Combustíveis

Aumento no preço do etanol vai exigir importação

Valor Econômico
18/02/2010 09:45
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A alta do preço do etanol, a redução do percentual de álcool anidro na gasolina (de 25% para 20%) e a prioridade dada pela Petrobras à produção de óleo diesel em suas refinarias vão fazer com que o Brasil importe este ano uma quantidade de gasolina sem precedentes pelo menos nos últimos dez anos. A primeira partida, de 2 milhões de barris, foi comprada este mês na Venezuela. O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse que as importações devem se estender pelo menos até maio. Segundo ele, "é mais negócio importar gasolina do que óleo diesel".

 

"Compramos um volume inicial e vamos acompanhar o mercado", disse Costa. Ele não quis especificar quando e qual a quantidade que será comprada nos próximos meses. A definição de maio como limite para o prosseguimento das importações tem duas razões, ambas relacionadas com a entrada da safra de etanol de 2010 das regiões Sudeste e Centro-Oeste: a volta do percentual de anidro a 25% está prevista para 1º de maio e a queda no preço do etanol na bomba que, se espera, ocorra com a chegada da safra, tornando novamente vantajoso o seu uso pelo consumidor.

 

"Não sei porque todo esse frisson, porque é uma verificação econômica. Eu consigo importar gasolina por um preço mais competitivo do que óleo diesel", afirmou Costa. De acordo com o diretor da Petrobras, desde setembro de 2008 a estatal vem tomando uma série de medidas para aumentar o percentual de óleo diesel - combustível que movimenta a maior parte da frota de cargas do país (basicamente rodoviária) - no mix de produtos que sai das suas 11 refinarias.

 

Hoje, cerca de 35% do produto do refino de petróleo no Brasil é de óleo diesel, diante de cerca de 19% de gasolina, de acordo com o executivo. Segundo dados contidos no site da BR Distribuidora, na maioria dos países do mundo a participação do diesel no mix de refino fica entre 15% e 25% do total. Costa disse que nas novas refinarias que a Petrobras está construindo ou planejando construir, a participação do diesel vai chegar a até 60%.

 

Costa disse que as importações de diesel feitas pela Petrobras caíram de até 100 mil barris por dia em 2008 para entre 30 mil e 40 mil, em média, em 2009. Ele atribuiu a redução a três motivos: o aumento da participação do óleo diesel no mix das refinarias, a redução do consumo de diesel pelas usinas termelétricas graças à maior geração de energia hidrelétrica e a queda do consumo por conta da crise econômica.

 

No ano passado, o consumo de combustíveis no país registrou queda de 1,2%, segundo os dados da Petrobras. De acordo com os dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as importações totais de diesel do Brasil caíram de 36,66 milhões de barris em 2008 para 22,11 milhões em 2009. O peso das importações de diesel na balança comercial do país caiu de US$ 5,14 bilhões para US$ 1,67 bilhão, ainda segundo a ANP.

 

Embora o Brasil seja mais conhecido como exportador de gasolina - no ano passado exportou 15,8 milhões de barris, faturando US$ 964,8 milhões -, o país também importa quantidades menores do produto. De acordo com as estatísticas da ANP, na primeira década deste século as importações mais significativas de gasolina haviam ocorrido em 2002 e 2003, respectivamente, de 1,03 milhão e 1,14 milhão de barris. Os gastos somaram US$ 29,96 milhões em 2002 e US$ 38,03 milhões em 2003. No ano passado, o Brasil importou apenas 137 barris de gasolina A. A primeira partida importada este ano custou US$ 140 milhões.

 

Costa, da Petrobras, disse que no ano passado, tão logo começou a subir o preço do etanol, a Petrobras decidiu suspender as exportações de gasolina. A redução começou em novembro e chegou a zero em janeiro deste ano, de acordo com o executivo. No fim da tarde de ontem a Petrobras divulgou nota afirmando que vem aproveitando "oportunidades de preço, prazo e qualidade de vários mercados supridores para garantir o fornecimento de gasolina em todo o território nacional em função do aumento da demanda pelo combustível".

 

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