Leilão da ANP

Shell vê maior concorrência por petróleo no Brasil após reformas regulatórias

Reuters, 04/07/2018
04/07/2018 09:08
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Mudanças regulatórias no setor de petróleo e gás do Brasil nos últimos dois anos tornaram o ambiente de negócios mais atrativo, com maior concorrência, afirmou nesta terça-feira o presidente da Shell no país, André Araujo, durante participação em evento no Rio de janeiro.

O executivo destacou que a empresa está há 105 anos no país e notou recentemente um aumento da concorrência, a partir de reformas colocadas em curso pelo governo, como a abertura para que outras empresas sejam operadoras no pré-sal e a flexibilização e simplificação das regras de conteúdo local.

"O que a gente pôde perceber nesses últimos leilões foi um volume muito grande de competidores... tem muita gente vindo aqui, está ficando meio caro. Mas eu acho que, como país, e como operador no Brasil, o fato de ter multioperadores, muitas empresas participando de processos de contratação, acho que é extremamente importante", disse Araujo, durante lançamento da Rio Oil & Gas, importante congresso do setor.

Outras mudanças que atraíram investimentos no país, segundo Araujo, foram a ampliação do Repetro, regime aduaneiro especial para a indústria de petróleo, e a publicação de um calendário de leilões, que segundo ele trouxe maior previsibilidade para indústria.

O executivo frisou que a empresa já reafirmou seu interesse no Brasil muito antes das mudanças regulatórias— como exemplo, ele citou a participação no consórcio que arrematou a área de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, no primeiro leilão de partilha, em 2013, e a aquisição da BG, com importantes ativos no país.

A empresa também esteve presente nos últimos leilões no país. Atualmente, a empresa tem um total de 26 blocos no Brasil e 15 parceiros, incluindo a PPSA, empresa estatal que representa os direitos da União nas áreas de partilha de produção.

O executivo reiterou o objetivo da Shell de iniciar perfurações nos blocos Gato do Mato e Alto de Cabo Frio Oeste, ambos no pré-sal da Bacia de Santos, adquiridos juntamente com parceiros em leilões recentes do pré-sal.

Além disso, ele destacou a importância do desenvolvimento da indústria brasileira de petróleo e ressaltou que 61 por cento dos 10 maiores projetos da Shell no país têm contratações junto à indústria nacional, atendendo a regras de conteúdo local.

Segundo o executivo, a empresa contratou neste ano pela primeira vez no país uma sonda 100 por cento nacional, com a Petroserv, o que é considerado por ele como um "marco bastante positivo".

Araujo também destacou o crescimento dos aportes da empresa em pesquisa e desenvolvimento no Brasil. No ano passado, os investimentos com esse objetivo somaram 170 milhões de reais.

"É um volume grande e eu tenho expectativa que o volume neste ano será bem maior", disse Araujo. "A gente quer e precisa buscar novos projetos."

Menos emissões

Araujo reiterou ainda o compromisso da empresa no mundo com a redução de emissões e a busca da empresa por uma transição energética. Ele afirmou que a Shell Brasil está atenta a oportunidades na área de gás e também de geração de energia renovável.

Segundo ele, a opção é buscar aportes em energias renováveis e a empresa tem avaliado diversas oportunidades de negócio no setor de maneira estratégica.

"A gente tem grupos aqui olhando oportunidades de negócio sem nenhuma obrigação de ter um carimbo de que tem um negócio eólico ou solar... olhar mesmo estrategicamente", afirmou, sem antecipar detalhes.

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