Combustíveis

Petrobras dificilmente mudará preço do QAV

Valor Econômico
02/05/2012 11:49
Visualizações: 660
Dificilmente a Petrobras de Graça Foster vai aceitar discutir a possibilidade de mudar a fórmula de cálculo do querosene de aviação (QAV), como desejam as companhias aéreas brasileiras. A estatal já vive um tormento por causa da defasagem dos preços da gasolina e do óleo diesel que, segundo o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), fez com que ela deixasse de faturar R$ 7,9 bilhões em 2011. A estatal informa que não tem nada a falar sobre o pleito ou sobre a fórmula de cálculo do QAV.

O preço desse combustível tem como base o custo de aquisição na área do Golfo do México (Houston), acrescido da variação cambial, custos com frete, seguro na importação e impostos. É a chamada paridade de importação, ou custo de colocação de um produto importado no Brasil.

Outro cálculo da CBIE mostra que a estatal perdeu R$ 3,7 bilhões ao importar gasolina e diesel e vendê-los a preços inferiores aos pagos nessas importações. Acrescentar o QAV a essa cesta seria aumentar o problema, principalmente considerando a expectativa de aumento do consumo com a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos de 2016.

A empresa, que tem controle estatal, mas negocia ações no mercado, não tem intenção de mudar sua política para os dois produtos, sob pretexto de não internalizar volatilidades do mercado. O máximo que Graça Foster admitiu, semana passada, é que vai haver reajuste se o preço do petróleo chegar a US$ 130. A estatal trabalha com uma média de US$ 119, em 2012, para o "brent", que ontem fechou cotado a US$ 119,66 (contratos para entrega em junho).

Segundo o CBIE, a gasolina tem defasagem de 24,4% e o diesel, de 27,7% em relação aos preços de mercado das duas commodities.

No caso do QAV, um importante analista do mercado de petróleo, que preferiu não se identificar, disse que seu preço está muito mais próximo da realidade do que o da gasolina e o do diesel. Ele admitiu que, "talvez", a Petrobras pudesse usar uma fórmula de cálculo mais suave, baseando-se no mercado internacional, em vez do custo de importação. De certo modo, isso aproximaria mais o preço da realidade do que a fórmula baseada no custo total de importação porque a maior parte do QAV consumido no Brasil é produzido aqui.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), em 2011 o Brasil importou 1,8 bilhão de litros de QAV, ou 25% do consumo aparente (comprado pelas distribuidoras) no país. Os gastos com a compra do produto alcançaram US$ 1,42 bilhão. Segundo o mercado, a BR Distribuidora responde por até 70% do QAV vendido no Brasil para as empresas nacionais e estrangeiras A supremacia da BR seria uma decorrência natural da capilaridade que ela alcançou na malha aeroportuária do país.

Para Adriano Pires, diretor do CBIE, "o fato de a Petrobras não ter uma política transparente, fundamentada e clara de preços dos combustíveis, é o que provoca a chiadeira das empresas aéreas em relação ao QAV". Embora entenda que a estatal está correta em relação ao QAV e errada sobre o subsídio à gasolina e ao diesel, especialmente quanto à primeira que se destina ao transporte individual, Pires disse que as aéreas não deixam de ter uma certa razão.

"Por que a indústria automobilística e os consumidores de gasolina e diesel merecem favorecimento e as empresas aéreas e seus passageiros não têm o mesmo direito?", pergunta. Dentro da lógica do subsídio, que considera errada, Pires sugere uma forma de acomodar os interesses do setor aéreo: cobrar a paridade de importação no QAV destinado a viagens internacionais e apenas o preço internacional para viagens domésticas. A Petrobras não se pronunciou.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Indústria Naval
BR Offshore lança pedra fundamental de complexo logístic...
24/03/26
Resultado
Constellation Oil Services registra EBITDA ajustado de U...
24/03/26
Bacia de Campos
Equinor inicia campanha de perfuração do projeto Raia
24/03/26
Macaé Energy
Atlas Copco Rental tem participação destaque na Macaé En...
24/03/26
Energia Eólica
Equinor fortalece portfólio de energia no Brasil
23/03/26
Macaé Energy
LAAM Offshore fortalece presença estratégica no Macaé En...
23/03/26
IBEM26
iBEM 2026 reúne especialistas e discute futuro da energia
23/03/26
Crise
Conflito entre EUA e Irã: alta do petróleo pressiona cus...
20/03/26
P&D
Pesquisadores da Coppe desenvolvem técnica inovadora par...
20/03/26
Leilão
TBG avalia como positivo resultado do LRCAP 2026 e desta...
20/03/26
Macaé Energy
Lumina Group marca presença na Macaé Energy 2026
20/03/26
Resultado
Gasmig encerra 2025 com lucro líquido de R$ 515 milhões ...
20/03/26
Combustíveis
Fiscalização nacional alcança São Paulo e amplia ações s...
20/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 encerra com público recorde de 15 mil ...
19/03/26
Exportações
Firjan manifesta preocupação com a oneração das exportaç...
19/03/26
Energia Solar
Newave Energia e Gerdau inauguram Complexo Solar de Barr...
19/03/26
Combustíveis
Diesel chega a R$ 7,17 com conflito entre EUA e Irã, apo...
19/03/26
Petrobras
Museu do Petróleo e Novas Energias irá funcionar no préd...
19/03/26
Pesquisa e Inovação
MODEC impulsiona inovação e P&D com ideias que apontam o...
19/03/26
Etanol
Geopolítica e energia redesenham o papel do etanol no ce...
19/03/26
Energia Elétrica
Copel vence leilão federal e vai aumentar em 33% a capac...
19/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23