Energy Summit

Energy Summit 2026: arena Diálogos da Transição debate pobreza energética, previsibilidade regulatória e papel do GLP na transição

Sindigás reuniu governo, especialistas e setor privado em discussões sobre acesso à energia e os desafios do setor energético brasileiro.

Redação TN Petróleo/Assessoria Energy Summit
26/06/2026 08:43
Energy Summit 2026: arena Diálogos da Transição debate pobreza energética, previsibilidade regulatória e papel do GLP na transição Imagem: Bruno de Lima Visualizações: 97

Pobreza energética, acesso à energia, previsibilidade regulatória e transição energética estiveram no centro dos debates realizados na arena Diálogos da Transição, promovido pela Agência Eixos, durante o Energy Summit 2026, no Rio de Janeiro. Patrocinador master do espaço, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) reuniu autoridades, especialistas e representantes do setor em painéis e talk shows para discutir como o GLP pode contribuir para uma transição compatível com os desafios sociais e econômicos do Brasil.

Para o presidente do Sindigás, Sergio Bandeira de Mello, a participação da entidade em eventos como o Energy Summit é fundamental para posicionar o GLP como um energético estratégico na transição energética. "O GLP é uma opção para reduzir emissões de particulados e de carbono quando comparado a outros combustíveis fósseis. Além disso, tem papel importante na construção de uma transição energética justa e inclusiva. Quando olhamos para o fato de que a lenha ainda responde por 23% da matriz energética brasileira, fica evidente a dimensão desse desafio. Como substituto de uma fonte rudimentar que traz sérios impactos para a saúde da população, o GLP nos insere obrigatoriamente nesse debate", afirmou.

Entre os destaques da programação estiveram as discussões sobre o combate à pobreza energética, o papel do GLP para uma transição mais justa, os avanços do programa Gás do Povo e os desafios regulatórios para a atração de investimentos e expansão da infraestrutura energética.

No primeiro dia, 23, o combate à pobreza energética foi um dos principais temas debatidos na arena. Durante o painel "Gás do Povo e Pobreza Energética", Dario de Paula, representante do ministério de Minas e Energia (MME), Hugo Leal, deputado federal, e Analúcia Faggion Alonso, do ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), detalharam a evolução estratégica do antigo "Vale Gás" para uma política pública focada no acesso real ao combustível e à substituição de fontes energéticas mais precárias, como a lenha.

Com um orçamento previsto de R$ 4,7 bilhões para 2026, o programa alcançou a marca histórica de estar presente em todos os municípios do país em apenas sete meses de implementação, beneficiando 15 milhões de famílias — cerca de 50 milhões de pessoas. Durante a discussão, destacou-se a eficiência do sistema tecnológico que permite a troca direta do botijão via CPF em mais de 26 mil revendas credenciadas, com foco prioritário em mulheres (93% das beneficiárias) e na substituição de métodos de cocção perigosos por energia mais limpa que outros combustíveis rudimentares, como a lenha e carvão. Além dos resultados operacionais, como as 14 milhões de recargas já realizadas, o painel ressaltou a integração inédita entre os ministérios do Desenvolvimento Social e de Minas e Energia, a Caixa Econômica e o setor privado, bem como o lançamento da Política Nacional do Cozimento Limpo, que prevê o uso de tecnologias sustentáveis como biodigestores e o apoio a cozinhas solidárias.

Também no primeiro dia, a arena recebeu o presidente da Supergasbras, Julio Cardoso, para uma conversa sobre os desafios para ampliar o acesso à energia do Brasil. Durante o encontro, o executivo destacou a importância do Gás do Povo para ampliar o acesso à energia, comentou os avanços na construção do novo terminal de GLP no Porto do Pecém (CE) e abordou as perspectivas para o desenvolvimento de soluções de menor intensidade de carbono, como o BioGL.
 

Do acesso à energia à atração de investimentos

No segundo dia, 24, a estabilidade jurídico-regulatória esteve no centro das discussões promovidas na arena Diálogos da Transição.

No painel "A importância da estabilidade jurídico-regulatória para promover evolução energética", os especialistas Felipe Oppelt, da Prospectiva, Claudia Viegas, da Ecoa, e Alexandre Aragão, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), destacaram que a previsibilidade regulatória é condição fundamental para ampliar investimentos em infraestrutura, garantir a segurança do abastecimento e viabilizar a expansão das novas tecnologias energéticas.

Os debatedores apontaram que, após a aprovação de importantes marcos legais voltados ao mercado de carbono, hidrogênio de baixo carbono, combustíveis sustentáveis e eólicas offshore, o principal desafio passa a ser a regulamentação e a implementação desses instrumentos.

A discussão também abordou os impactos do contingenciamento de recursos das agências reguladoras e a necessidade de fortalecer a capacidade institucional dos órgãos responsáveis pela regulação do setor energético. Os especialistas defenderam processos regulatórios baseados em evidências, análises de impacto regulatório e segurança jurídica como elementos essenciais para atrair investimentos de longo prazo.

Na sequência, durante talk show com o jornalista Felipe Maciel, o presidente do Sindigás, Sergio Bandeira de Mello, destacou o papel estratégico do GLP na transição energética e no combate à pobreza energética da população vulnerável. Segundo ele, o combustível desempenha papel relevante ao substituir fontes rudimentares de energia, como a lenha, contribuindo para a redução de emissões e para a melhoria das condições de saúde das famílias.

Ao analisar o modelo de auxílio do Gás do Povo, Bandeira defendeu programas focalizados para ampliar o acesso à energia entre a população de baixa renda, argumentando que esse formato permite direcionar recursos para quem mais necessita, com maior eficiência social e menor impacto fiscal.

O debate também destacou a escala do programa, que conta com a adesão de 46% das revendas, superando, em velocidade de implementação, programas consolidados como o Farmácia Popular. A expectativa do governo é chegar a 65 milhões de recargas gratuitas por ano, um acréscimo estimado de 30 milhões de cargas (entre 5% e 8% no volume total).
 

Mercado acredita que liberação de uso do GLP pode estimular entrada no setor de geração de energia
A programação da arena Diálogos da Transição continuou nesta quinta-feira (25) com o painel "O GLP na Transição Energética: desenvolvimento sustentável, crescimento econômico e novas aplicações", reunindo Luiz Pellegrini, da Copa Energia, Alexandre Baldotto, da Supergasbras, Gustavo Gomes, da Ultragaz, e Heloísa Borges, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Dentre os tópicos abordados, os panelistas falaram sobre a liberação do uso do GLP em saunas, piscinas, caldeiras e motores de pequeno porte. "Essas proibições datam de uma época em que o GLP era subsidiado pelo governo para uso doméstico. Esse subsídio não existe mais. Hoje, o GLP oferece uma série de vantagens para aplicações industriais quando comparado a combustíveis mais pesados, como maior precisão no controle da temperatura, composição homogênea, alto poder calorífico, menor emissão de poluentes e ampla disponibilidade", afirma Heloisa.
 

A agenda também incluiu um talk show com Marcos Mesquita, da Copa Energia.
Ao longo dos dias do Energy Summit 2026, os debates promovidos pelo Sindigás reforçaram a importância de combinar inclusão energética, segurança do abastecimento e um ambiente regulatório capaz de estimular investimentos de longo prazo.

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