Brasil

Política de preços da Petrobras projeta redução superior a R$ 10 bilhões na receita dos produtores de etanol

Redação TN Petróleo/Assessoria SCA Etanol do Brasil
03/05/2024 08:58
Política de preços da Petrobras projeta redução superior a R$ 10 bilhões na receita dos produtores de etanol Imagem: Divulgação Visualizações: 4265

A defasagem do preço da gasolina comercializada no País em relação ao mercado internacional é superior a R$ 0,50 o litro, avalia o CEO da SCA Brasil, Martinho Seiiti Ono. De acordo com o executivo, a manutenção dessa política, de não acompanhamento dos preços internacionais do combustível fóssil pela Petrobras, aponta para uma redução de receita na safra 2024-2025 superior a R$ 10 bilhões para os produtores de etanol.

Os efeitos colaterais da política de preços adotada pela petroleira foram objeto de análise durante reunião com representantes do Banco Santander na terça-feira (30/04). Ono ressaltou que, mesmo diante deste cenário, o preço atual do etanol hidratado é mais atrativo do que o da gasolina em vários estados. “Ao encher o tanque com o biocombustível, o consumidor economiza, em média, algo em torno de 80 a 100 reais”, afirmou.

O CEO da SCA Brasil também avaliou as consequências dos efeitos da mudança tributária no mercado interno de combustíveis fósseis e a imprevisibilidade dos reajustes de preços pela Petrobras. O açúcar, em consequência, vem apresentando larga vantagem em termos de remuneração quando comparado ao etanol.

“Essa é a razão para os produtores estarem maximizando a produção açucareira, inclusive com destilarias recebendo investimentos para a fabricação do produto. Além disso, as usinas já existentes estão fazendo reformas e ajustes para aumentar a capacidade de produzir mais açúcar”, observou Ono.

O executivo acrescentou que, nos últimos três anos, foram feitos investimentos em novas fábricas de açúcar e muitos ajustes nas unidades já existentes: “Agora, restam pouquíssimas unidades voltadas exclusivamente para o etanol. Estamos, portanto, muito próximos do limite da capacidade de fabricação açucareira na indústria sucroenergética brasileira”.

Safra 2024-2025
Projeções da SCA Brasil indicam que ao final do ciclo 2024-2025, iniciado em abril deste ano, o Brasil deverá processar entre 610 milhões e 620 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Apesar de uma redução na moagem em relação à última safra (2023-2024), que registrou recorde histórico com a produção de 654 milhões de toneladas de cana e 42,5 milhões de toneladas de açúcar, as expectativas são positivas, na avaliação de Ono.

“Mesmo apresentando recuo no processamento canavieiro, a safra atual apresentará expressiva moagem em relação à média dos últimos anos. Isso devido ao aumento da área de plantio, pequena recuperação de produtividade em decorrência das chuvas nas últimas semanas e existência de cana bisada, aquela que não foi moída na safra passada”, ressaltou o executivo da SCA Brasil.

Segundo Ono, no período 2024-2025 provavelmente haverá aumento na alocação de sacarose para a fabricação de açúcar, cujo mix de produção deverá ser de 52%. Também se prevê que o etanol de milho continuará a apresentar forte expansão, saltando de 6,2 milhões de metros cúbicos (m3) para 7,7 milhões de m3. “Os investimentos na produção de etanol de milho continuam fortes, com mais de 10 novas plantas a serem inauguradas nos próximos dois anos”, enfatizou Ono.

Transição energética
Sobre a transição energética no segmento automotivo, o crescente desinteresse pelos veículos elétricos esteve em pauta. Dificuldades para encontrar pontos de recarga, baixa autonomia, preço de aquisição elevado e forte depreciação na revenda dos usados estão entre as principais razões. “Em nossa visão, os carros a combustão e os híbridos flex (não plug-in) terão a preferência e longevidade no mercado brasileiro”, concluiu o CEO da SCA Brasil.

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