Empresas

Shree Renuka estuda capitalização no Brasil

Valor Econômico
09/09/2011 10:34
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A indiana Shree Renuka Sugars estuda alternativas para capitalizar sua operação no Brasil. O movimento é entendido pelo mercado como antecipação de uma possível falta de liquidez no fim de 2012, quando vence a primeira parcela do alongamento de oito anos do débito contraído em 2010 com a compra do controle da Equipav Açúcar e Álcool. Em março de 2011, a dívida líquida da empresa estava 1,365 bilhão, dos quais R$ 1,185 bilhão no longo prazo.

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, entre as possibilidades consideradas pela empresa indiana, com capital aberto na bolsa de Mumbai, está a venda de uma fatia minoritária - entre 20% e 25% - da holding brasileira, a Renuka do Brasil, para um sócio estratégico. Outra opção seria a abertura de capital na bolsa de São Paulo. Procurada, a Renuka não comentou.

No curto prazo, a empresa tem cerca de R$ 200 milhões de dívida líquida e uma previsão de alcançar Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 420 milhões na atual safra e uma margem de 35%.

Mas a companhia não está imune à quebra severa da produção de cana e, por isso, deve haver queda na geração de caixa. Inicialmente, a Renuka previa moer no Brasil 9,7 milhões de toneladas, mas agora é esperada redução de cerca de 10%.

Com faturamento global de US$ 1,7 bilhão no ciclo 2009/10, a empresa indiana investiu pesado desde que entrou no Brasil. Nos últimos dois anos comprou quatro usinas de açúcar e etanol (duas em São Paulo e duas no Paraná) pelas quais pagou cerca de R$ 600 milhões e assumiu dívidas da ordem de R$ 1,5 bilhão. Neste momento, a companhia ainda toca ampliações industriais e agrícolas em suas unidades brasileiras que ultrapassam R$ 400 milhões.

Com 50,34% da Equipav (Açúcar e Álcool), a Renuka tem um acordo com os outros acionistas de levantar parte desse recurso para investir na operação no Brasil. A alternativas seria o aumento de capital com lançamento de ações na bolsa de Mumbai, operação que seria feita até o fim de 2012.

Segundo apurou o Valor, neste momento se discute na empresa antecipar esse aumento de capital para apoiar a operação brasileira. Se ocorrer, isso significará ampliar a participação da indiana nas usinas da Equipav para 60% e redução dos minoritários para 40%.

Conforme informou o Valor, a companhia já firmou parceria com o grupo Olam International, de Cingapura, mas por enquanto restrita à atuação em novos projetos e aquisições sucroalcooleiras no país. Entre as negociações já em andamento pela dupla, está a disputa pelos ativos do grupo paulista Clealco. Segundo fontes, três pretendentes ficaram para a fase final de negociação. Além da parceria "Renuka/Olam", também a petroleira francesa Total e a ETH Bioenergia estão no páreo. Procuradas, a Total e a Olam não conseguiu retornar até o fechamento da edição. A ETH informou, por meio de sua assessoria, que "não confirma" a informação.

Fontes afirmam que a capacidade de endividamento da Renuka no Brasil está no limite e que novas aquisições dependem de parcerias. No país, a empresa tem capacidade industrial para processar 14 milhões de toneladas de cana. Na Índia, tem condições de moer mais 7 milhões de toneladas.
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