Financiamento

BNDES reduz restrições para financiar PDVSA

Valor Econômico
06/01/2011 09:16
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O governo da Venezuela removeu as "dificuldades técnicas" que o impediam de participar no financiamento da construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e deve concretizar essa participação "nas próximas semanas", garantiu ao Valoro embaixador venezuelano no Brasil, Maximilien Arvelaiz. A questão técnica, informou ele, foi resolvida com a decisão do BNDES de aceitar, como garantia pelo financiamento do banco à estatal venezuelana PDVSA, cartas de fiança bancária com prazo de cinco anos, renováveis. O banco vinha exigindo garantias com prazo de 20 anos, como apresentadas pelas Petrobras. Como se prevê para 2012 a entrada em funcionamento da refinaria, após cinco anos a própria produção facilitará a concessão de novas garantias pelo governo venezuelano, segundo argumentaram executivos da PDVSA que, em dezembro, se reuniram com dirigentes do banco para fechar as condições de participação na obra.


O BNDES não quis se manifestar sobre a negociação, confirmada, porém, por funcionários a par do assunto. O banco aceitou receber garantias para cinco anos, renováveis, mas espera a formalização da proposta por parte do governo venezuelano, que deverá apresentar os documentos bancários para assumir a parcela do empréstimo que cabe ao país no financiamento à construtora.


Em meados de dezembro, em entrevista coletiva, o diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, calculou em R$ 7,6 bilhões o valor a ser aportado pela Venezuela, dos quais R$ 4 bilhões seriam relativos aos 40% do total já investido pela estatal brasileira na obra e R$ 3,6 bilhões a parcela do empréstimo concedida pelo BNDES que seria assumida pela PDVSA. Na época, Costa informou que, com a incerteza sobre a participação da Venezuela no projeto, a Petrobras adiou investimentos como a compra de uma unidade de redução de enxofre, apropriada para refinar o óleo venezuelano. Sem a Venezuela no projeto, essa unidade não seria necessária, o que geraria uma economia de pelo menos US$ 350 milhões (pouco menos de R$ 590 milhões).


A Petrobras prevê que a operação da refinaria deve começar no fim de 2012, com capacidade para processar 230 mil barris de petróleo por dia. O processamento do petróleo pesado, do Brasil ou da Venezuela, garantirá a produção de derivados de baixo teor de enxofre, principalmente diesel, além de gás de cozinha (GLP), nafta petroquímica e coque.


Os governos brasileiro e venezuelano veem o empreendimento como um dos principais no projeto de integração energética na América do Sul, e deverá reforçar a crescente ligação entre os parques produtivos do Brasil e da Venezuela. Hoje, a capital de Roraima, Boa Vista, é abastecida com energia da hidrelétrica venezuelana de Guri, e há planos de expansão das linhas de transmissão, por onde também passam cabos de fibra ótica que garantem Internet de banda larga à cidade. Há planos de expansão desses cabos, que deverão fornecer serviços também a Manaus.


Nos próximos dias, se for finalmente concretizado o acordo entre PDVSA e BNDES, a formalização do negócio poderá coincidir com um encontro entre os dois presidentes, Dilma Rousseff, do Brasil, e Hugo Chávez, da Venezuela. No fim de semana, durante a posse presidencial, em Brasília, Chávez convidou Dilma a visitar o país durante a viagem aos países sul-americanos que a presidente quer fazer em janeiro, e Dilma teria aceitado.


Do lado brasileiro, o Itamaraty ainda não confirmou a visita e há dúvidas se o encontro não aconteceria no Brasil, pois, pelo calendário das reuniões trimestrais entre os chefes de Estado dos dois países, da última vez foi o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem foi à Venezuela. Os venezuelanos preferem, porém, começar "um novo ciclo", incluindo Caracas no roteiro da nova presidente.


Lula, mesmo fora do governo, já informou a Chavez que pretende visitá-lo também no início do ano, iniciativa que pessoas ligadas ao ex-presidente interpretam como um gesto para evitar o isolamento político do venezuelano, que enfrenta dificuldades econômicas, como pressões inflacionárias e falta de bens de consumo e, pela primeira vez em muitos anos, terá uma numerosa bancada oposicionista no Congresso, ainda que de poderes reduzidos.


Lula ainda é o político brasileiro com maior proximidade a Chavez e o governo brasileiro sonha exercer, junto ao venezuelano, influência semelhante a que Lula teve durante a última grande crise entre o presidente da Bolívia, Evo Morales e a agressiva oposição boliviana. Em um dos telegramas da diplomacia americana vazados pelo site de internet WikiLeaks, Morales foi mencionado afirmando, em encontro com autoridades dos EUA, que estava seguindo o conselho de Lula de ser "paciente" com os movimentos políticos contrários a seu governo.
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