Investimento

BNDES pode captar US$ 4,5 bi no exterior para investir no país, diz Barbosa

Valor — o equivalente a R$ 22,3 bilhões no câmbio desta terça — poderá ser investido na economia brasileira até 2026

InfoMoney, 18/04/2023
18/04/2023 13:10
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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) negocia com organismos internacionais a captação de pelo menos US$ 4,5 bilhões para investir nos próximos quatro anos, de acordo com o diretor de Planejamento do banco, Nelson Barbosa, que participou de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) nesta terça-feira (18).

Barbosa lembra que o valor —  o equivalente a R$ 22,3 bilhões no câmbio desta terça — poderá ser investido na economia brasileira até 2026.

— São negociações que vêm sendo desenvolvidas, algumas inclusive advêm do governo anterior, a juros bastante competitivos. Nosso foco é investir especialmente em micros, pequenas e médias empresas e na infraestrutura brasileira — anunciou.

Ministro do Planejamento e da Fazenda no governo de Dilma Rousseff, Barbosa destacou o fato de Dilma estar hoje na presidência do Banco do Brics e Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central, estar na presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Segundo ele, o BNDES negocia uma linha de U$ 1,7 bilhão (R$ 7,99 bilhão) com o banco do Brics e outra de US$ 750 milhões (R$ 3,7 bilhões) com o BID. No caso do BID, os recursos foram aprovados pela CAE nesta terça e serão direcionados exclusivamente às micros, pequenas e médias empresas.

De acordo com Barbosa, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, que participou da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, iniciou negociações para um empréstimo de US$ 1,3 bilhão (R$ 6,6 bilhões) com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em inglês). Parte do valor, US$ 800 milhões (R$ 3,9 bilhões) será usada na modernização da infraestrutura nacional. O BNDES também negocia com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida) mais US$ 130 milhões (R$ 646 milhões) em investimentos na agricultura sustentável, além de outros US$ 610 milhões (R$ 3 bilhões) com outros organismos internacionais.

Além dos recursos a serem captados pelo BNDES, o senador Cid Gomes (PDT-CE) destacou outro aporte de US$ 1 bilhão (R$ 4,9 bilhões) negociado pelo Ministério da Fazenda com o Banco do Brics, que será destinados exclusivamente para micros e pequenas empresas.

Dobrar os investimentos 

A reunião foi conduzida pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), que elogiou o plano estratégico de ampliar a participação do BNDES de 1% para 2% do PIB nos investimentos internos. Braga lembrou que o patamar de 2% foi atingido durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) na Presidência da República, mas a participação caiu expressivamente nos últimos anos.

O diretor acrescentou que no primeiro governo Lula (2003-2010) os desembolsos do BNDES chegaram a atingir 4,3% do PIB e continuaram acima da média de 2% na gestão de Dilma Roussef (2011-2016), mas passaram a “retrair excessivamente” a partir de 2016.

Braga disse considerar “certeira” a manutenção do foco do BNDES nas micros e pequenas empresas (MPEs), já que o setor é pujante na economia e um grande gerador de empregos.

— O Sebrae aponta que as micros e pequenas empresas correspondem hoje a 30% do PIB. Em 2022, as MPEs criaram 78% dos empregos na economia formal, foram 1,6 milhões de novas vagas. E essa tendência se mantém em 2023. Dados até fevereiro apontam 207 mil novas contratações, 83% dos empregos gerados, enquanto as médias e grandes empresas apresentam saldos negativos em 2023 — lembrou Braga.

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