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Conta petróleo gera déficit de US$ 13,4 bilhões em 2008

Valor Econômico
08/01/2009 02:30
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O Brasil gastou US$ 31,466 bilhões com importações de petróleo e derivados, entre janeiro e dezembro do ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento. O resultado é US$ 11,398 bilhões maior que o registrado entre janeiro e dezembro de 2007, que foram de US$ 20,068 bilhões. Deduzidas as exportações de petróleo bruto, óleos combustíveis e gasolina, que renderam US$ 18,071 bilhões, a conta de petróleo e combustíveis brasileira apresentou saldo negativo de US$ 13,395 bilhões em 2008. O déficit ocorreu mesmo com as exportações, em valor, terem ficado US$ 5 bilhões acima das de 2007.

 

Os gastos de US$ 31,466 bilhões são 57,3% superiores aos US$ 20,068 bilhões de 2007. Grande parte do resultado se deveu ao aumento dos gastos com importações de petróleo bruto, que saltaram de US$ 11,976 bilhões em 2007 para US$ 16,391 bilhões em 2008, um aumento de 36,8% de um ano para o outro. Ilan Goldfajn, da Ciano Consultoria, chama a atenção para o fato de o déficit ser equivalente a 45% do saldo da balança comercial brasileira em 2008, que foi de US$ 24,7 bilhões.

 

O responsável pela deterioração dos números foi, em grande parte, o aumento de preço do petróleo no mercado internacional. O fato de a produção de petróleo não ter reagido como era esperado pelo mercado também contribuiu. Com menos óleo pesado para exportar, o país sentiu mais o impacto das importações de petróleo mais leve e caro, tudo isso acrescido da necessidade de aumentar as importações devido ao "boom" de consumo de diesel e outros insumos, como a nafta petroquímica pela indústria e para a geração de eletricidade.

 

A Petrobras se defende com dois argumentos: diz que não podem ser imputados a ela todas as importações realizadas por companhias privadas como as petroquímicas, além de mostrar números que apontam para um pequeno aumento, em volume, da produção nacional de petróleo comparada ao consumo de combustíveis.

 

O gerente-executivo de refino da estatal, José Carlos Cosenza, cita dados da produção nacional de petróleo em 2007, de 1,833 milhão de barris por dia, maiores que o consumo de 1,728 milhão de barris/dia, assim como superior à capacidade de processamento do parque de refino nacional.

 

Em 2008 a produção continua no mesmo nível: 1,845 milhão de barris/dia, maior que o consumo de derivados. "Os efeitos não se comparam aos verificados no primeiro choque do petróleo, quando o país não produzia quase nada", observa Cosenza.

 

Para a Petrobras, os números demonstram que existe superávit volumétrico. Em 2007 era de 62 mil barris/dia, e em 2008 aumentou para uma média de 105 mil barris/dia. O economista Ilan Goldfajn prefere considerar o resultado da produção e do consumo sobre a balança comercial .

 

Cosenza diz que a companhia ainda não fechou a contabilização de seu comércio em 2008 e por isso só dispõe dos números em volumes, mas não em dólares. "Mas estamos produzindo mais petróleo do que o consumo de derivados, e isso é inegável. Para 2009 temos o desafio de adaptar nosso parque de refino para produzir internamente mais diesel com baixo teor de enxofre (o diesel 50) e reduzir importações", disse o executivo.

 

O economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, observa que já é possível notar a redução do consumo de combustíveis pelo setor industrial, o que já se reflete também no mercado de gás natural. "Olhando por esse ângulo, a própria crise econômica vai ajudar a melhorar a balança", ressalta o economista Pires, lembrando que os preços de hoje são menores.

 

Cosenza, da Petrobras, também diz que é inegável uma redução do mercado interno para os combustíveis produzidos pela companhia, o que deve resultar em aumento das exportações de petróleo. Ao mesmo tempo é de se esperar uma redução das importações de combustíveis como o óleo diesel usado pelas usinas termelétricas que, ao que tudo indica, deverão passar 2009 desligadas.

 

Os dados completos da balança comercial, com a consolidação e detalhamento dos números de dezembro, serão divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, no dia 15, em Brasília.

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