Projeto

Investindo no hidroviário, SP licitará três portos

Com a movimentação de 6 milhões de toneladas de carga ao ano na hidrovia Tietê-Paraná, o  governo de São Paulo prepara uma série de obras para alcançar a marca de 12 milhões de  toneladas em 2016. Entre as iniciativas, est&aacut

Brasil Econômico
16/08/2013 10:38
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Com a movimentação de 6 milhões de toneladas de carga ao ano na hidrovia Tietê-Paraná, o  governo de São Paulo prepara uma série de obras para alcançar a marca de 12 milhões de  toneladas em 2016. Entre as iniciativas, está a construção de quatro portos intermodais. Três deles terão o edital de licitação para preparação do projeto básico divulgada este mês.
 
 
Os portos serão construídos em Rubinéia, Piracicaba e Araçatuba. O quarto porto, em Salto,  será licitado e construído depois. Segundo o Departamento Hidroviário de São Paulo, serão  disponibilizados R$ 60 milhões para auxiliar a iniciativa privada nas obras.
 

"Vamos usar o modelo de arrendamento da nova lei dos portos. A ideia é que a iniciativa  privada opere suas cargas próprias e de terceiros, sem prejuízo de preços. O objetivo é  suprir a deficiência de portos públicos ", explica Casemiro Tércio Carvalho, diretor do  Departamento Hidroviário (DH) do Estado de São Paulo.
 

Interligados com rodovias e ferrovias, os portos serão uma solução integrada. O tamanho dos  projetos ainda não foi definido, mas deve possuir dois berços para receber embarcações,  evitando as filas, que são reclamações dos transportadores.
 

O tempo para desembarcar a carga é outra preocupação, portanto os novos portos devem  possuir um número maior de sugadores para a retirada de produtos agrícolas. "Temos que  tomar cuidado apenas com a ociosidade, tem que ter demanda", diz.
 

O projeto dos novos portos integra um protocolo assinado entre os governos do estado e  federal para melhoria das hidrovias em São Paulo, que prevê o investimento de até R$ 1,5  bilhão. O acordo firmado em 2011 tem até o momento 20% de suas obras concluídas, segundo o  DH. "Das obras para eliminação de gargalo temos quatro entregues, cinco em andamento e seis  com o projeto pronto para licitar, esperando só aprovação do orçamento", diz.
 

A hidrovia Tietê-Paraná tem 2.400 quilômetros navegáveis, sendo 800 deles em São Paulo. A  previsão é aumentar em 250 quilômetros de navegação, com a construção de novas barragens.  No entanto, além de ampliar a extensão, a expectativa é garantir mais qualidade ao sistema,  já que alguns trechos estão desatualizados. "As pontes e as eclusas foram construídas para  outro tamanho de comboio. Com o aumento deles, hoje perdemos muito tempo tendo que  desmembrar o comboio", salienta Carvalho.
 
 
Para atender à demanda, estão previstas dragagens para garantir a profundidade dos  reservatórios, uma vez que o nível dos rios oscila de acordo com o período de cheias e  escassez de chuvas. Com a dragagem é possível garantir a navegação das embarcações durante  todo o ano.
 

Na região das pontes também serão realizadas obras para garantir a passagem dos comboios,  assim como serão disponibilizados mais atracadores para melhorar a eficiência de tempo.  "Temos como meta reduzir 20% o custo do frete e 15% do tempo de viagem", comenta Carvalho.
 

Segundo especialistas em logística, o transporte hidroviário é recomendado para longas  distâncias, acima de 400 quilômetros.
 

Principal meio de transporte de cargas no Brasil, o rodoviário seria indicado para trechos  de menor extensão, até 200 quilômetros. Para percursos intermediário, entre 200 e 400  quilômetros, as ferrovias são mais adequadas. Dentro do projeto paulista, a integração  entre os três modais busca acabar com os gargalos da infraestrutura, que é muito  deficiente.
 

Entre os produtos que são escoados pela hidrovia Tietê-Paraná estão soja, farelo, milho,  trigo, mandioca, carvão, cana de açúcar, adubo, areia e cascalho. Com o aumento da  capacidade de utilização do sistema hidroviário, o governo já articula com empresários do  estado a transição das rodovias para os rios.
 

"Temos mantido um diálogo com o setor privado para atrair novas cargas. Uma delas é a  cerâmica vermelha, que escoa no sentido de Pederneiras. Montamos todo o projeto logístico.  Também já conversamos com os produtores de celulose de Três Lagoas, que deve escoar 100%  pela hidrovia", afirma Carvalho.
 

PERSPECTIVAS
 
 
20%:Com a modernização do sistema hidroviário, o governo de São Paulo prevê a redução em  20% do custo do frete, além de diminuir em 15% o tempo de viagem.
 

22 milhões: É a expectativa, em toneladas, de aumento, até 2022, da carga transportada com  a conclusão do projeto de melhoria e ampliação da hidrovia.
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