PD&I

CEPETRO e Universidade Tecnológica da PETRONAS desenvolvem modelos para prever e mitigar problemas de injeção de CO₂ em reservatórios

Projeto financiado pela PETRONAS investiga fenômenos próximos ao poço e busca maior eficiência em operações de CCUS e recuperação avançada.

Redação TN Petróleo/Assessoria CEPETRO
19/01/2026 15:56
CEPETRO e Universidade Tecnológica da PETRONAS desenvolvem modelos para prever e mitigar problemas de injeção de CO₂ em reservatórios Imagem: Divulgação Visualizações: 1796

Um projeto conjunto entre o Laboratório de Mecânica Computacional (LabMeC), associado ao Centro de Estudos de Energia e Petróleo (CEPETRO) da Unicamp, e a Universidade Tecnológica da PETRONAS (UTP), na Malásia, está desenvolvendo modelos numéricos de alta precisão para prever e mitigar problemas operacionais durante a injeção de dióxido de carbono (CO₂) em reservatórios subterrâneos.

A iniciativa, com duração de dois anos e financiada pela PETRONAS Brasil, por meio de investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) alinhados com as normas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), combina a experiência do LabMeC em mecânica computacional com o know-how experimental da UTP em CO₂. O projeto é coordenado pelo professor Philippe Devloo e tem como co-coordenadores os professores Thiago Dias dos Santos, Nathan Shauer e Gustavo Henrique Siqueira.

O objetivo central é compreender, modelar e propor soluções para fenômenos que ocorrem na região próxima ao poço, como a precipitação de sais e a formação de hidratos, que podem reduzir a injetividade e comprometer a eficiência das operações — seja em projetos de armazenamento geológico de carbono (CCUS) ou em recuperação avançada de petróleo.

"Trabalhamos para transformar a experiência acumulada pelo LabMeC em mecânica computacional em uma ferramenta capaz de dar respostas confiáveis para problemas complexos de injeção de CO₂. O ganho para a indústria é poder antecipar riscos e otimizar operações a partir de simulações calibradas com dados reais", afirma Philippe Devloo, coordenador do projeto.

Segundo o professor Thiago Dias dos Santos, o diferencial está no uso de simulações numéricas avançadas para prever taxas de injeção e perdas de injetividade com maior eficiência e acurácia. "Operar com CO₂ em reservatórios não é apenas uma questão de engenharia de superfície. Perto do poço, reações químicas e mudanças de fase podem alterar drasticamente a permeabilidade da rocha. Nosso objetivo é antecipar esses efeitos e oferecer critérios mais seguros para a tomada de decisão em campo."

Os modelos serão calibrados com dados experimentais fornecidos pela equipe do professor Muhammad Aslam Bin Md Yusof, da UTP, que já conduziu diversos estudos sobre CO₂. A colaboração prevê trocas frequentes de dados e visitas presenciais para alinhamento técnico.

Para o professor Nathan Shauer, a parceria com a UTP é estratégica para avançar rapidamente. "Temos grande domínio das técnicas de modelagem e simulação, mas o sucesso do projeto depende de dados experimentais de alta qualidade. Essa integração entre modelagem numérica e experimentação é o que garante previsões robustas."

A iniciativa também fortalece a colaboração entre dois países do Sul Global, Brasil e Malásia, ao promover trocas técnicas eficazes e compartilhamento de conhecimento. A parceria incentiva o crescimento mútuo em tecnologias avançadas de energia e reforça a importância da cooperação internacional para soluções sustentáveis.

Nesse contexto, no dia 1º de agosto de 2025, pesquisadores da UTP — Muhammad Aslam Bin Md Yusof (Aslam), Dzeti Farhah Binti Mohshim (Dzeti) e Muhammad Noor Amin Bin Zakariah (Amin) — visitaram a Unicamp para estreitar a cooperação e alinhar os próximos passos do projeto. A reunião contou ainda com Jonas Castro, Head de PD&I da PETRONAS Brasil.

Entre os avanços acordados, está a decisão de iniciar os estudos com arenitos, menos complexos de modelar, antes de avançar para rochas carbonáticas. Também foram definidos planos para workshops e novas visitas, visando manter o alinhamento contínuo.

O projeto envolve quatro professores, um pós-doutorando, quatro mestrandos e quatro alunos de iniciação científica pela Unicamp, além de três professores da UTP, reforçando o caráter multidisciplinar e internacional da pesquisa.
 

Sobre o CEPETRO: O Centro de Estudos de Energia e Petróleo (CEPETRO) é um centro de pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com mais de 35 anos de história, focado em petróleo, gás, energias renováveis e transição energética. Instalado, atualmente, em cinco prédios com mais de 5 mil metros quadrados de área, possui dez laboratórios próprios e conta com mais de 350 pesquisadores. Além de executar projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D), o CEPETRO presta serviços técnicos e de consultoria, forma recursos humanos altamente qualificados e promove a disseminação do conhecimento. Seus projetos de P&D são financiados por empresas, fundações e agências governamentais de fomento à pesquisa. O CEPETRO é um dos maiores captadores de recursos via cláusula de PD&I da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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