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HRT se diz longe da briga entre seus sócios da TNK-BP

Valor Econômico
08/06/2012 10:03
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Uma possível saída da BP da joint venture russa TNK-BP, que tem 45% das operações da brasileira HRT O&G em 21 blocos na bacia do Solimões, na Amazônia, não terá nenhum efeito sobre o negócio no país. O presidente do conselho de administração e fundador da HRT, Marcio Melo, foi enfático ao dizer que qualquer desfecho entre os sócios não muda "absolutamente nada" no Brasil. "Não tem nada a ver", disse o executivo ao 'Valor'.

É a mesma opinião de uma fonte com acesso aos sócios estrangeiros, que lembrou que todo o pessoal que tem contato com o Brasil continua trabalhando normalmente. "A HRT tem profissionais brasileiros, ingleses, escoceses e de outras nacionalidades. São profissionais com carreira internacional e o fato de trocar o presidente da TNK-BP ou uma mudança no controle na Rússia não tem nenhum impacto no curto e médio prazos", afirma a fonte.

Um dos responsáveis pela participação da TNK-BP no Brasil é o executivo Chris Eichcomb, vice-presidente de projetos de exploração e produção da área internacional da companhia. A TNK-BP comprou 45% detidos pela Petra na HRT em novembro do ano passado por aproximadamente US$ 1 bilhão. A brasileira procura petróleo e gás em uma imensa área exploratória sob concessão na Amazônia.

A decisão da empresa anglo-russa de entrar no capital da HRT foi tomada de comum acordo pelos acionistas da BP e da Alfa-Access-Renova (AAR) controlada pelos bilionários russos Viktor Vekselberg (Renova), Leonard Blavatnik (Access Industries) e Mikhail Fridman (Alfa Group). E na época a relação já estava desgastada depois que a AAR entrou com ação judicial contra a BP para impedir uma associação dela na Rússia com a estatal russa Rosneft para explorar petróleo no Ártico.

Na última sexta-feira a BP anunciou que recebeu uma proposta "não solicitada" relacionada a uma potencial aquisição de suas ações na TNK-BP, sem informar o autor da proposta. O valor de mercado da companhia é de R$ 32,243 bilhões.

O anúncio de que a BP pode sair da sociedade foi feito dias depois do poderoso Mikhail Fridman renunciar à presidência da companhia e do conselho, apesar de seu mandato só vencer em 2013. E os acionistas da AAR mencionaram a existência de uma cláusula no acordo de acionistas pode complicar o negócio.

A TNK-BP foi criada em 2003 e já é a terceira maior produtora de óleo e gás da Rússia. A companhia produz quase 2 milhões de barris de óleo equivalente por dia e tem capacidade de refinar diariamente 750 mil barris de óleo. Hoje seu valor de mercado é de US$ 32,2 bilhões.

Se a venda for concluída terá implicações relevantes para a britânica (que pode fazer caixa para cobrir os prejuízos calculados em US$ 40 bilhões com o vazamento do campo de Macondo, no Golfo do México, por exemplo), como também para o governo da Rússia, que quer mais influência sobre a TNK-BP.

A consultoria Eurasia Group avalia que ainda é cedo para dizer se a holding estatal Rosneftegaz, que controla a Rosneft, poderia comprar uma participação.

Também não está claro se a AAR está negociando a compra das ações do sócio, ou mesmo vendendo sua participação. Longe da briga dos sócios, a HRT, assim como outra novata, a QGEP, do grupo Queiroz Galvão, continua sob intenso foco de analistas no Brasil. A HRT foi criada em 2009 e fez uma bem sucedida estreia no mercado de ações em 2010, mas ainda não fez nenhuma descoberta importante, mesmo depois de perfurar sete poços na Amazônia.
 
Em recente relatório, analistas do Credit Suisse enfatizam que as duas empresas ainda não tiveram sucesso exploratório. O relatório ressalta, contudo, que a área da HRT no Solimões e na Namíbia (onde os anglo-russos não têm participação) é tão grande que vai manter a empresa ocupada pelo próximo ano e meio, o que significa que, "eventualmente", a HRT poderá encontrar petróleo.
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