Internacional

Petrolíferas chinesas aceleram compras de ativos no Ocidente

Informação é do The Wall Street Journal.

Valor Econômico
28/10/2013 08:45
Visualizações: 1087

 

As petrolíferas chinesas têm saído às compras para atender as necessidades crescentes de energia da China. Um exemplo recente é a participação de duas estatais do país no consórcio que venceu a licitação para explorar o Campo de Libra, na Bacia de Santos.
Mas os chineses estão se concentrando especialmente na rejuvenescida indústria do petróleo da América do Norte.
Desde 2008, as petrolíferas da China gastaram US$ 44,2 bilhões para adquirir empresas de energia, petróleo e gás dos Estados Unidos e do Canadá, de acordo com a Dealogic, firma que monitora fusões e aquisições. Isso é mais do que essas grandes empresas estatais chinesas gastaram na África, América Latina, Europa ou qualquer outra parte do mundo.
As empresas chinesas vêm comprando participações em projetos de exploração do gás de xisto nos EUA controlados por empresas americanas e europeias, adquirindo ativos consideráveis nos gigantescos depósitos de areia betuminosa do Canadá, além de comprar alguns poços de petróleo e de gás convencionais.
As empresas chinesas têm mantido silêncio sobre a estratégia por trás de suas compras e seus representantes na América do Norte não responderam a vários pedidos de entrevista. Mas especialistas dizem que os chineses estão interessados nos avanços tecnológicos do Ocidente, em ativos de gás natural e petróleo de grande escala e têm a meta de reduzir a dependência da China nas importações de petróleo do Oriente Médio, particularmente do Irã. As petrolíferas chinesas também enfrentaram problemas em países politicamente menos estáveis, como a Líbia e o Sudão.
Em 2005, a chinesa Cnooc Ltd. enfrentou forte oposição política à oferta que fez pela petrolífera americana Unocal Corp. e acabou desistindo. Desde então, porém, as aquisições chinesas de campos de petróleo têm encarado menos obstáculos políticos em Washington, em parte porque em geral os chineses não estão comprando empresas globais e porque seus investimentos são bem-vindos numa indústria cada vez mais faminta por dinheiro.
O destino da maior parte dos investimentos tem sido a areia betuminosa. "Assegurar um fluxo estável de energia é um objetivo do governo chinês", diz Gordon Houlden, diretor do Instituto da China da Universidade de Alberta. A metade de todas as reservas de petróleo disponíveis para compra no mundo está no oeste do Canadá, acrescenta.
No início do ano, a compra, por US$ 15 bilhões, da Calgary Nexen Inc. pela Cnooc, a maior aquisição já feita pela China no exterior, também deu à estatal chinesa uma participação no lado americano do Golfo do México. A empresa canadense tinha parte de um grande depósito de petróleo e gás, controlado pela Royal Dutch Shell PLC, perto da costa da Louisiana. Mas o governo dos EUA exigiu que a Cnooc vendesse os ativos que dessem a ela o controle de plataformas marítimas, em vez de apenas uma participação minoritária sem controle operacional.
Derek Scissors, pesquisador que está fazendo residência no American Enterprise Institute e estuda investimentos chineses no exterior, diz que as empresas chinesas tendem a investir livremente em ativos. "Elas chegam a pagar mais do que valem para que as empresas envolvidas possam justificar o negócio politicamente", diz ele, acrescentando que os chineses contam com enormes fundos de investimento que querem gastar.
Alguns analistas da indústria concordam que os chineses possam ter pago preços acima do mercado em compras recentes. No início deste ano, a estatal chinesa Sinochem Group fechou acordo para adquirir um campo de petróleo no Texas da Pioneer Natural Resources Co. por um valor 40% maior do que o esperado. A Cnooc pagou um prêmio de 61% pela Nexen, e a China Petrochemical Corp. (a Sinopec) pagou um prêmio de 44% pelo operador de petróleo de areias betuminosas Daylight Energia.
Mas alguns dizem que esses investimentos de alto custo parecem menos excessivos quando se considera que incluem valores intangíveis, tais como força de trabalho bem treinada e tecnologia de última geração.
"Ninguém está tapando os olhos de ninguém", diz Marcel Coutu, diretor executivo da Canadian Oil Sands Ltd., o maior acionista do Syncrude Canada Ltd., o principal produtor de petróleo de areias betuminosas, no qual tanto a Sinopec quanto a Nexen têm participações. "Às vezes, é preciso pagar um prêmio para entrar numa indústria, e não acho que o que eles pagaram tenha sido terrivelmente fora do mercado."
Os EUA, que é o maior importandor de petróleo do Canadá, está preocupado com a ideia de chineses comprando ativos para enviar petróleo e gás através do Pacífico para abastecer a crescente economia do país. Há alguns anos, depois de passar os EUA como o maior consumidor de energia do mundo, a China tornou-se também a maior importadora de petróleo no mundo.
No início do ano, a Nexen, que pertence à Cnooc, discutiu a possibilidade de usar vagões de trem para transportar petróleo bruto para o porto de Prince Rupert, na costa do Pacífico, para exportação para a Ásia. A Nexen, que não tomou uma decisão final sobre o projeto, não quis comentar.

