Combustíveis

GLP poderá ser alternativa ao gás natural na indústria

Além da vocação como combustível complementar ao gás natural, especialistas e industriais defendem o fim das restrições legais ao uso do GLP.


21/10/2005 00:00
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O eliminação das restrições ao uso do gás liqüefeito de petróleo (GLP) e a utilização do combustível como alternativa ao Gás Natural na produção industrial foram as proposições chave do seminário  "O papel do GLP no cenário energético da indústria", promovido pelo Sindigás, nesta sexta-feira (21/10), na Firjan.

O secretário de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, Wagner Victer, o diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE), Adriano Pires, o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liqüefeito de Petróleo (GLP), Sérgio Bandeira de Mello, concordam com utilização mais ampla do combustível e com sua aplicação como complementar ao gás natural.

Claudio Akio Ishihara, diretor do departamento de combustíveis e derivados de Petróleo da Secretaria de Petróleo e Gás do MME, ressalta, entretanto, que a possibilidade de falta de gás natural é muito remota e que, por isso, focar a utilização do GLP como combustível alternativo pode não ser uma boa estratégia.

Segundo Pires, o Brasil utiliza 85% do GLP produzido no país para consumo residencial, enquanto na média internacional o uso residencial do combustível representa 48,% do total utilizado e o uso industrial chega a 36,6%. No Brasil, o uso industrial corresponde a 7,6% do GLP consumido.

Na opinião de Pires, o Brasil corre o risco de escassez de gás natural e os motivos são da dependência internacional e a possibilidade de falta de energia elétrica em 2009 ou 2010.

Segundo dados do CBIE, 42% do gás natural consumido no Brasil é importado e os reflexos desta dependência já foram observados durante a crise da Bolívia pela adminstração de suas reservas de hidrocarbonetos. Quanto à possibilidade de apagão, Pires ressalta que o país não tem gás natural sequer para despachar todas as térmicas e que uma possível crise energética poderia fazer o governo desestimular o uso do combustível industrialmente para direcioná-lo à produção de eletricidade

Também participando do Seminário, o superintendente de relações internacionais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Durval Carvalho de Barros, afirmou que a Agência está aberta a trocar informações e analisar a possibilidade de se modificar a normatização que proibe a utilização do GLP em diversas aplicações industriais, em motores e sistemas de aquecimento e refrigeração, além do uso automotivo.

Ishihara, do MME, considera importante a criação de energias como back up, mas adverte que as estimativas do governo não trabalham com a possibilidade falta de gás natural. Segundo Ishihara, a busca por novos mercados para o GLP é salutar, mas posicionar-se como uma energia alternativa ao gás natural não deverá ser o foco principal da indústria, uma vez que a falta de gás natural é uma possibilidade muito remota. "A Bolívia não tem o que fazer com seu gás e o Brasil é, realmente, um grande parceiro", analisa.

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