Energia elétrica

Votorantim Metais sai em busca de energia mais barata

Valor Econômico
12/07/2004 00:00
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A Votorantim Metais (VM) prepara um grande leilão de compra de energia, de até 300 megawatts, pelo prazo de 10 anos. O volume, ainda sem preço definido, equivale a uma usina de médio porte e hoje ultrapassa a demanda de energia elétrica do braço de metais (zinco, níquel e aço) do grupo Votorantim. A previsão é que o leilão reverso - em que a oferta vencedora deve ser inferior ao preço teto - será realizado até o fim do mês.
A opção pelo leilão é uma forma de a VM comprar energia a um custo mais baixo. Até porque há uma elevada sobra de energia no país - o que puxa para baixo o preço no mercado a vista (spot). João Bosco Silva, presidente da Votorantim Metais, acrescenta, ainda, que os custos cobrados pelas distribuidoras para fazer a transmissão de energia até as fábricas têm ficado cada vez mais elevados. E, muitas vezes, inibe ou deixa pouco atrativo o uso de energia gerada pela própria companhia. A empresa tem participações acionárias em duas hidrelétricas em operação e em três em fase de construção.
"Uma grande geradora pode, no leilão, nos oferecer uma energia velha que tem o preço menor do que a que vamos obter com geração própria", avalia o executivo. "O novo modelo elétrico do país tem penalizado o auto-gerador e beneficiado quem não investiu", afirma. Segundo Bosco, considerando custo de capital no investimento, custo da transmissão e outros encargos cobrados, como o seguro-apagão, a energia de auto-geração acaba sendo mais cara.
Como a companhia opera com bens eletrointensivos (zinco e níquel) e tem projetos de expansão em estudos, ela quer ter garantia de suprimento do insumo a custo competitivo. "Nossas expansões no zinco e níquel são voltadas para exportação e, no mercado internacional, vamos competir com produtores que operam com baixo custo de energia em suas fábricas."
Segundo Bosco, o objetivo da empresa é conseguir fornecimento de energia a um preço inferior a US$ 30 o MWh na porta da unidade de produção. Hoje, uma hidrelétrica nova, segundo informações de investidores, tem um custo de US$ 30 o MWh sem incluir o valor cobrado pela transmissão.
Atualmente, a VM consome 240 MW de energia nas duas fábricas de zinco, nas duas de níquel, na usina de aço Barra Mansa e nas unidades de mineração em Minas e Goiás. Menos de 30% são de geração própria das usinas de Igarapava (Rio Grande) e Sobragi, na região de Juiz de Fora. A empresa está investindo nas hidrelétricas de Campos Novos, no Sul, e Capim Branco I e II e Picada (MG).
Com os projetos expansão, ainda em fase de estudos de viabilidade econômica, a VM elevaria o consumo para cerca de 400 MW. A energia das três usinas daria auto-suficiência de 60% a partir de 2006. O problema é que essa energia pode se tornar mais cara que ir agora ao mercado e assegurar fornecimento para longo prazo. "Esperamos que até lá a ministra Dilma Rousseff consiga retirar da tarifa uma série de tributos e custos."
A compra no leilão será feita em blocos de 100 MW cada um, conforme o cronograma de necessidade da VM. Um primeiro bloco é certo que já será comprado. Um segundo, para os projetos de expansão, vai depender do preço obtido no leilão. "A ampliação em zinco, níquel e aço passa pela equação do custo da energia", diz. A aquisição do terceiro bloco só vai se efetivar se o preço for inferior ao da energia própria na porta da fábrica.
O leilão contará com pelo menos quatro geradoras competindo pelo suprimento à VM - Cemig, Furnas, Eletropaulo e Light, que são atuais fornecedoras. "Já fizemos conversas informais com algumas concessionárias e percebemos interesse pelo suprimento total e até parcial", informa Bosco.
Maurício Bähr, presidente do conselho da Tractebel, está animado e planeja participar do leilão da Votorantim. "Vamos avaliar a proposta deles e se tivermos como suprir, vamos no candidatar como vendedores", acrescenta.
Bosco não quis fazer previsão de quanto vai montar a compra da VM. Segundo avaliação de um especialista do setor, se obtivesse os US$ 25 de piso obtidos por Albrás e Alumar nos leilões realizados em maio com a Eletronorte, a VM gastaria mais de US$ 600 milhões pelo pacote de 300 MW em 10 anos.
A Votorantim Metais, com produção de 273 mil toneladas de zinco, 27 mil de níquel e 450 mil de aço prevê faturar neste ano US$ 1 bilhão, 30% a mais que em 2003.

Consumidores livres deverão dobrar no país

As grandes indústrias - que demandam altos volumes de energia - decidiram se antecipar à chegada no novo modelo do setor elétrico, ainda em fase de regulamentação. Diante das incertezas, a saída para boa parte delas foi tornar-se consumidor livre. Na prática, os livres podem escolher de quem compram a energia que consomem.
A lista, antes mirrada, engorda a cada dia. AmBev, Alcoa, Johnson & Johson, Telefonica, Bunge, Vale do Rio Doce, Usiminas e Cosipa são algumas deles. Hoje, os consumidores livres já compram 8% da energia comercializada no sistema interligado nacional (SIN). No setor, há a expectativa de que esse número possa dobrar dentro de um ano.
A opção dessas empresas para o mercado livre, ao invés de serem supridas pelas distribuidoras de energia que servem à sua área de atuação (sistema cativo), tem ampliado o número de leilões. Além do programado pela Votorantim Metais para o fim de julho, nas próximas semanas a Comerc - uma comercializadora de energia - deverá promover um outro leilão.
"O leilão é para empresas que estão se tornando livres porque querem reduzir custos", diz Marcelo Parodi, sócio da Comerc. Como ela, existem outras 44 empresas que operam como comercializadora, sob a anuência da Aneel, a agência que regula o setor.
Em maio, dois grandes leilões movimentaram o setor. O da Albrás e da Alumar, cujo preço médio ficou US$ 25 o MWh, em contratos que garantiram receita de US$ 7,4 bilhões para os próximos 20 anos, aos cofres da Eletronorte, subsidiária da Eletrobrás.

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