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No Seminário LIDE, Roberto Ardenghy defendeu visão estratégica para o país diante das tensões geopolíticas e a relevância do petróleo na transição energética.
Assessoria IBP
O Brasil tem condições de ampliar seu protagonismo como fornecedor global de energia em um cenário internacional marcado por conflitos, insegurança logística e necessidade de diversificação de fontes. A avaliação foi feita nesta manhã pelo presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy, durante o Seminário LIDE de Energia.
Em sua participação, Ardenghy afirmou que a geopolítica mundial impõe novos desafios ao abastecimento energético, mas também abre oportunidades para países com reservas, capacidade produtiva e matriz diversificada, como o Brasil. Segundo ele, o petróleo seguirá relevante na economia global nas próximas décadas, mesmo em meio ao avanço da transição energética.
"O petróleo vai continuar muito importante, vai continuar relevante na economia mundial", afirmou Ardenghy. Ele destacou que cerca de 80% da energia primária do mundo ainda vem do carvão, do petróleo e do gás natural, o que torna a transição energética um processo longo, complexo e sujeito a impactos econômicos e sociais.
O presidente do IBP defendeu que o debate climático e a segurança energética avancem de forma integrada. Segundo ele, o setor de óleo e gás já reúne condições para produzir petróleo com baixa emissão de gases de efeito estufa, especialmente CO₂, ao mesmo tempo em que contribui para o abastecimento do mercado global.
Ardenghy lembrou que o petróleo tem figurado entre os principais produtos exportados pelo Brasil nos últimos dois anos e deve manter essa posição em 2026. Ele também ressaltou que os 200 associados do IBP, entidade que completa 70 anos, participam diretamente desse esforço de produção de energia relevante para a economia nacional e para o mercado internacional.
Durante o seminário, o executivo citou a tensão no Oriente Médio e os riscos envolvendo o Estreito de Ormuz, mas ponderou que o setor global de óleo e gás tem histórico de resiliência diante de crises. Ardenghy mencionou episódios como as guerras mundiais, o furacão Katrina, a guerra Irã-Iraque e a pandemia para reforçar que a indústria aprendeu a operar em contextos de grande instabilidade.
Segundo ele, além de estoques estratégicos relevantes, o mundo conta com rotas logísticas alternativas e redes de oleodutos capazes de reduzir parcialmente a dependência de áreas críticas. Ardenghy citou, por exemplo, que a China acumulou cerca de 1,4 bilhão de barris em reservas estratégicas de petróleo, volume superior ao dos Estados Unidos, tradicionalmente o maior detentor desse tipo de estoque.
O presidente do IBP também destacou que há alternativas de oferta fora do Oriente Médio, incluindo Venezuela, Estados Unidos, África, Rússia, Noruega e Brasil. Ele mencionou que a Venezuela passou de cerca de 700 mil barris por dia há seis meses para aproximadamente 1,3 milhão de barris por dia, enquanto os Estados Unidos produzem cerca de 17 milhões de barris por dia, dos quais 13 milhões vêm de reservas não convencionais, como o shale.
Para Ardenghy, o Brasil precisa "fazer o dever de casa" para se posicionar melhor nesse contexto. Um dos pontos citados foi a necessidade de avançar em licenciamento e segurança regulatória para novas fronteiras exploratórias, como a Margem Equatorial. O presidente do IBP afirmou que o país poderia estar em situação diferente caso tivesse conseguido perfurar o primeiro poço na região há sete anos.
Ele também defendeu que o Brasil avalie com responsabilidade o potencial dos recursos não convencionais. Ardenghy comparou a experiência brasileira com a de países vizinhos, citando a Argentina, que produz cerca de 1 milhão de barris de petróleo e gás equivalente com uso de fraturamento hidráulico. Segundo ele, trata-se de uma tecnologia dominada, segura e utilizada há mais de 50 anos, mas que ainda enfrenta entraves ambientais e de licenciamento no Brasil.
Além do petróleo e do gás, Ardenghy reforçou a posição privilegiada do país em biocombustíveis. Ele citou o biodiesel, o diesel verde, o etanol de primeira e segunda geração, o etanol de milho e de cana-de-açúcar, o combustível sustentável de aviação e o bunker renovável como exemplos de rotas nas quais o Brasil pode ganhar escala global. Para ele, a abundância de biomassa, matéria orgânica e óleo vegetal coloca o país em vantagem competitiva.
Algumas empresas associadas ao IBP também participaram do Seminário LIDE Energia. A Equinor foi representada por Letícia Andrade, vice-presidente de Exploração e Produção Internacional da Equinor Brasil, que participou do painel sobre a indústria brasileira de petróleo e gás, novos mercados e fronteiras exploratórias e tecnológicas, destacando a presença de 25 anos da companhia no país, investimentos e compromissos de US$ 25 bilhões entre 2009 e 2030 e o papel estratégico do Brasil no portfólio global da empresa, com atuação em petróleo, gás, energia solar, eólica e projetos híbridos.
Já a Shell foi representada por Rodrigo Soares, presidente da Shell Energy, no painel sobre transição e futuro, reorganização do mercado, descarbonização, eletrificação e hidrogênio verde. Em sua apresentação, Soares ressaltou os 113 anos da Shell no Brasil, o marco recente de 500 mil barris de óleo equivalente por dia e a atuação da Shell Energy, criada em 2017 para comercialização de energia elétrica e ampliada a partir da abertura do mercado de gás em 2021, reforçando a visão integrada da companhia para geração de valor e transição energética.
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