Indústria Naval

Crise não impede crescimento da indústria naval brasileira

Jornal do Commercio
08/04/2009 04:33
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Apesar de temer atrasos nas encomendas da Petrobras, o que poderia prejudicar seus planos de expansão, a indústria naval brasileira passa ao largo da crise internacional, atendendo a encomendas anteriores não só para a estatal como também para outras empresas do setor que estão se instalando no Brasil.

Além de plataformas e grandes navios petroleiros, que ocupam os principais estaleiros do País, os pequenos construtores estão com os espaços tomados com obras para a construção de embarcações de apoio. De 2000 para cá, quando o número desses barcos de apoio construídos no País caiu de 110 para 43 após a abertura do mercado nacional para frotas estrangeiras, foram construídas 80 novas unidades, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Apoio Marítimo.

O presidente da associação e vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), Ronaldo Lima, lembra que, além das encomendas da Petrobras, também têm contribuído para o setor as contratações de empresas como a Devon e a Statoil, que estão começando a operar no Brasil.

As encomendas promissoras para um futuro próximo já fizeram com que Lima, assim como outros donos de estaleiros como o seu, o ex-Ebin, hoje Aliança, garantisse junto ao Fundo de Marinha Mercante um crédito pré-aprovado.

No caso do Aliança, o crédito é de US$ 850 milhões, prevendo a construção de 20 navios de apoio (distribuídos entre os lotes da Petrobras ainda por serem lançados) e mais a ampliação do estaleiro. "É um setor que tem demanda, tem crédito, portanto, não tem como não andar para adiante", disse.



Os navios são financiados, em até 90%, pelo FMM, fundo governamental, e conta com aporte de recursos do orçamento federal, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).



CRÉDITO. A disponibilidade de crédito neste segmento é realmente um dos pontos que mais atrai os investidores. Em todo o mundo o setor foi um dos menos atingidos: de 9,5 mil projetos que estavam em carteira em setembro do ano passado, quando a crise mundial ganhou maiores proporções, apenas 36 foram cancelados e nenhum deles no Brasil.



No País, os cerca de 2 mil empregados em 2002 já somam 40 mil em 2009 e, segundo projeções do Sindicato Nacional da Indústria Naval, pode chegar a 48 mil ou até a 50 mil até o fim de 2010, se confirmadas as encomendas da Petrobras.



"O Brasil já ocupa o sexto lugar no ranking internacional da indústria naval, estamos entre os primeiros no ritmo de encomendas. E isso só tende a crescer", disse o presidente da Transpetro, Sérgio Machado.



Hoje, o Brasil conta com 26 estaleiros, sendo que o Atlântico Sul, no município de Ipojuca - complexo portuário de Suape (PE) - é o maior do hemisfério sul. Quatro estaleiros brasileiros estão investindo na ampliação: Alliança e MacLaren Oil (RJ), Wilson Sons (SP) e Rio Grande (RS).



estaleiros. Três novos estão em processo de implantação: Jurong (ES), STX Brasil Offshore (ex-Aker Yards) (RJ) e o Estaleiro da Bahia (BA). Além disso, há rumores de um estaleiro no Maranhão, outro no Ceará e ainda um investimento do empresário Eike Batista em estaleiro no Norte Fluminense.



"Estão surgindo oportunidades e é bem provável que isso se torne realidade nos próximos anos, já que a demanda por embarcações será grande", comentou o ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, que está avaliando um estudo para um novo plano de dragagem, desta vez em frente a Niterói (RJ), atendendo à demanda por novas construções e mesmo ampliação da capacidade dos estaleiros.

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