Acompanhando uma tendência internacional, o Tecon Salvador irá realiza nesta quarta-feira (10) embarque de soja em contêiner. O produto será exportado para o porto de Yokohama no Japão, através da companhia marítima NYK Line. A conteinerização de grãos é tida como novidade no mercado nacional e o Porto de Salvador é pioneiro na iniciativa no Nordeste. Esta é a segunda vez que o terminal realiza exportação deste tipo de commodity.
Por meio de contêineres, foram exportadas 22 toneladas de soja de cinco variedades de grãos totalmente livres de contaminação transgênica. Após a avaliação do cliente final no Japão, as vendas poderão se manter regulares a partir de 2013. A escolha do tipo da soja pelo importador é fundamental para aumentar o plantio e cultivo dos grãos e essa alternativa abre uma janela de oportunidades para um novo mercado. Atualmente a Bahia é o sexto maior produtor de soja do Brasil e exporta em torno de 2,8 milhões de toneladas do complexo que ocupa a quarta posição na pauta de exportação do estado.
Desde o primeiro embarque, o secretário de Agricultura do Estado, Eduardo Salles, afirma que a Bahia deu um grande passo com a conteinerização. “A medida que os resultados forem sendo divulgados e provarmos na ponta do lápis que é uma alternativa econômica, certamente os produtores poderão se organizar e em conjunto experimentar a conteinerização. É necessário que os players da logística invistam, modernizem-se, qualifiquem-se e ofereçam serviços de qualidade em que os dois lados possam ganhar”, explica Salles.
A operação foi executada pela Agrícola Xingu, que realiza em suas fazendas da Bahia o Non-GMO Identity Preserved Program, que visa garantir a rastreabilidade da soja desde as sementes até a entrega do produto ao cliente. Após as variedades terem sido escolhidas para o plantio em larga escala com fins comerciais, o programa se inicia com os testes das sementes e plantio livres de contaminação e afastados de quaisquer outras variedades transgênicas. Estes testes se prolongam por todas as etapas do processo desde o crescimento até a armazenagem e transporte, ao final do processo são emitidos certificados que atestam a pureza e qualidade da soja.
De acordo com dados da Associação Brasileira dos Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados (Abrange) cada vez mais os mercados europeu e asiático estão aumentando a demanda por alimentos livres de transgênicos. O diretor técnico da entidade, Ivan Paghi, explica que é um mercado especial, diferenciado, que precisa de uma logística que seja segura para todos os elos dessa cadeia produtiva. “A modalidade de transporte em contêineres dá mais segurança para os importadores e consumidores e a tendência é de aumento, pois se trata de produtos de alto valor agregado em relação à soja transgênica”, afirma Paghi.