As petrolíferas chinesas têm saído às compras para atender as necessidades crescentes de energia da China. Um exemplo recente é a participação de duas estatais do país no consórcio que venceu a licitação para explorar o Campo de Libra, na Bacia de Santos.


Mas os chineses estão se concentrando especialmente na rejuvenescida indústria do petróleo da América do Norte.


Desde 2008, as petrolíferas da China gastaram US$ 44,2 bilhões para adquirir empresas de energia, petróleo e gás dos Estados Unidos e do Canadá, de acordo com a Dealogic, firma que monitora fusões e aquisições. Isso é mais do que essas grandes empresas estatais chinesas gastaram na África, América Latina, Europa ou qualquer outra parte do mundo.


As empresas chinesas vêm comprando participações em projetos de exploração do gás de xisto nos EUA controlados por empresas americanas e europeias, adquirindo ativos consideráveis nos gigantescos depósitos de areia betuminosa do Canadá, além de comprar alguns poços de petróleo e de gás convencionais.


As empresas chinesas têm mantido silêncio sobre a estratégia por trás de suas compras e seus representantes na América do Norte não responderam a vários pedidos de entrevista. Mas especialistas dizem que os chineses estão interessados nos avanços tecnológicos do Ocidente, em ativos de gás natural e petróleo de grande escala e têm a meta de reduzir a dependência da China nas importações de petróleo do Oriente Médio, particularmente do Irã. As petrolíferas chinesas também enfrentaram problemas em países politicamente menos estáveis, como a Líbia e o Sudão.


Em 2005, a chinesa Cnooc Ltd. enfrentou forte oposição política à oferta que fez pela petrolífera americana Unocal Corp. e acabou desistindo. Desde então, porém, as aquisições chinesas de campos de petróleo têm encarado menos obstáculos políticos em Washington, em parte porque em geral os chineses não estão comprando empresas globais e porque seus investimentos são bem-vindos numa indústria cada vez mais faminta por dinheiro.


O destino da maior parte dos investimentos tem sido a areia betuminosa. "Assegurar um fluxo estável de energia é um objetivo do governo chinês", diz Gordon Houlden, diretor do Instituto da China da Universidade de Alberta. A metade de todas as reservas de petróleo disponíveis para compra no mundo está no oeste do Canadá, acrescenta.


No início do ano, a compra, por US$ 15 bilhões, da Calgary Nexen Inc. pela Cnooc, a maior aquisição já feita pela China no exterior, também deu à estatal chinesa umaparticipação no lado americano do Golfo do México. A empresa canadense tinha parte de um grande depósito de petróleo e gás, controlado pela Royal Dutch Shell PLC, perto da costa da Louisiana. Mas o governo dos EUA exigiu que a Cnooc vendesse os ativos que dessem a ela o controle de plataformas marítimas, em vez de apenas uma participação minoritária sem controle operacional.


Derek Scissors, pesquisador que está fazendo residência no American Enterprise Institute e estuda investimentos chineses no exterior, diz que as empresas chinesas tendem a investir livremente em ativos. "Elas chegam a pagar mais do que valem para que as empresas envolvidas possam justificar o negócio politicamente", diz ele, acrescentando que os chineses contam com enormes fundos de investimento que querem gastar.


Alguns analistas da indústria concordam que os chineses possam ter pago preços acima do mercado em compras recentes. No início deste ano, a estatal chinesa Sinochem Group fechou acordo para adquirir um campo de petróleo no Texas da Pioneer Natural Resources Co. por um valor 40% maior do que o esperado. A Cnooc pagou um prêmio de 61% pela Nexen, e a China Petrochemical Corp. (a Sinopec) pagou um prêmio de 44% pelo operador de petróleo de areias betuminosas Daylight Energia.


Mas alguns dizem que esses investimentos de alto custo parecem menos excessivos quando se considera que incluem valores intangíveis, tais como força de trabalho bem treinada e tecnologia de última geração.


"Ninguém está tapando os olhos de ninguém", diz Marcel Coutu, diretor executivo da Canadian Oil Sands Ltd., o maior acionista do Syncrude Canada Ltd., o principal produtor de petróleo de areias betuminosas, no qual tanto a Sinopec quanto a Nexen têm participações. "Às vezes, é preciso pagar um prêmio para entrar numa indústria, e não acho que o que eles pagaram tenha sido terrivelmente fora do mercado."


Os EUA, que é o maior importandor de petróleo do Canadá, está preocupado com a ideia de chineses comprando ativos para enviar petróleo e gás através do Pacífico para abastecer a crescente economia do país. Há alguns anos, depois de passar os EUA como o maior consumidor de energia do mundo, a China tornou-se também a maior importadora de petróleo no mundo.


No início do ano, a Nexen, que pertence à Cnooc, discutiu a possibilidade de usar vagões de trem para transportar petróleo bruto para o porto de Prince Rupert, na costa do Pacífico, para exportação para a Ásia. A Nexen, que não tomou uma decisão final sobre o projeto, não quis comentar.

 

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