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Vale reavalia atuação na área de petróleo

Agência Estado
05/03/2012 12:29
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Os investimentos da Vale na aquisição e exploração de blocos de petróleo e gás somaram em torno de US$ 400 milhões nos últimos cinco anos, revelou o diretor de Finanças da mineradora, Tito Martins. Até o início do segundo semestre, a empresa decide se deixará total ou parcialmente o segmento, no qual ingressou para tentar garantir suprimento de gás a um custo mais baixo.

A decisão da Vale está mexendo com o setor de petróleo, há quase quatro anos sem novas ofertas de blocos nos leilões da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). A mineradora, que entrou no setor em 2007, tem participações minoritárias em 23 blocos de quatro bacias petrolíferas. Segundo o site da empresa, nas áreas em que participa, foram declaradas cinco descobertas, nas bacias de Santos e do Espírito Santo.

"Neste exato momento estamos repensando: vamos continuar ou não nessas concessões?", diz Martins. Em fevereiro, em teleconferência para comentar os resultados da Vale, o presidente da mineradora, Murilo Ferreira, descartou a entrada em novos leilões na área de óleo e gás no Brasil e no exterior, mas deixou em aberto o destino dos ativos no setor.

"A opção por continuar demanda um dispêndio muito maior, pela necessidade de gerar escala. A grande discussão é saber se temos capacidade de fazer isso ou não", diz Martins.

As participações da Vale variam entre 10% e 30% em consórcios com parceiros como Petrobras, Shell, Ecopetrol, BP Energy, Repsol Sinopec e Woodside. Além de Santos e Espírito Santos, fazem parte do portfólio também blocos nas bacias do Parnaíba e Pará-Maranhão. "Estamos discutindo o que fazer: acompanhar os sócios, talvez ficar em umas e sair de outras. No início do segundo, semestre fechamos a discussão", diz.

"Há muitas empresas interessadas nesses blocos da Vale. O Brasil há muito tempo não faz leilão", diz o economista Edmar de Almeida, da UFRJ, especialista no setor de energia, petróleo e gás. Para ele, o único problema é o motivo do desinvestimento. "O contexto é favorável. Me parece, porém, que um dos motivos para a venda é o fato de a Vale não ter tido muito sucesso nas áreas que explora".


Valor

Para o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), não há como calcular o valor atual dos ativos da Vale em petróleo sem uma avaliação detalhada sobre reservas prováveis, análise dos blocos onde ainda não foram feitas descobertas e uma série de outros fatores.

Ele lembra, ainda, que o valor estimado para o barril em áreas que ainda não estão em produção é infinitamente menor, como ocorreu no cálculo da cessão onerosa feita pela União à Petrobras, onde o preço médio do barril foi fixado em US$ 8,5. "O grupo chinês Sinopec comprou 40% das operações brasileiras da espanhola Repsol por um valor que não passou de US$ 6, e assim por diante", diz Pires. A compra da participação na Repsol custou à Sinopec US$ 7,1 bilhões.

"Tudo vai depender das expectativas em torno das reservas das áreas que terão a participação colocada à venda. Petróleo é um investimento de risco e, quando se tem um ativo nesse setor, o valor varia de acordo com reservas provadas e prováveis. Reservas de óleo, por exemplo, valem mais do que as de gás", diz Pires.
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