Mercado

Inflação pode fechar em mais de 8%, em 2004, por pressão dos preços do petróleo

José Roberto Mendonça de Barros diz que, se Petrobras reajustar novamente os preços da gasolina, governo terá que aumentar os juros do país no segundo semestre deste ano.


12/07/2004 00:00
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A alta dos preços internacionais do petróleo não só deverá impedir o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de promover novas reduções na taxa básica de juros do país (Selic), hoje em 15,77%, como deverá obrigar o governo, em último caso, até mesmo a aumentá-la ao longo deste segundo semestre. O consultor da MB Associados, o ex-ministro José Roberto Mendonça de Barros, alerta que a medida será necessária caso a Petrobras promova um novo reajuste dos derivados para realinhar os preços internos com as cotações internacionais do barril de petróleo, hoje em torno de US$ 40.
Mendonça de Barros participou nesta segunda-feira (12/07) de um seminário sobre o setor petrolífero no Rio, quando afirmou que, se o barril permanecer no mercado internacional na casa dos US$ 40, a inflação calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deverá encerrar o ano em 7,5% - próximo ao teto da meta oficial do país (8%) -, mesmo que a Petrobras não promova qualquer novo reajuste. Se a Petrobras, por outro lado, promover um novo reajuste dos preços da gasolina, o consultor calcula que o IPCA em dezembro poderá fechar acima dos 8% e, conseqüentemente, ameaçar o cumprimento da meta.
O ex-ministro ponderou, no entanto, que uma alta da Selic no segundo semestre não deverá impedir o país de encerrar 2004 com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5%, conforme o previsto pelo governo. O problema, segundo ele, será a partir de 2005, quando os juros altos e uma série de problemas regulatórios e infra-estruturais deverá impedir a continuidade do crescimento do país.
O diretor da Área de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, afirmou que a Petrobras só vai promover um novo reajuste de preços de derivados como a gasolina e o óleo diesel se as cotações internacionais do petróleo se estabilizarem, nos próximos meses, em um patamar superior ao atual (US$ 40). Segundo o executivo, embora alto, o atual nível de preços não será levado em conta pela companhia para um novo reajuste, que terá que ser analisado por toda diretoria.
Apesar do alerta, Mendonça de Barros reconhece os avanços ocorridos a partir da redução da fragilidade externa do país, que resultaram na quase anulação de seu déficit em conta corrente. Ele adverte, no entanto, que os avanços ocorridos em virtude principalmente do incremento das exportações de grãos e produtos primários podem ser ameaçados por fatores como a tendência de baixa dos preços internacionais das comodities. Tal tendência, segundo ele, já se verifica no mundo, como conseqüência da desaceleração econômica da China, um dos principais mercados mundiais para as exportações brasileiras.
Uma redução do superávit comercial brasileiro poderá, segundo o consultor, exercer pressões sobre o câmbio do país, que poderá sofrer, dessa forma, uma nova desvalorização. Como conseqüência, ele projeta não só um aumento da inflação, como também uma elevação do risco Brasil, o indicador medido pelo banco americano JP Morgan que indica a capacidade dos países honrarem suas dívidas. Mendonça de Barros argumenta que esses dois fatores, juntamente com as pressões exercidas pelos preços internacionais do petróleo e pela alta dos juros no mercado norte-americano, deverão contribuir para a elevação da Selic nos próximos meses.

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