Negócios

Sete Brasil vai elevar capital e pode ter novos sócios

Os acionistas aprovaram, em assembleia geral extraordinária (AGE), em 1º de março, o aumento do limite do capital autorizado da empresa para R$ 7 bilhões. O valor é quase quatro vezes o capital social hoje subscrito, de R$ 1,9 bilhão. A operação

Valor Econômico
09/03/2012 11:57
Visualizações: 729
A Sete Brasil, holding financeira dedicada a gerir grandes portfólios de ativos, prepara um aumento de capital. Os acionistas aprovaram, em assembleia geral extraordinária (AGE), em 1º de março, o aumento do limite do capital autorizado da empresa para R$ 7 bilhões. O valor é quase quatro vezes o capital social hoje subscrito, de R$ 1,9 bilhão. O processo, previsto para terminar até 30 de abril, poderá resultar na entrada de novos sócios na companhia, dona de uma carteira de US$ 75 bilhões. O montante refere-se a contratos de longa duração de afretamento com serviços de 28 sondas marítimas de perfuração de poços de petróleo com a Petrobras.

Entre os novos sócios que podem tornar-se acionistas da Sete Brasil, a partir do começo de maio, estão o Energy Investment Group (EIG), um investidor institucional americano da área de energia, e a Lucce Drilling, empresa criada pelo investidor Aldo Floris. As duas empresas assinaram cartas-garantia de investimento com a Sete Brasil segundo as quais podem ser chamadas a participar do aumento de capital. Tudo vai depender do apetite dos atuais acionistas, que têm direito de preferência. Se houver sobras de ações, EIG e Lucce Drilling serão chamadas e terão obrigação de comparecer.

É possível que nem todos os atuais acionistas participem da operação. A Sete Brasil tem dialogado com outros potenciais investidores nacionais e estrangeiros de países como China, Noruega, Arábia Saudita e Estados Unidos. A empresa também conversa com o BNDES sobre uma eventual participação no aumento de capital.

"Hoje a demanda [no aumento de capital] supera a oferta em cerca de 30%", disse João Carlos Ferraz, diretor-presidente da Sete Brasil. O capital está nas mãos de Petros e Funcef, cada um com 19,2%; dos bancos Bradesco, BTG Pactual e Santander, com participações individuais de 13,7%; da Previ (10%); Petrobras (5%), e Valia (5,5%).

Ferraz disse que os acionistas que participarem da operação terão de pagar um prêmio de determinado percentual sobre o valor a ser subscrito. Esse prêmio ainda está em negociação. Se um acionista resolvesse subscrever R$ 100 milhões em novas ações na empresa, por exemplo, e o prêmio fosse fixado em 1%, esse sócio teria que aportar R$ 101 milhões no aumento de capital. O dinheiro vai entrar no caixa e será utilizado para desenvolver o plano de negócios.

Ferraz disse que a integralização dos recursos não será imediata. "A subscrição é imediata, mas o recurso será integralizado ao longo do tempo. O que se combinou com os acionistas é que as integralizações serão pedidas conforme a necessidade de caixa da empresa". A operação é necessária para que a Sete Brasil possa ter lastro financeiro e leve adiante os contratos com a Petrobras de 28 sondas de perfuração que vão ser construídas no Brasil, com conteúdo nacional, para operar em lâmina d'agua de três mil metros de profundidade no pré-sal.

Segundo o presidente da Sete Brasil, a empresa vai aportar recursos próprios entre 20% e 25% em cada sonda. Os outros 75% a 80% serão financiados. "Os financiadores estão dispostos a participar do projeto, mas querem ter certeza que pelo menos a parte do equity [capital próprio] esteja subscrita. O que fazemos agora é um esforço para levantar esse capital e, assim, poder assinar os acordos de financiamento com os bancos." Um dos financiadores deve ser o BNDES.

O custo total do projeto das 28 sondas para a Petrobras é estimado em US$ 27 bilhões, incluindo não só a construção, mas outros itens como financiamento e acompanhamento das obras. Além dos contratos de afretamento com serviços para a Petrobras, a Sete Brasil vai levar adiante projetos de duas sondas destinadas ao mercado "spot". O total do portfólio chega, portanto, a 30 unidades a serem entregues até 2020. A expectativa é de que a primeira esteja pronta em 15 de junho de 2015, com a segunda sendo entregue dez meses depois. A partir daí, a meta é entregar uma unidade a cada oito meses.

Ferraz disse que será criada uma sociedade de propósito específico (SPE) para cada sonda na qual a Sete Brasil será sócia de operadoras. A SPE fará contrato de afretamento e serviços do equipamento com a Petrobras e o resultado do negócio será dividido entre a Sete e a operadora. Em licitação recente da Petrobras em que ganhou 21 sondas, a Sete Brasil conseguiu reduzir o preço médio de afretamento para US$ 530 mil por dia, em média. Ela acertou parceria com a Odebrecht para operação de cinco unidades, com a Etesco para outras cinco e com a Petroserv para mais duas. Há ainda acordos com Seadrill, Odfjefel - Galvão e Queiroz Galvão. Cada uma dessas operadoras será responsável por três unidades.

No momento, a Sete Brasil, que completa em abril um ano de operação, está finalizando as negociações com os estaleiros responsáveis pela construção das sondas.
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