Crise

Conflito entre EUA e Irã: alta do petróleo pressiona custos logísticos e impacta transporte marítimo global

CEO da Maritime Ship Service, Thiago Nascimento, analisa efeitos no preço dos fretes, nas cadeias de suprimento e na economia.

Redação TN Petróleo/Assessoria Maritime Ship Service
20/03/2026 18:28
Conflito entre EUA e Irã: alta do petróleo pressiona custos logísticos e impacta transporte marítimo global Imagem: Divulgação Visualizações: 2319

Responsável por mais de 90% do comércio mundial em volume de mercadorias, o transporte marítimo exerce um papel central nas cadeias internacionais de suprimento, de acordo com a United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD). Isso significa que mudanças na indústria marítima afetam, direta ou indiretamente, todas as cadeias logísticas globais.  

Ainda segundo a UNCTAD, tensões geopolíticas e mudanças nas rotas comerciais costumam provocar elevação nos custos logísticos em todo o mundo. As tensões no Oriente Médio, onde conflitos se intensificaram a partir de fevereiro, já repercutem em diferentes mercados. A recente alta na volatilidade do mercado energético é provocada pelo fechamento do Estreito de Hormuz, corredor marítimo por onde passa uma parcela significativa do petróleo comercializado no mundo. A ameaça à circulação de navios na região lança incertezas sobre as rotas estratégicas do comércio mundial, elevando o preço do petróleo, segundo análises do mercado internacional.

O especialista Thiago Nascimento (foto), CEO da Maritime Ship Service, explica que, por ser parte relevante dos custos operacionais de embarcações, o preço do petróleo afeta o valor que o cliente final desembolsa diante das prateleiras. Para ele, o tempo de duração do conflito será determinante para os próximos movimentos da economia global.

"No Brasil, o primeiro impacto da guerra aparece no preço dos combustíveis e dos fertilizantes, que já registram aumento. O encarecimento desses insumos tende a elevar custos de transporte e produção agrícola, o que se reflete gradualmente no preço para o consumidor dos alimentos e de outros produtos. Caso as tensões persistam, os efeitos sobre energia, logística e cadeias globais de suprimento podem se intensificar, ampliando esses impactos", analisa.

Segundo estudo do Instituto Indiano de Gestão de Mumbai de 2025, o combustível representa entre 30% e 70% dos custos operacionais de navios. Em outras palavras, quando o combustível fica mais caro, o frete marítimo aumenta, e isso afeta a economia global.

Diante deste cenário, os impactos do fechamento do Estreito já podem ser sentidos no país. Embora as disposições internas sejam incapazes de estabilizar o mercado energético global, o governo brasileiro adotou medidas para controlar os preços do petróleo e do diesel, e evitar uma pressão maior na inflação para o consumidor brasileiro. Ações como zerar alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel têm como objetivo controlar a elevação do preço do combustível e de fretes para consumidores e setores produtivos. O Ministério da Fazenda também elevou a projeção de inflação para 2026 por conta da guerra.

Thiago Nascimento afirma que, para se manter firme durante cenários de instabilidade, é preciso ter resiliência e buscar alternativas que possam ajudar a diminuir os gastos, mas sem perder a qualidade dos serviços oferecidos.

"Nesse cenário, a resiliência de todas as partes depende menos de otimismo e mais de fundamentos sólidos de gestão", pondera Thiago. "Quando o ambiente é de risco e pressão, processos bem estruturados permitem tomarmos decisões mais rápidas e racionais, sem reações impulsivas. Já a estratégia deve combinar visão de longo prazo com capacidade de adaptação. Tanto a prudência quanto a disciplina e a manutenção da confiança na qualidade são essenciais para atravessarmos crises sem comprometermos o futuro próximo e distante."

Nos próximos meses, especialistas do setor marítimo reforçam que a evolução do conflito entre EUA e Irã continuará sendo determinante para o comportamento dos mercados globais. Uma redução das tensões aliviará parte dessas pressões econômicas, permitindo maior estabilidade nos preços internacionais e nas cadeias de suprimento. Até esse momento, a gestão ágil e inteligente será a estratégia mais eficiente para garantir a sustentabilidade para atravessar este período de incertezas. 

 

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