Logística

Vale eleva para R$ 1,3 bi investimento na compra de barcaças para hidrovia

A Vale vai triplicar a produção de minério de ferro em Corumbá, no Mato Grosso, nos próximos dois a três anos. A capacidade deve saltar de 4,5 milhões para 15 milhões de toneladas por ano. A expansão será sustentada por investiment

Valor Econômico
30/09/2009 06:16
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A Vale vai triplicar a produção de minério de ferro em Corumbá, no Mato Grosso, nos próximos dois a três anos. A capacidade deve saltar de 4,5 milhões para 15 milhões de toneladas por ano. A expansão será sustentada por investimentos de R$ 900 milhões na compra de 14 empurradores e 224 barcaças que vão fazer o transporte do minério via rios Paraguai e Paraná. O investimento, que ainda tem de ser aprovado pelo conselho de administração da companhia, prevê a encomenda das embarcações a estaleiros nacionais.

Essa compra vai se somar a outra encomenda feita no Brasil de 51 embarcações com investimentos de R$ 403,9 milhões. São 15 rebocadores portuários, dois comboios fluviais, formados por 32 barcaças e dois empurradores, e dois catamarãs para transporte de passageiros. No total, considerando essa compra e a encomenda futura, a Vale vai investir R$ 1,3 bilhão em embarcações para atividades de apoio portuário e navegação de interior (hidrovias), disse o diretor-executivo de logística da empresa, Eduardo Bartolomeo.

Hoje, no terminal marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís, no Maranhão, a Vale faz o batismo do rebocador "Sossego", a primeira das 51 embarcações que a empresa contratou a quatro estaleiros de pequeno e médio porte no país: Detroit (SC), Santa Cruz (SE), Rio Maguari (PA) e Arpoador (RJ). A empresa conseguiu contratar esse grande número de navios em estaleiros de médio porte, mas tem dificuldades de fechar a encomenda de quatro grandes navios para transporte de minério em estaleiros maiores no país.

Uma fonte do setor disse que isso acontece porque os estaleiros menores têm maior rotatividade de obras enquanto nas instalações maiores essa rotatividade é menor. Navios de grande porte levam mais tempo para serem construídos ainda mais em uma indústria naval em fase de ressurgimento como é o caso do Brasil. Bartolomeo disse que os dois empurradores e 32 barcaças em construção foram encomendados ao estaleiro Rio Maguari, de Belém (PA), e serão entregues entre 2010 e 2011.

Esses comboios serão usados para transporte de minério de ferro produzido em Corumbá. O escoamento se dará via hidrovia Paraguai-Paraná que tem saída para o mar no Rio da Prata. Bartolomeo lembrou que em janeiro a Vale fechou com a anglo-australiana Rio Tinto contrato de compra e venda para aquisição de ativos de minério de ferro e potássio. O pagamento da operação, no total de US$ 1,6 bilhão, deu-se este mês.

Na área de minério, a Vale comprou 100% das operações da Rio Tinto em Corumbá (MS), além de ativos de logística incluindo porto fluvial e barcaças. Bartolomeo disse que a mina de Corumbá tem capacidade de produzir 2,5 milhões de toneladas por ano enquanto outra mina da Vale na região alcança produção de 2 milhões de toneladas anuais. "O plano estratégico é chegar a 15 milhões de toneladas por ano (em Corumbá)", disse Bartolomeo. Com essa finalidade, a empresa vai encomendar no Brasil 14 novos comboios nos próximos dois a três anos. Cada comboio é formado por um empurrador e 16 barcaças.

Fábio Vasconcellos, diretor comercial do estaleiro Rio Maguari, disse que os estaleiros nacionais dedicados a esse tipo de encomenda têm condições de atender a demanda adicional a ser colocada pela Vale. Vasconcellos afirmou que das 32 barcaças contratadas seis já estão na água e quatro em construção. "Já compramos aço no Brasil, da ArcelorMittal, para toda a encomenda", disse Vasconcellos. Dos 15 novos rebocadores portuários, onze foram contratados no Detroit, em Itajaí, e quatro no Santa Cruz, em Aracaju. O "Sossego", batizado hoje, saiu do Detroit.

No total, a Vale tem atualmente 14 rebocadores em operação que prestam apoio a navios de grande porte nos portos. Quando as novas embarcações forem entregues até 2011, a frota de rebocadores da empresa chegará a 29 navios.

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