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Chineses e russos são candidatos aos ativos de óleo e gás da Vale

Valor Econômico
05/01/2012 11:57
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A Vale ainda não definiu sua estratégia de venda dos ativos de óleo e gás, e o mercado já dá como certa a participação de empresas chinesas e russas na disputa. As chinesas Sinopec e Sinochem e a anglo-russa TNK-BP já deram mostras de seu interesse ao se tornarem sócias da Repsol, Galp, Statoil e de HRT no Brasil. No momento, informa uma fonte, a Vale está aprofundando seu conhecimento sobre o resultado exploratório dos blocos que compõe seu portfólio antes de formalizar sua decisão de vender esses ativos.

Fontes do mercado a par dos planos da mineradora dizem que ainda não há clareza sobre como será conduzida a venda dessas participações. A empresa ainda estaria com dúvida sobre a melhor maneira de turbinar os ganhos e por isso não sabe se venderá todos os ativos reunidos na Vale Exploração e Produção de Gás Natural (ligada à diretoria de Energia), ou se serão oferecidos separadamente. Qualquer que seja o modelo, a decisão não surpreendeu o mercado, para quem a companhia estava diversificando demais seu foco de atuação.

"Certamente é um ajuste importante em relação ao que o Roger imaginava para ultrapassar a BHP-Billiton, que é maior do que a Vale por conta do óleo e gás", diz um observador, em referência ao ex-presidente da Vale, Roger Agnelli.

A mineradora não informa quanto custou até agora sua investida na área de exploração de gás, seu principal foco. Esse valor será levado em conta quando ela precificar as áreas durante o processo de oferta. Por ora, só é possível saber alguns valores passados, mencionados por Agnelli, durante entrevista na Petrobras em 2009. Ao anunciar a aquisição, pela Vale, de participação acionária em três blocos da estatal, Agnelli mencionou que o orçamento da Vale para explorar gás tinha sido de US$ 60 milhões em 2008, cifra que poderia chegar a US$ 260 milhões naquele ano (2009). A estratégia da empresa era a de produzir gás para consumo próprio e geração de energia termelétrica, reduzindo custo do insumo e, consequentemente, seus custos. Pelos balanços da companhia não é possível saber se Agnelli teve sucesso em reduzir custos, já que eles não discriminam investimentos em óleo e gás, publicados na rubrica energia, que inclui investimentos em geração.

A Vale entrou no segmento de óleo e gás em 2007, na 9ª rodada, visando exploração de gás para consumo próprio em suas instalações industriais e para geração de energia elétrica. Chegou a ter participação acionária em 29 blocos exploratórios e hoje é concessionária de 18 áreas.

Em 2008, a companhia pagou R$ 15 milhões pela Petroleum Geoscience Technology (PGT), empresa brasileira que nasceu na incubadora da Coppe/UFRJ para análise e interpretação de dados de bacias petrolíferas e se tornou a semente da Vale Exploração. Posteriormente, adquiriu participações em áreas já em estágio avançado de exploração por outras petroleiras, como o BM-S-4, da italiana Eni Oil do Brasil na bacia de Santos, no fez um "farm-in" comprando 50%. Esse bloco foi adquirido na 1ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em 1999, parecia uma grande promessa para produção de gás mas ele foi devolvido à agência em maio de 2010.

O baixo resultado da estratégia da Vale no setor tem sido notado. Alguns avaliadores acreditam que a empresa se cercou de pessoas sem grande histórico no setor. A companhia informa cinco descobertas de gás nas bacias de Santos e Espírito Santo nas áreas onde é sócia, resultado da perfuração de 14 poços. Mas não é possível determinar reservas.

Nesse negócio, é sócia da Shell, Petrobras, BP, Ecopetrol e Woodside. Não é operadora de nenhum bloco. As últimas aquisições foram as participações acionárias de 12,5% no BM-S-48 e BM-S-55, operados pela RepsolSinopec. Enquanto o mercado menciona chances de o BM-S-55 estar prestes a ser devolvido, no BM-S-48 foram descobertos os reservatórios de Vampira e Panoramix na bacia de Santos. Por isso, o valor dos ativos de óleo e gás que serão oferecidos ao mercado ainda depende de avaliação.

A guinada da Vale para fora do setor de óleo e gás pode ser explicada pela necessidade de fortalecer seu caixa para tocar investimentos pesados em projetos de mineração, prioridade da sua atuação. Somente o projeto Serra Sul, no sul do Pará, na província mineral de Carajás, que deverá ter licença prévia neste trimestre, é um investimento de US$ 8 bilhões para produzir 90 milhões de toneladas de minério de ferro a partir de 2016. Uma ampliação adicional de Carajás vai custar US$ 2,9 bilhões. A ampliação do projeto de carvão de Moatize, em Moçambique, vai exigir mais US$ 2 bilhões, conforme dados da companhia.

Para a Vale, o momento é bom para vender blocos de petróleo, considerando a escassez de novas áreas em oferta no país, após quatro anos sem oferta de áreas marítimas pela ANP. A mineradora deve competir por compradores com a Anadarko. A companhia independente americana já pôs à venda áreas com descobertas no pré e no pós-sal, como Wahoo, Itaúna e Itaipu, na bacia de Campos.
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