Transição Energética

Sergipe elabora Plano de Transição Energética e se posiciona como referência nacional no setor

O plano tem o objetivo de diagnosticar a atual matriz energética, identificar as potencialidades regionais e orientar a políticas públicas e investimentos.

Redação TN Petróleo/Assessoria Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia de Sergipe
13/08/2025 13:00
Sergipe elabora Plano de Transição Energética e se posiciona como referência nacional no setor Imagem: Divulgação Governo de Sergipe Visualizações: 1568

Conhecido nacionalmente como ‘a estrela do gás’, Sergipe tem sido reconhecido como referência no setor energético. O estado tem protagonizado encontros e debates estratégicos do segmento, a exemplo do recente Sergipe Oil & Gas, realizado no final de julho. Neste contexto, o estado dá mais um passo rumo ao futuro energético com a elaboração do Plano Estadual de Transição Energética. O plano tem o objetivo de diagnosticar a atual matriz energética, identificar as potencialidades regionais e orientar a políticas públicas e investimentos alinhados à agenda global de sustentabilidade.

O secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia, Valmor Barbosa, destaca a elaboração do Plano Estadual de Transição Energética como base para orientar investimentos, atrair indústrias e garantir maior segurança energética. “O mundo vive um processo de transição energética há, pelo menos, dois séculos, mas a matriz fóssil, como o petróleo e o gás natural, ainda é predominante. Ao mesmo tempo, é necessário produzir energia com menor emissão de CO?. O plano estadual faz, justamente, esse diagnóstico, identificando as potencialidades e iniciativas existentes no estado. Estamos construindo um diagnóstico profundo sobre a vocação energética do nosso estado. Isso significa entender onde há mais incidência de sol, onde o vento sopra com mais força, quais as áreas favoráveis à geração de energia limpa e renovável, como solar, eólica e o próprio gás natural”, explicou.

O secretário destacou que o Brasil já possui uma matriz majoritariamente limpa, com mais de 90% da energia proveniente de fontes como hidrelétricas, eólicas e solares. Em Sergipe, esse índice também ultrapassa 90%. “Quando os reservatórios estão cheios, as usinas termoelétricas praticamente não são obrigadas a despachar energia. E, hoje, a maioria das novas termoelétricas já é movida a gás natural, substituindo usinas que operavam com carvão ou óleo diesel, fontes mais caras e poluentes”, ressaltou. 

O gestor frisa que o plano estadual ajudará a identificar áreas com vocação para diferentes tipos de geração de energia. “Esse diagnóstico vai mostrar onde há mais vento, mais sol, onde podemos instalar usinas solares, eólicas ou termoelétricas. É essencial para sabermos onde investir. Por exemplo, na região do São Francisco, já temos indicativos de forte potencial solar. Em outras, como Barra dos Coqueiros, estamos aguardando o leilão para construção de nova térmica a gás”, pontuou.  

Plano 

O plano está sendo desenvolvido pela Sedetec, em parceria com o Centro de Estudos de Energia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Energia). A iniciativa integra uma política estadual voltada à descarbonização da matriz energética, maior eficiência no uso da energia, incentivo à inovação e inclusão social, de forma alinhada com as diretrizes federais e internacionais.

A proposta se soma aos avanços já realizados por Sergipe em 2024, como o fortalecimento da região portuária e a criação do Hub de Hidrogênio Verde, um dos vetores mais promissores da transição energética mundial. “Nosso plano vai além de uma análise técnica. Ele permitirá que investidores e o poder público tenham um verdadeiro manual sobre onde e como implantar projetos energéticos. Isso vai atrair novas empresas e orientar investimentos estratégicos”, salientou Valmor. 

Elaboração 

O processo é conduzido em etapas, com diagnóstico técnico, levantamento de dados, escuta ativa da sociedade e articulação institucional. Segundo o secretário da Sedetec, já foram realizados seminários, encontros com universidades, especialistas e setor privado, além da coleta de informações em campo. A consulta pública, que ainda será lançada, é a fase final antes da consolidação do documento. 

A consultoria da FGV também colabora na análise de desafios como a regulação tributária, segurança jurídica, infraestrutura de transmissão e mapeamento de áreas aptas à implantação de projetos.

Potenciais energéticos

O plano também se debruça sobre as fontes estratégicas que devem impulsionar o futuro energético de Sergipe. O gás natural, abundante no subsolo sergipano, segue como matriz essencial no processo de transição, substituindo fontes mais poluentes como o carvão mineral e o óleo combustível.

Outra aposta promissora é o Hidrogênio Verde (H2V), produzido a partir da quebra da molécula de água com energia limpa. Pesquisas desenvolvidas pelo SergipeTec, por meio do Núcleo de Energias Renováveis e Eficiência Energética de Sergipe (Nerees), avaliam a produção de H2V a partir de macrófitas da Bacia do Rio São Francisco. 

O Complexo Industrial Portuário, que deverá abrigar a operacionalização da Zona de Processamento de Exportação (ZPE), está sendo estruturado para receber indústrias e centros de inovação focados nessa nova cadeia produtiva. “Já temos empresas como Optimus preparando um data center com grande demanda energética. Também há projetos voltados à produção de hidrogênio verde. A ZPE e o hub de H2V caminham juntos como pilares do nosso modelo de desenvolvimento sustentável”, destacou o secretário.

A Optimus implantará um data center e um centro de pesquisa em Sergipe, com investimento de US$ 1 bilhão, equivalente a cerca de R$ 6 bilhões, com mediação da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Sergipe (Codise) e da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec).

ZPE

A Zona de Processamento de Exportação (ZPE) está sendo redesenhada para funcionar nas proximidades do Terminal Marítimo Inácio Barbosa (TMIB). As ZPEs são áreas de livre comércio criadas para fomentar a produção de bens destinados ao mercado internacional. Elas estão estrategicamente localizadas próximas a portos e aeroportos e oferecem incentivos fiscais, cambiais e administrativos. A proposta é transformar a região em um eixo logístico e industrial voltado à exportação. A gestão será feita pela Companhia Administradora da Zona de Processamento de Exportação de Sergipe (Cazpe), com participação da Sedetec e da Codise. 

Com previsão de conclusão até novembro, o Plano Estadual de Transição Energética posiciona Sergipe como protagonista da nova economia de baixo carbono, ao combinar vocações naturais com planejamento estratégico. Desta maneira, a ideia é promover o desenvolvimento equilibrado entre crescimento econômico, inovação tecnológica e responsabilidade ambiental. “Estamos deixando a inércia para construir um cenário sólido de futuro. Esse plano será a base para orientar investimentos, atrair indústrias e garantir energia limpa, acessível e contínua para todos os sergipanos”, concluiu Valmor Barbosa.

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