Hidrelétrica

Matriz da Alcoa decide se vai à Belo Monte

Valor Econômico
19/02/2010 09:54
Visualizações: 831

A Alcoa, multinacional americana do alumínio, deve decidir até este fim de semana se participa do projeto de construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, na condição de autoprodutor. Segundo apurou o Valor com fontes dos setores de alumínio e elétrico, o presidente da companhia na América Latina, Franklin Feder, viajou para os EUA no início da semana para discutir o tema com altos executivos da empresa, sediada em Nova York.

 

Vários pontos cruciais para a decisão foram levados na bagagem do executivo. Um deles é o valor final da energia ao autoprodutor que compuser o consórcio que irá disputar a licitação, considerando os custos ambientais adicionais que vão resultar das condicionantes impostas na licença ambiental prévia concedida pelo Ibama. Nas contas da empresa, isso elevaria em 50%, para cerca de R$ 4,5 bilhões, o valor total de investimentos no quesito social-ambiental.

 

A multinacional já expressou em entrevistas anteriores que vê no projeto Belo Monte uma oportunidade única de oferta de energia para seus planos de expansão no Brasil. Com essa energia, poderá instalar uma nova fábrica e um local cotado é Altamira, próximo da obra da usina. Um dos fatores de limitação é o preço: para a empresa, acima de US$ 30 o MWhora a rentabilidade da nova fundição fica comprometida frente ao preço do metal no mercado internacional. O peso da energia no custo de produção de uma tonelada de alumínio chega a até 35% do total.

 

Depois de atingir mais de US$ 3 mil a tonelada, a cotação do alumínio, no auge da crise, desabou para US$ 1,3 mil. Atualmente, está na faixa de US$ 2,2 mil a US$ 2,3 mil a tonelada, conforme negociações na Bolsa de Londres.

 

Outro fator que pesa contra a Alcoa no Brasil é a concorrência de investimentos dentro do próprio grupo. No momento, a companhia desenvolve em parceria um projeto de alumínio de US$ 10 bilhões na Arábia Saudita, onde o preço da energia, à base de gás abundante, sairá por cerca de US$ 20 o MWh. Hoje, a empresa tem duas fábricas no Brasil: Poços de Caldas (MG) e Alumar (MA) e já garante 45% de energia própria. Com novos investimentos em curso em hidrelétricas, em 2011 chegará a 70%.

 

Além da questão do preço da energia e dos custos ambientais e sociais da obra, a Alcoa ainda não sente segurança no que chama de regra de entrada e saída do autoprodutor no consórcio. A empresa estava conversando com os dois consórcios existentes: um deles é liderado pelaAndrade Gutierrez e outro pela Camargo Corrêa e Odebrecht.

 

Mas o consórcio da Andrade foi fechado na semana passada com a Neoenergia e os autoprodutores que integram o consórcio da construtora são Votorantim e Vale. Assim só restou o consórcio da Camargo e Odebrecht. Fontes das construtoras contam que além da Alcoa, a Braskem deve fazer parte do consórcio. Se a empresa de alumínio desistir de participar da disputa quem deve entrar na sociedade é a Camargo Corrêa Cimentos. O consórcio das duas construtoras só será fechado depois de publicado o edital do leilão, mas já tem como sócios a Funcef, fundo de pensão da Caixa Econômica Federal, e ainda o FI FGTS (fundo de infraestrutura). Até lá, ainda há pressão para que algumas regras sejam alteradas.

 

Quem está correndo por fora é a GDF Suez. Durante o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, o presidente da empresa no Brasil, Maurício Bahr, disse que é praticamente impossível que qualquer empresa vá sozinha ao leilão. Existia informações correndo no mercado de que a Suez formaria um terceiro consórcio e contaria apenas com a sociedade da Eletrobrás. A estatal federal deve ficar com 49% de qualquer um dos consórcios vencedores. Mas Bahr disse que mesmo os consórcios já fechados podem aceitar um novo sócio.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Resultado
Atlas Portuário do ES: portos capixabas movimentam 137,5...
17/06/26
Hidrogênio Verde
SENAI CIMATEC, HYTRON e PETROGAL BRASIL (JV Galp/Sinopec...
17/06/26
Apoio Offshore
Transporte aéreo no setor do petróleo cresce 21% em dois...
17/06/26
Pessoas
ENGIE Brasil nomeia Michele Schifino como diretora de Co...
16/06/26
Combustíveis
Propostas de resoluções sobre caracterização da elevação...
16/06/26
Hidrelétrica
Gerdau adquire 100% de participação societária de usina ...
16/06/26
Fenasucro
Otimista, Fenasucro & Agrocana anuncia crescimento e se ...
16/06/26
Gestão
Petróleo, gás e energia lideram troca de CEOs no Ibovesp...
16/06/26
Petróleo e Gás
Coppe inaugura moderno Núcleo de Tecnologia de Poços
16/06/26
SOG 2026
Sergipe Oil & Gas está com as inscrições abertas
15/06/26
Aviação
IBP promove fórum sobre SAF para debater a implementação...
15/06/26
Energia Elétrica
Expansão de data centers pressiona infraestrutura energé...
15/06/26
Combustível
Etanol encerra a semana em alta e com reação diante do a...
15/06/26
Gás Natural
ANP concede prazo para adequação de importadores a resol...
12/06/26
E&P
ANP divulga Calendário Estratégico Unificado de Avaliaçõ...
12/06/26
Combustíveis
ANP toma medidas para priorizar ações de respostas a imp...
12/06/26
Aviação
IBP promove fórum sobre SAF para debater a implementação...
12/06/26
GLP
Sindigás: ANP paralisa "reforma do GLP" e acena com caut...
12/06/26
Biometano
Orizon conclui incorporação da Vital e cria líder latino...
12/06/26
Manaus
Distribuidoras apoiam parecer da AGU que recomenda suspe...
12/06/26
Transição Energética
IBP debate protagonismo de São Paulo no mercado de energia
11/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25