Combustíveis

Empresas brasileiras miram mercado espanhol de biodiesel

Agência Reuters
24/05/2012 12:19
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Investidores brasileiros estão prospectando aquisições no deprimido setor espanhol de biodiesel, um mercado de mais de US$ 900 milhões por ano, que se tornou ainda mais atraente desde que o país europeu suspendeu suas importações da Argentina.

Fontes setoriais disseram à 'Reuters' que pelo menos um grupo brasileiro de soja está negociando a compra de uma usina de biocombustíveis na Espanha, que impôs restrições ao produto argentino devido à recente nacionalização da empresa petrolífera YPF, que antes pertencia à espanhola Repsol.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja, mas seu setor de biodiesel está superdimensionado, com uma capacidade ociosa superior a 50%, o que leva as empresas do setor a buscarem agressivamente outros mercados.

"“Existem operações para serem feitas com usinas às quais serão alimentadas com matéria-prima do Brasil", disse à 'Reuters' um diplomata espanhol que não quis identificar as empresas interessadas, para não atrapalhar as negociações.

“É um movimento natural: a Espanha está barata, existe demanda para a mistura (de biodiesel ao diesel mineral), e não se pode importar biodiesel", acrescentou a fonte.

Um empresário brasileiro a par das negociações disse que a aquisição está “"ganhando impulso", e que pode servir de referência para outros investidores.

A Espanha suspendeu em abril as importações de biodiesel em represália à Argentina, seu principal fornecedor, que vendeu no ano passado cerca de US$ 900 milhões do produto.

Durante os próximos dois anos, a Espanha só irá comprar biodiesel produzido na União Europeia, numa tentativa de reanimar um setor que opera com apenas 14% da sua capacidade, em meio à pior crise econômica do país em várias décadas.

A pergunta, dizem os empresários espanhóis, é quantas usinas terão musculatura financeira para aproveitar a oportunidade. Alguns acham que apenas 25%.

"“Para as companhias atualmente paradas não será fácil iniciar as usinas nem obter os € 30 ou 40 milhões (US$ 40 ou 52 milhões) necessários para operá-las", disse Javier Vila, gerente para a Espanha da Vital, subsidiária da Petrotec, empresa alemã que fabrica biodiesel a partir de resíduos.

“"Para uma companhia brasileira que aporte financiamento na forma de óleo de soja, ocupar posições na Espanha neste momento poderia fazer sentido", acrescentou.

Embora isso não abra automaticamente as portas para o biodiesel brasileiro, tornará atraentes os investimentos num mercado que importa mais de 70% do biocombustível necessário para cumprir uma norma europeia que prevê 7% de diluição desse produto no diesel derivado do petróleo.

"“Se pudermos atender ao mercado da Espanha e da Europa, ter uma usina lá seria interessante", disse Mateus Henrique Andrich, diretor industrial da Olfar, fábrica brasileira com capacidade para produzir 200 milhões de litros de biodiesel por ano.

Oportunidades de aquisição não faltam, pois a maioria das 50 usinas espanholas de biodiesel fechou nos últimos anos, por causa da avalanche de importações subsidiadas.

A compra de ativos na Espanha se encaixa na estratégia de longo prazo da indústria brasileira de abrir mercados para o seu biodiesel à base de soja.

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de biodiesel, atrás da Argentina e EUA. No ano passado, produziu 2,5 bilhões de litros, usando apenas 45% da sua capacidade instalada.

"“Esse problema com a Argentina criou uma oportunidade para que o Brasil se converta em um dos fornecedores de biodiesel para o mercado espanhol e europeu", disse à 'Reuters' o presidente da Associação de Produtores de Biodiesel, Erasmo Battistella.

“O Brasil está preparado para substituir a Argentina. "Temos uma indústria instalada e disponibilidade de matéria-prima", acrescentou o empresário.

Fabricar biodiesel na Espanha permitirá também que as empresas brasileiras integrassem suas exportações de soja na direção desse mercado. Tais exportações já cresceram 61% em 2011, alcançando US$ 1,19 bilhão.
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