Mercado

Gasolina sobe mais que o petróleo

InvestNews / Gazeta
18/08/2006 00:00
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A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) chamou a atenção em seu Relatório Mensal sobre o Mercado Petroleiro publicado ontem, em Viena, para uma crescente diferença entre os preços do petróleo e da gasolina, posto que nos últimos dois anos o aumento registrado nos valores do combustível foi quase o dobro do da matéria-prima. O Relatório corrige ligeiramente para baixo a previsão de crescimento da demanda mundial de petróleo.

"A relação entre os preços do petróleo e da gasolina divergiu nos últimos dois anos", afirmam os analistas da Opep. Enquanto entre o fim de 2001 e o último trimestre de 2004, o Petróleo Intermediário do Texas (WTI, de referência nos Estados Unidos) e a gasolina subiram de forma paralela, desde o início de 2005 até agora o aumento do preço da gasolina tem sido muito maior que o do valor do petróleo. "Entre o final de 2004 e julho passado, os preços do petróleo aumentaram cerca de US$ 26 por barril, aproximadamente 50%, enquanto no mesmo período a gasolina americana subiu cerca de 90%, o equivalente a US$ 46 por barril".

A diferença nos aumentos mostra que "os preços do petróleo e dos produtos derivados, apesar de estarem inter-relacionados no mercado físico e no da especulação financeira, respondem a diferentes forças de oferta e demanda". Segundo os analistas, nos últimos dois anos os preços do petróleo têm sido pressionados para cima por fatores fundamentais do mercado, como o forte aumento da demanda e a baixa capacidade de produção excedente, e outros como conflitos geopolíticos.

Também houve fatores estabilizadores, como a ampliação do fornecimento e o aumento da capacidade produtiva da Opep e das reservas estratégicas e comerciais de petróleo nos países consumidores, que se encontram "no nível mais alto dos últimos 20 anos", segundo o relatório. A Opep observa menor volatilidade nos preços do petróleo do que nos da gasolina, sujeitos a um forte crescimento da demanda, a normas ambientais cada vez mais severas na produção do combustível, a níveis de estoques relativamente baixos e à capacidade limitada das refinarias.

Assim, os avanços positivos na extração de petróleo "podem não ser suficientes para moderar o nível dos preços diante dos atuais gargalos no setor do refino e das tensões geopolíticas".

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