Combustíveis

Maior consumo deixa compradores a postos

Jornal do Commercio
18/06/2008 09:14
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O aumento do consumo e a melhora do ambiente regulatório do setor de distribuição de combustíveis são os principais motivos para a corrida por postos de abastecimento no país por empresas brasileiras e estrangeiras, de olho em um mercado que fatura mais de R$ 100 bilhões por ano. Na avaliação do vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes, Alisio Vaz, o movimento iniciado com a compra da Ipiranga em março do ano passado, da Esso no início deste ano e agora a competição pelos ativos da Texaco, da norte-americana Chevron, refletem o bom momento que o setor está passando. As vendas de combustíveis subiram 9,8% no Brasil de 2006 para 2007 e a expectativa é de que aumentem mais 11% em 2008.

 

Os postos da Shell, frequentes alvos de rumores de venda, também estariam na mira das empresas que há anos estacionaram em fatias de mercado bem abaixo da líder BR Distribuidora, dona de 41% da distribuição de combustíveis no país, e que agora querem se movimentar. "Não é só o aumento do consumo. As autoridades estão mais mobilizadas e houve realmente diminuição de fraudes, isso acaba atraindo novos investidores e os que já atuam no país", disse Vaz à Reuters.

 

Os rumores sobre a venda dos postos da Texaco começaram a circular no setor praticamente junto com as especulações de venda de ativos da Esso, no ano passado, adquiridos de forma inesperada pela produtora de álcool e açúcar Cosan, por 1 bilhão de reais no início deste ano.

 

Desta vez, o grupo Ultra, que adquiriu postos da Ipiranga em parceria com a Petrobras, é apontado pelo mercado como o favorito de uma lista que inclui GP Investimentos, AleSat, Petrobras e Cosan. "Condições financeiras o Ultra tem, mas a Texaco é maior do que a Esso e da outra vez ele foi em parceria com a Petrobras . É quase o dobro da Esso", observou o analista Gilberto Pereira de Souza, do BES. "Mas sabemos que o Ultra saiu na frente", completou.

 

De acordo com Souza, o Ultra subiria com a compra para uma participação de 24%, já levando em conta os postos da Ipiranga, o que reduziria a diferença em relação à BR Distribuidora. Pelos postos da Ipiranga, mais de 3 mil nas regiões Sul e Sudeste, o grupo Ultra teria pago cerca de R$1,8 bilhão, sendo parte em ações. No caso da AleSat, a fatia de 9,8% da Texaco elevaria sua operação para 15%, e a Cosan, dona da Esso, subiria para 17%. Na avaliação de Souza, no entanto, a compra de mais esse ativo pela Cosan poderá não ser bem recebida pelo mercado. Avaliações de um eventual desvio de foco do negócio principal da companhia circularam no primeiro negócio, com a Esso, e poderiam ganhar força. No caso da Petrobras, a questão poderia esbarrar na concentração de mercado.

 

Procuradas pela Reuters, as empresas envolvidas preferiram não comentar o assunto, com exceção do grupo Ultra, que repetiu o que vem afirmando desde o ano passado, de que "tem forte interesse de crescer no país no setor de combustíveis e por isso analisa todas as oportunidades".

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