentos em diferentes modais de transporte para ampliar a competitividade do setor. "Temos que investir mais em outros modais como rodovias e temos uma hidrovia funcional que corta o estado, que vai auxiliar o desenvolvimento do setor". A sócia sênior da Leggio Group, Camila Affonso, reforçou a necessidade de investimentos adicionais em dutos.
O potencial do Biometano
O potencial do biometano também esteve no centro dos debates. Para os participantes, a transição energética será marcada pela coexistência de diferentes fontes e tecnologias. João Pedro Araújo, Analista de Relações Institucionais da Scania, destacou o potencial do biometano no Brasil e a importância da atuação coordenada entre os diversos agentes. Já Josiani Napolitano, presidente-executiva da Abiogás, destacou que o setor privado brasileiro está preparado para avançar, mas que a coordenação entre os diversos agentes será fundamental para acelerar o crescimento do mercado. Representando o governo estadual, Lais Almada, diretora de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis da Semil, destacou os estudos desenvolvidos para apoiar a integração entre os diferentes elos da cadeia energética.
Cadeia produtiva
As oportunidades para a cadeia produtiva paulista também foram abordadas durante o evento. Telmo Ghiorzi, presidente da Abespetro, destacou o potencial da indústria instalada no estado para atender à demanda do setor de petróleo e gás. Já Idarilho Gonçalves Nascimento Neto, diretor de relações institucionais da Tenaris, alertou para os gargalos de infraestrutura. "Apesar de boa parte da produção ser feita em São Paulo, a exportação ocorre pelo porto do Rio de Janeiro, o que impacta a competitividade e o preço".
Outro reforço da relevância da indústria de São Paulo foi feito por Claudio Makarovsky, consultor da InvestSP. "51% do faturamento nacional de petróleo e gás vem de São Paulo por conta das indústrias de máquinas, equipamentos e do refino".
O cenário geopolítico também foi abordado por Conrado Manzoni, da Argus Media, que alertou para os impactos do conflito no Oriente Médio. "Estamos vivendo uma situação sem precedentes com a restrição de oferta de 18 milhões de barris de petróleo por dia", disse Manzoni, projetando um preço médio de 85 dólares por barril para o próximo ano.
Ernesto Sampaio, diretor-presidente da Companhia Docas de São Sebastião, apresentou os avanços de projetos voltados à ampliação da infraestrutura portuária para apoiar as atividades offshore na região do pré-sal. "O porto de São Sebastião é o mais adequado para atender as demandas das empresas petroleiras na região. O protejo ainda precisa ser qualificado no PPI nacional, o que é relativamente simples".
Crescimento do mercado livre de gás
Encerrando a programação, especialistas discutiram os avanços do mercado livre de gás natural em São Paulo. Amauri Gavião, diretor de gás canalizado da Arsesp, explicou que 70% do mercado industrial em São Paulo já utiliza o mercado livre, que hoje conta com 55 comercializadoras. A necessidade de aprimorar a infraestrutura de dados foi destacada por Antônio Quirino, CEO da Gashub. "Apesar dos avanços, o nosso mercado ainda está numa fase de amadurecimento inicial. Precisamos evoluir a eficiência da dinâmica contratual".
Apesar dos desafios, os resultados financeiros são expressivos. Guilherme Mattos, diretor comercial da Edge, apontou que a migração para o mercado livre gerou economia para as empresas nos últimos anos, e 70% do volume comercial já se encontra neste modelo. É fundamental manter um arcabouço regulatório seguro que transmita confiança para os investimentos".
Por fim, Letycia Pedroza, da Abrace Energia, celebrou a adesão de grandes consumidores, com alguns já colocando 100% de seus contratos no mercado livre. "Vejo a evolução regulatória do mercado, o aumento da confiança no modelo", concluiu.
A próxima edição do projeto "Diálogos de Energia" será realizada no dia 3 de julho.
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