Mercado

Petróleo sobe com morte do rei da Arábia Saudita

Reuters
01/08/2005 00:00
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Os preços internacionais do petróleo operavam em alta nesta segunda-feira (01/08), após a morte do rei Fahd, da Arábia Saudita. O país é maior exportador do mundo da commodity. Em Londres, os contratos futuros do Brent avançavam 0,70 dólar, para 60,07 dólares o barril.  Em Nova York, os preços subiam 0,63 dólar, para 61,20 dólares o barril.
O príncipe Abdullah, que já era responsável por assuntos cotidianos do país desde que Fahd sofreu um derrame em 1995, foi rapidamente nomeado novo monarca, numa sucessão tranqüila, que sinaliza continuidade no país. Fontes do país afirmaram que Abudullah dárá continuidade à política petrolífera da Arábia Saudita, visando manter os mercados globais abastecidos para estabilizar os preços da commodity após a morte do rei Fahd. Autoridades da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) também mostraram confiança de que o novo rei manterá a política que estabeleceu na última década.
"Os membros da família real reconheceram o príncipe regente Abdullah como soberano do país, após o que o custódio das duas mesquitas sagradas e governante da Arábia Saudita, rei Abdullah bin Abdul Aziz, escolheu o príncipe Sultan como príncipe herdeiro, e os membros da família real reconheceram isso", disse a nota. O príncipe Sultan, como Abdullah, nasceu em 1924.
O barril do petróleo bruto nos EUA chegou a ser cotado a 61 dólares após a morte de Fahd, mas o presidente da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) disse que a alta deve ser temporária. Analistas de energia e finanças previam que a morte de Fahd não tivesse impacto econômico, mesmo num momento em que os preços do petróleo estão explodindo. A Bolsa saudita chegou a suspender as transações, mas se recuperou após o declínio inicial.
Vários países árabes enviaram mensagens de condolências. Da França, o presidente Jacques Chirac disse que Fahd "garantiu em tempos conturbados a integridade do seu país e defendeu a estabilidade regional". Sauditas comuns se disseram tristes, mas não surpresos. Nos últimos dez anos, as aparições do rei, já em cadeira de rodas, eram cada vez mais raras. Ocasionalmente, ele comandava reuniões ministeriais, mas dificilmente falava em público.
O influente empresário Nasser Al Tayyar disse que a morte de Fahd é uma grande perda para o mundo árabe. "Fahd governou com grande sabedoria, e agora esperamos que o rei Abdullah continue governando o país dessa forma", afirmou. No Cairo, a Liga Árabe decidiu adiar em alguns dias sua reunião de cúpula, antes marcada para quarta-feira.
Abdullah é o quinto filho do fundador da Arábia Saudita, rei Abdul-Aziz, a ascender ao trono. Ele é um reformista cauteloso, responsável por uma modesta liberalização política e econômica. Nos últimos dois anos, o país enfrenta uma violenta campanha da Al Qaeda contra a monarquia saudita, que existe há sete décadas e controla os lugares mais sagrados do Islã.


Aliança com EUA -  Fahd ascendeu ao trono de um dos países mais ricos do mundo em junho de 1982, no auge da fartura de petrodólares. Em 23 anos de trono, enfrentou três guerras regionais e, nos últimos tempos, a rebelião da Al Qaeda. Sua sólida aliança com Washington e sua decisão de permitir a passagem de tropas norte-americanas pelo berço do Islã, às vésperas da Guerra do Golfo (1990-91) enfureceram o militante de origem saudita Osama bin Laden, fundador da Al Qaeda. Bin Laden prometeu depor a monarquia, a quem chama de "agentes e lacaios" dos EUA e cujo poder ele considera "uma extensão das guerras dos cruzados contra os muçulmanos".
As tropas norte-americanas permaneceram no país até a invasão do Iraque, em 2003, que derrubou o regime de Saddam Hussein. A essa altura, os atentados de 11 de setembro de 2001, cometidos principalmente por sequestradores sauditas, já haviam nublado as relações com os EUA, que eram o pilar da política externa de Fahd.
Dois anos depois, atentados suicidas em Riad, a capital, levaram a insurgência para dentro do país, enquanto a aliança estratégica com Washington, centrada em questões de petróleo e de segurança no golfo Pérsico, atravessavam uma crise.
Mas os laços se recuperaram parcialmente, graças ao empenho diplomático de ambos os países e do apoio de Riad à "guerra ao terrorismo" norte-americana.
Durante seu reinado, Fahd permitiu mudanças políticas limitadas. Criou uma "shura" (conselho consultivo), que nestes mais de dez anos gradativamente vem ganhando influência.

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