Combustíveis

Defasagem no parque de refino estimula importação

Sem novas refinarias, país terá que importar 35% dos derivados.

Valor Econômico
25/09/2012 10:13
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Não vai ser fácil adequar o parque nacional de refino de petróleo às necessidades atuais e futuras do país. O crescimento da demanda por derivados superou a média mundial depois que o Brasil se tornou um dos redutos de expansão econômica apoiado pelo consumo interno da classe média. Entre 2000 e 2011, o mercado local de gasolina cresceu 40%, contra os 15% globais. No diesel, os índices ficaram em 43% e 29%, respectivamente. Na produção de óleo o descompasso foi ainda mais gritante, com o Brasil saltando 73% - no mundo, foram só 12%.
Em refino, porém, a coisa anda devagar. O último investimento feito por aqui no setor foi nos anos 80. Embora em meados da década passada grandes projetos tenham sido colocados em movimento pela Petrobras, responsável hoje pelo processamento de 2 milhões dos 2,2 milhões de barris diários demandados no país, nenhuma gota sequer foi produzida até agora pelos quatro megaprojetos em curso - Abreu e Lima, em Pernambuco; Comperj, no Rio de Janeiro; Premium I, no Maranhão; e Premium II, no Ceará - por causa de um conjunto de fatores que incluem de mudanças no cenário mundial à descoberta do pré-sal, além de pouca prática em planejamento e execução de obras similares.
Apesar de investimentos maciços, o resultado foram adiamentos sucessivos e a necessidade de reavaliações espinhosas, além do aumento da importação de derivados. A importação de gasolina no primeiro semestre ficou em 66 mil barris diários e a de diesel, em 181 mil, apesar dos ganhos gerados por melhorias no parque. No detalhamento do Plano de Negócios do setor para o período 2012-2016, o diretor de abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, observou que melhorias nas 12 refinarias em operação no país resultaram no processamento de 61 mil barris diários a mais no primeiro semestre, em comparação ao mesmo período do ano passado, além do recorde no FUT (fator de utilização do parque de refino), o que acrescentou perto de 83 mil barris de diesel, gasolina e querosene de aviação a mais por dia.
"Importamos até 25% do diesel que a gente consome", observa Armando Guedes Coelho, da Energia do Rio e ex-presidente da Petrobras. Com a entrada em operação de dois dos megaprojetos em curso - Abreu e Lima, ou Rnest, e o primeiro trem (como é chamada a linha de produção completa) do Comperj - prevista para daqui a dois anos somando mais 400 mil barris à capacidade atual, a expectativa da Petrobras é que as importações de diesel alcancem 280 mil barris por dia em 2014, caindo para entre 100 e 120 mil em 2016, com a média para gasolina mantida em cerca de 90 mil barris ao longo deste período. "Sem as novas refinarias, o Brasil chegaria a 2030 importando 35% dos derivados consumidos no país", disse a presidente da Petrobras, Graça Foster, em audiência no Senado.
Em Pernambuco, a capacidade de processamento chegará a 230 mil barris diários e 62% das atividades físicas estão completas. O nó é a sociedade com a PDVSA. O projeto nasceu antes das descobertas do óleo leve do pré-sal e visava processar o óleo pesado da Bacia de Campos e o super pesado da Venezuela, cujo prazo para apresentar garantias ao empréstimo feito com o BNDES já foi prorrogado várias vezes, vence em novembro e deve ser esticado de novo. "Se fosse processar óleo leve o custo cairia de perto de US$ 18 bilhões para US$ 3 ou US$ 4 bilhões", diz Coelho. "O projeto perdeu razão de ser com o pré-sal".

Não vai ser fácil adequar o parque nacional de refino de petróleo às necessidades atuais e futuras do país. O crescimento da demanda por derivados superou a média mundial depois que o Brasil se tornou um dos redutos de expansão econômica apoiado pelo consumo interno da classe média. Entre 2000 e 2011, o mercado local de gasolina cresceu 40%, contra os 15% globais. No diesel, os índices ficaram em 43% e 29%, respectivamente. Na produção de óleo o descompasso foi ainda mais gritante, com o Brasil saltando 73% - no mundo, foram só 12%.


Em refino, porém, a coisa anda devagar. O último investimento feito por aqui no setor foi nos anos 80. Embora em meados da década passada grandes projetos tenham sido colocados em movimento pela Petrobras, responsável hoje pelo processamento de 2 milhões dos 2,2 milhões de barris diários demandados no país, nenhuma gota sequer foi produzida até agora pelos quatro megaprojetos em curso - Abreu e Lima, em Pernambuco; Comperj, no Rio de Janeiro; Premium I, no Maranhão; e Premium II, no Ceará - por causa de um conjunto de fatores que incluem de mudanças no cenário mundial à descoberta do pré-sal, além de pouca prática em planejamento e execução de obras similares.


Apesar de investimentos maciços, o resultado foram adiamentos sucessivos e a necessidade de reavaliações espinhosas, além do aumento da importação de derivados. A importação de gasolina no primeiro semestre ficou em 66 mil barris diários e a de diesel, em 181 mil, apesar dos ganhos gerados por melhorias no parque. No detalhamento do Plano de Negócios do setor para o período 2012-2016, o diretor de abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, observou que melhorias nas 12 refinarias em operação no país resultaram no processamento de 61 mil barris diários a mais no primeiro semestre, em comparação ao mesmo período do ano passado, além do recorde no FUT (fator de utilização do parque de refino), o que acrescentou perto de 83 mil barris de diesel, gasolina e querosene de aviação a mais por dia.


"Importamos até 25% do diesel que a gente consome", observa Armando Guedes Coelho, da Energia do Rio e ex-presidente da Petrobras. Com a entrada em operação de dois dos megaprojetos em curso - Abreu e Lima, ou Rnest, e o primeiro trem (como é chamada a linha de produção completa) do Comperj - prevista para daqui a dois anos somando mais 400 mil barris à capacidade atual, a expectativa da Petrobras é que as importações de diesel alcancem 280 mil barris por dia em 2014, caindo para entre 100 e 120 mil em 2016, com a média para gasolina mantida em cerca de 90 mil barris ao longo deste período. "Sem as novas refinarias, o Brasil chegaria a 2030 importando 35% dos derivados consumidos no país", disse a presidente da Petrobras, Graça Foster, em audiência no Senado.


Em Pernambuco, a capacidade de processamento chegará a 230 mil barris diários e 62% das atividades físicas estão completas. O nó é a sociedade com a PDVSA. O projeto nasceu antes das descobertas do óleo leve do pré-sal e visava processar o óleo pesado da Bacia de Campos e o super pesado da Venezuela, cujo prazo para apresentar garantias ao empréstimo feito com o BNDES já foi prorrogado várias vezes, vence em novembro e deve ser esticado de novo. "Se fosse processar óleo leve o custo cairia de perto de US$ 18 bilhões para US$ 3 ou US$ 4 bilhões", diz Coelho. "O projeto perdeu razão de ser com o pré-sal".

 

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