Projeto pioneiro no pré-sal avaliará a interligação elétrica de cinco plataformas offshore criando o primeiro GRID offshore brasileiro.
Redação TN Petróleo/Assessoria Cepel
Em uma iniciativa inédita no Brasil, pela escala, complexidade técnica e número de unidades envolvidas, o consórcio de Libra liderado pela Petrobras, responsável pela operação do Campo de Mero, localizado no pré-sal da Bacia de Santos, assinou contrato com o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) para o desenvolvimento do projeto Power Grid. O contrato, com duração prevista de dois anos, é fruto de um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) realizado anteriormente entre o Cenpes e o Cepel, objetivando nesta etapa a realização de estudos técnicos e econômicos voltados à interligação elétrica de até cinco plataformas offshore (FPSOs).
O campo de Mero é operado pela Petrobras, em parceria com Shell Brasil, TotalEnergies, CNPC, CNOOC e a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), que representa a União no Contrato de Partilha de Produção de Libra e na área adjacente do campo. O projeto Power Grid irá atender às demandas desse consórcio, estabelecendo uma base técnica inédita para a avaliação de novos modelos de operação elétrica integrada em ambientes offshore de alta complexidade.
O principal objetivo é fornecer uma ampla avaliação da viabilidade técnica e operacional de um sistema elétrico offshore interligado, capaz de permitir o compartilhamento de energia entre até cinco plataformas de produção de óleo e gás do tipo FPSO (Floating, Production, Storage and Offloading), com otimização da geração instalada, possibilidade de ampliação da demanda com adição de novos equipamentos e a redução do consumo de combustíveis fósseis nas operações marítimas.
Atualmente, as plataformas offshore operam de forma elétrica isolada, com geração própria baseada principalmente em turbinas a gás. Os estudos do Power Grid irão analisar como a interligação por cabos submarinos pode permitir o aproveitamento mais eficiente da energia disponível entre as cinco unidades, aumentando a confiabilidade do sistema elétrico, reduzindo custos operacionais e criando condições para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa.
"A interconexão entre plataformas de produção Offshore (FPSO) com fontes de energias renováveis, como eólicas e hidroelétricas, é uma tendência mundial para reduzir as emissões da indústria de óleo e gás. O Cepel, com sua experiência no desenvolvimento e na operação do Sistema Elétrico Interligado Nacional, consegue acelerar a adoção desta inovação no contexto marítimo, fortalecendo a engenharia nacional e ampliando a competitividade do setor de óleo e gás brasileiro", destaca Alexandre Orth (foto), diretor-geral do Cepel.
Escopo técnico e etapas do projeto
O projeto Power Grid contempla um conjunto abrangente de estudos, que serão desenvolvidos ao longo do contrato, incluindo:
Além de atender às necessidades específicas da Petrobras e das demais empresas do consórcio de Libra, o projeto também estabelece uma base técnica replicável, que poderá ser aplicada a outras operações offshore no Brasil e no exterior, como uma futura conexão destas cargas ao SIN.
"Estamos construindo um futuro em que a nossa produção é cada vez mais eficiente e sustentável. A eletrificação dos nossos sistemas com a interligação elétrica de nossas plataformas é um passo importante nessa direção. Com o Cepel ao nosso lado, na vanguarda da inovação, estaremos na liderança e plenamente preparados para um mercado que valoriza a energia limpa e a redução da pegada de carbono.", diz Vinícius Machado, Gerente de Aplicações do Consórcio de Libra.
Sobre o Cepel
Fundado em 1974 pelas empresas do grupo AXIA Energia, o Cepel está entre as principais instituições de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica do setor elétrico brasileiro. O Centro atua como uma plataforma de soluções voltada aos desafios do setor de energia elétrica, sendo referência nacional e internacional em temas como planejamento energético, modelagem de sistemas, integração de fontes renováveis, gestão de ativos, controle e automação da operação.
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