Biocombustíveis

TAM planeja voar com biodiesel de pinhão-manso

IG
28/04/2010 09:10
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 A TAM anunciou nesta terça-feira um novo projeto para uso de biocombustíveis nas suas aeronaves. A companhia aérea fará o primeiro voo da América Latina com bioquerosene de aviação no segundo semestre, produzido com óleo de pinhão manso, uma planta brasileira. A aeronave utilizada será um Airbus A320, que decolará e pousará no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

 

A TAM tem três parceiros nesta iniciativa: a Airbus, a fabricante de motores CFM International (joint venture entre a americana GE Aviation e a francesa Snecma) e a Associação Brasileira de Produtores de Pinhão Manso (ABPPM).

 

A empresa não possui estimativas sobre o impacto financeiro da iniciativa, mas já avaliou os benefícios do combustível na área de sustentabilidade. O bioquerosene de pinhão emite entre 65% e 80% menos carbono do que o querosene atualmente usado nas aeronaves, derivada de petróleo.

 

“Esse é um projeto de longo prazo da TAM, que acompanha a tendência do setor de buscar combustíveis mais sustentáveis”, afirma o presidente da companhia, Líbano Barroso. A TAM iniciou os estudos de viabilidade de uso do querosene de pinhão manso como combustível para suas aeronaves há um ano e maio. Até então, a empresa investiu US$ 150 mil no projeto.

 

Caminho longo

 


O voo de teste com bioquerosene é um primeiro passo na TAM no uso da nova tecnologia nas suas aeronaves, mas a adoção do combustível em larga escala ainda levará tempo. O motivo é que a cadeia de produção do bioquerosene não está formada no Brasil.

 

Hoje, há cerca de 60 mil hectares de área plantada de pinhão manso no Brasil, nas regiões Sudeste, Norte e Centro-Oeste, segundo o diretor da ABPPM, Rafael Abud. Cada hectare tem capacidade para produzir 1,5 toneladas de óleo, volume insuficiente para abastecer o mercado de aviação brasileiro. Apenas o voo de teste da TAM com o novo combustível utilizará nove toneladas do produto, por exemplo. O bioquerosene de pinhão manso usada pela TAM utilizará 50% do óleo de pinhão e 50% de querosene convencional.

 

A estimativa da associação dos produtores é que a área plantada alcance 750 mil hectares em 2020. “Com uma mistura de 10% de óleo de pinhão, poderemos produzir combustível para todo o mercado brasileiro de aviação”, afirma Abud.

 

O pinhão-manso


Além de seu potencial energético, a escolha de planta para a fabricação de biocombustível para aviação levou em conta suas características de cultivo, segundo o presidente da TAM. O pinhão manso não é comestível, seu cultivo requer o uso de pouca água e pode plantado em terras pouco férteis. “Com esta planta, eliminamos as principais críticas dos biocombustíveis: que eles consomem parte da produção de alimentos e utilizam muita água”, afirma Barroso.

 

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