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Libra se diz pronto para processo de consolidação

Além das expansões no terminal do Rio de Janeiro, da integração dos terminais de Santos (SP) e da construção de um em Imbituba (SC), projetos que demandarão R$ 1 bilhão até 2015, a Libra aposta em fusões e aquisições

Valor Econômico
10/04/2012 11:44
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Ao ultrapassar a barreira do 1 milhão de contêineres movimentados no ano passado - alta de 4% sobre 2010 -, o Grupo Libra avalia que o processo de consolidação portuário é "inexorável". Controladora da Libra Terminais, a segunda maior operadora de terminais de contêineres do país, a companhia diz ter fôlego e estrutura para participar dessa nova fase. "A consolidação portuária é inevitável. São as consequências da inserção do Brasil na economia internacional", afirmou ao 'Valor' o presidente da holding, Marcelo Araújo.

Além das expansões no terminal do Rio de Janeiro, da integração dos terminais de Santos (SP) e da construção de um em Imbituba (SC), projetos que demandarão R$ 1 bilhão até 2015, a Libra aposta em fusões e aquisições. A prioridade, de acordo com a companhia, é Santos, para dar escala ao seu negócio, já que o complexo santista concentra mais de 70% dos volumes da Libra Terminais. A empresa também prospecta áreas no Nordeste e Norte. Fundamentalmente em Suape (PE) e Manaus (AM).

"Estamos trabalhando para que em nosso setor tenha um, dois, três grandes players brasileiros capazes de fazer frente aos internacionais e gostaríamos muito de nos candidatar". O Grupo Libra tem quatro divisões: terminais, logística, participações e aeroportos. Essa atuação diversificada faz da companhia a primeira na América Latina a operar todos os modais envolvidos no comércio exterior.

O braço de terminais é o que enfrenta o principal desafio, já que, sendo o maior negócio, precisa crescer sobre uma base dilatada. Em 2011, a Libra Terminais respondeu por 74% da receita bruta do grupo, que ficou em R$ 993 milhões, alta de 28,4% sobre 2010. A divisão de Logística respondeu por 14% da receita e a de participações e de aeroportos, por 12%.

Neste ano o grupo fez uma oferta pela parte do Grupo Barbeito no Tecondi, no porto de Santos. Mas o outro sócio, o Grupo Formitex, exerceu o direito de preferência. Se arrematasse o Tecondi, a Libra, que já opera dois terminais em Santos, aumentaria sua fatia de movimentação no porto para 42%, levando em conta os volumes escoados em 2011.

A companhia, que respondeu por 26% da movimentação de carga conteinerizada em Santos em 2011, ficaria, próxima da principal concorrente, a Santos Brasil, com cerca de 50% de fatia em Santos. Adquirir o contrato do Tecondi faria todo o sentido para dar ganho de escala na movimentação e integrar a cadeia logística, já que logo atrás do Tecondi fica o Teval, uma instalação seca multimodal da Libra Logística.

"Com a entrada da Embraport e da BTP [ Brasil Terminal Portuário ], vamos ser o quarto terminal do porto em termos de tamanho e o Tecondi o quinto. Unidos, estaríamos mais fortalecidos. Continuamos abertos a conversar com eles no futuro", diz Araújo.

O outro terminal de contêineres em Santos é operado pela Rodrimar, que teve 7% da movimentação em 2011. Se o governo levar a cabo o projeto de licitar os contratos cujos prazos estão expirando, arrendar a área da Rodrimar seria uma alternativa.

Tanto Embraport como BTP estão em construção e nascerão com capacidade para operar, cada qual, mais de 1 milhão de Teus, o que imporá uma nova ordem de grandeza ao sistema portuário nacional. Ambos têm entre seus sócios operadores mundiais. A Embraport é uma parceria entre a DP World, a Odebrecht TransPort e a Coimex. Já a BTP tem entre os acionistas a APM Terminals.

Para Araújo, o Libra reúne os principais atributos para participar desse movimento de consolidação em que os investimentos portuários alcançaram um novo patamar. "Não estamos mais falando de dezenas de milhões, mas de bilhão". Conforme o 'Valor' apurou, a oferta da Libra por 50% do Tecondi foi na casa de R$ 600 milhões.

Nos últimos anos o grupo, de capital fechado, passou por uma reestruturação focando na melhora da governança, preparando-se para, se necessário, ir ao mercado captar recursos e lastrear o crescimento. A organização da companhia em plataformas foi a estratégia para que as diferentes divisões tivessem autonomia de crescimento via aquisições, fusões ou por meio de novos projetos.

A holding tem solidez financeira. A relação dívida líquida sobre Ebtida (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) é de 0,6 vez, considerada baixa. Segundo especialistas, um teto saudável é uma alavancagem de até 3,5 vezes.

A Libra Logística é um dos destaques do grupo. A divisão teve aumento de receita de 71% em 2011. Em termos de volume, movimentou 6,2 milhões de metros cúbicos, 51% mais que em 2010. No mês passado, anunciou a aquisição do Porto Seco do Cerrado, em Uberlândia (MG), que passou a ser a quarta unidade da empresa. Integram ainda a divisão de logística, o Teval, em Santos, uma unidade em Cubatão, e o Porto Seco de Campinas (SP). Além de querer ampliar a malha de portos secos no Sudeste, olha oportunidades de ativos no Sul.
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