Indústria Naval

Indústria naval desenha novo mapa

O mapa da indústria naval brasileira, definitivamente, mudou. Trinta anos depois do setor ter entrado em decadência, o que se vê é uma proliferação de novos estaleiros, inclusive fora do eixo Sul/Sudeste. Pernambuco lidera esse movimento. O Estaleiro Atl&acirc

Diário de Pernambuco
11/01/2010 07:46
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O mapa da indústria naval brasileira, definitivamente, mudou. Trinta anos depois do setor ter entrado em decadência, o que se vê é uma proliferação de novos estaleiros, inclusive fora do eixo Sul/Sudeste. Pernambuco lidera esse movimento. O Estaleiro Atlântico Sul foi o primeiro a assinar contrato com a Transpetro, em janeiro de 2007, para a construção de dez petroleiros, de um total de 26 embarcações, na primeira fase do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef). Também foi o primeiro a iniciar a construção dos navios, em março de 2008. E deve sair na frente na primeira entrega, prevista para abril deste ano.

Desde aquela época, esses marcos já sinalizavam que haveria uma desconcentração desse setor no Brasil. O Rio de Janeiro, que até hoje concentra 15 dos 25 estaleiros em operação (ver quadro ao lado), estava perdendo terreno. Não por falta de competitividade, mas de espaço físico. Era preciso buscar outras plagas. Ou melhor, outros mares. A Ilha de Tatuoca, no Complexo Industrial Portuário de Suape, oferecia as condições ideais para a instalação do maior e mais moderno estaleiro do Hemisfério Sul. São R$ 1,6 bilhão de investimentos e capacidade para processar 160 mil toneladas de aço por ano.

Para se ter uma ideia, o segundo maior estaleiro em funcionamento do Brasil, o Eisa (RJ), tem uma capacidade de 52 mil toneladas/ano. Outros estaleiros de grande porte também estão surgindo em Alagoas (também Eisa), na Bahia (Paraguaçu e EDB) e no Ceará (Promar). Representam investimentos de R$ 4 bilhões, com R$ 3 bilhões já assegurados pelo Fundo de Marinha Mercante (FMM).

Projetos - Em Pernambuco, foram anunciados mais dois projetos - o da Alusa, em consórcio com Galvão e Songdong - um investimento de US$ 350 milhões; e o da Construcap, que prevê investir US$ 100 milhões, com a expectativa de gerar sete mil vagas de trabalho. No Maranhão, poderá ser construído um centro de reparação naval. Todos aguardam o resultado da licitação das 28 sondas (drill ships)pela Petrobras, prevista para sair entre março e abril.

"Pernambuco tem um grande potencial, entre outras coisas, por seu calado (profundidade) natural. As grandes empresas estão migrando para o Nordeste porque no Rio de Janeiro não há mais espaço. Com o pré-sal, esse cenário torna-se ainda mais promissor", destaca o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha. O Sinaval acaba de inaugurar um escritório regional no Recife. O primeiro fora do Rio depois de mais de 50 anos.

O Brasil já tem a quinta carteira de encomendas do mundo. São R$ 55 bilhões em investimentos e encomendas, segundo o Banco Nacional de Desevolvimento Econômico e Social (BNDES). As 430 embarcações encomendadas, entre licitadas e a licitar, vão gerar 60 mil empregos no país até 2015, 30 mil deles no Norte e Nordeste. Sinal de que a indústria naval brasileira, de fato, renasceu, inicialmente embalada pelo Promef, e o Nordeste é seu motor de propulsão.

"O interessante dissotudo é que a indústria de navipeças vai crescer em volta desses estaleiros, movimentando toda a economia", diz o secretário executivo do Sinaval, Sérgio Leal. As novas embarcações vão eliminar os US$ 1,36 bilhão que só a Petrobras gasta com afretamentos por ano. "A diferença em relação aos anos 70 é que naquela época as obras eram induzidas pelo governo. Hoje, se constrói navios por demanda, e com sustentabilidade", compara Ariovaldo Rocha.

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