Mercado

Gás natural caro e escasso inibe projetos no Brasil

Valor Econômico
22/12/2011 15:21
Visualizações: 1076
A escassez de gás natural e os altos preços da matéria-prima disponível no país têm afugentado investimentos químicos e petroquímicos no Brasil. A Unigel, uma das maiores empresas químicas de capital nacional, deverá investir cerca de US$ 400 milhões no México em uma unidade de metacrilato (acrílico). "Essa decisão já foi tomada há alguns meses", disse ao Valor Henri Armand Slezynger, principal executivo da companhia e presidente do conselho diretor da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química).

O projeto da Unigel prevê a construção de uma fábrica com capacidade para 150 mil toneladas por ano. Essa unidade poderia ser erguida ao lado do polo químico do grupo na Bahia. Mas as discussões entre setor químico e governo ainda não amadureceram, levando a Unigel a optar por levar adiante seu projeto para o México, onde a disponibilidade da matéria-prima é abundante e os preços competitivos.

Segundo Slezynger, outras empresas do setor frearam projeto e até desativaram fábricas pela escassez da matéria-prima como fonte de energia. Ele citou o exemplo da Novelis, companhia de alumínio ligada à indiana Hindalco, que no fim do ano de 2010 anunciou a desativação da fundição de Aratu, na Bahia.

Slezynger afirmou que a Abiquim mantém constantes conversações com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) sobre preços da matéria-prima. As cotações do gás natural no Brasil estão em cerca de US$ 13 (por milhão de btu - unidade térmica britânica), enquanto nos Estados Unidos ficam abaixo de US$ 4 (por milhão de btu). "O Brasil não está competitivo. Os custos de muitas empresas estão comprometidos por conta dos altos preços pagos pela energia".

Segundo ele, a Abiquim entregou um estudo para o governo federal para melhorar a competitividade dos preços da matéria-prima no Brasil. "O consumo total de gás natural das indústrias petroquímicas é de cerca de 5% no país. Mas os preços estão impraticáveis".

Para Slezynger, o Brasil corre o risco de perder a hegemonia latino-americana na petroquímica. "Os EUA estão explorando o 'shale gas' [gás de xisto], muito competitivo, e a Argentina anunciou reservas de gás", afirmou. Muitas empresas também estão perdendo competitividade com os produtos importados, segundo o dirigente da Abiquim.

Em recente entrevista ao Valor, Carlos Fadigas, principal executivo da Braskem, petroquímica do grupo Odebrecht, disse que a escassez da matéria-prima não chega a preocupar, mas a competitividade por conta dos preços sim. A Braskem tem projetos em estudos de unidades de eteno e polietileno (PE) em países onde o gás natural é abundante, casos do México, Peru e Venezuela. No México, o projeto está mais avançado, com investimentos da ordem de US$ 3,1 bilhões, em parceria com a Idesa, para construir três fábricas de PE. No Peru, a petroquímica assinou um memorando de entendimentos com a Petroperu, no qual deverá avaliar a construção de três unidades para a mesma finalidade.

Atualmente, a nafta é a principal matriz petroquímica do Brasil. Ela é a base para a produção de 77% de todo o eteno produzido hoje no país, segundo dados da consultoria Maxiquim. O gás natural responde por 13%, com produção localizada na unidade da Braskem no Rio de Janeiro, a RioPol; e 5% de etanol - na fábrica de polietileno verde da Braskem no Rio Grande do Sul. Já o uso da nafta para a produção de propeno está mais equilibrada: 50% para a matéria-prima nas unidades da Braskem e 50% nas refinarias da Petrobras. O gás de refinaria responde pela outra metade.

Segundo Slezynger, a própria Petrobras afirmou não ter volume suficiente de gás natural disponível para os próximos anos, o que gera insegura no setor.

Em novembro, o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, informou que a empresa não tem gás para disponibilizar ao mercado e que os contratos já assinados estão 100% garantidos, mas não haverá novos contratos. O argumento é que a Petrobras não sabe o gás que será injetado no pré-sal. Parte dessa matéria-prima produzida pela estatal é associada à produção de petróleo. Por isso, sem saber qual a proporção de gás que será necessária para injetar no campo produtor de petróleo, ela não tem como identificar a quantidade de gás disponível ao mercado. Ontem, a empresa informou que a produção de gás natural em seus campos no país atingiu em novembro 57,6 milhões de metros cúbicos, aumento de 4,2% em relação ao mesmo mês de 2010. Em relação a outubro, a alta foi de 1,3%.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Macaé
Foresea participa do WSOP 2026 e reforça que segurança é...
11/08/26
Pessoas
Atvos anuncia novo CEO
11/08/26
Bacia de Sergipe-Alagoas
Siemens Energy expande atuação no offshore brasileiro co...
10/08/26
Fenasucro
Fenasucro & Agrocana começa nesta terça-feira, dia 11, c...
10/08/26
Biometano
Copa Energia amplia debate sobre o futuro do biometano n...
10/08/26
PD&I
Softwares da Unicamp para segurança industrial são testa...
10/08/26
PPSA
8º Leilão Spot: PPSA comercializa cargas de Búzios e de ...
10/08/26
Etanol
Etanol encerra a semana estável, com leve alta no hidratado
10/08/26
Fenasucro
Vallourec leva inovação para aumentar a eficiência das u...
07/08/26
Gás Natural
Gas release: ANP aprova relatório e abertura de consulta...
07/08/26
ANP
Fórum da ANP na Rio Innovation Week teve mais de 20 pain...
07/08/26
Remuneração aos Acionistas
Pagamento de remuneração aos acionistas de R$ 17,4 bilhõ...
07/08/26
Biometano
ANP aprova resolução sobre especificação e controle da q...
07/08/26
Resultado
Petrobras lucra R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026
07/08/26
Margem Equatorial
Firjan SENAI leva para o Amapá o programa Rede de Oportu...
07/08/26
Mobilidade Urbana
Scania e Caio lançam novo ônibus a gás/biometano Padron ...
07/08/26
Etanol
Venda de etanol em junho supera os 3 bilhões de litros
06/08/26
Bacia de Santos
Oil States assina contrato para fabricação dos Jumpers R...
06/08/26
ROG.e
MODEC é patrocinadora da ROG.e 2026
06/08/26
ANP
Seminário da ANP apresenta resultados da atividade de ex...
06/08/26
Fenasucro
Fenasucro & Agrocana: cinco motivos para não perder o pr...
06/08/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.