Offshore

Robô inédito para inspeções submarinas é desenvolvido pela Petrobras

Licenciamento da tecnologia deve ser concluído até o fim do ano

Redação TN Petróleo, Agência Petrobras
17/03/2022 12:28
Robô inédito para inspeções submarinas é desenvolvido pela Petrobras Imagem: Agência Petrobras Visualizações: 3720

A Petrobras deu início ao processo de licenciamento do robô Auri, Autonomous Underwater Riser Inspection, uma tecnologia patenteada e desenvolvida pela Petrobras em parceria com a PUC-Rio. Equipado com câmeras de alta resolução e operado remotamente, o AURI é capaz de identificar, com alta precisão, necessidades de manutenção nos dutos flexíveis que transportam o petróleo das instalações submarinas às plataformas de produção. Com isso, ele amplia a segurança e eficiência das operações, além de reduzir custos operacionais. Os testes foram realizados na plataforma P-43, na Bacia de Campos. A operação bem-sucedida comprovou a eficácia do novo robô, permitindo a implantação e o início do processo de licenciamento da tecnologia, que deve ser concluído até o fim do ano.  

“A Petrobras criou um amplo programa para aumento da segurança em operações de mergulho, denominado Programa Sinergia Diverless. Esse programa introduziu novas sistemáticas, metodologias e tecnologias para aumentar a segurança dos mergulhadores. Os resultados que temos obtido são um exemplo de como uma cultura de inovação e superação geram valor para o negócio, demonstrando que é possível produzir mais e com mais segurança” informa o diretor de Desenvolvimento da Produção, João Henrique Rittershaussen.

Para ser utilizado, o robô é instalado na parte externa do duto flexível submarino com apoio de um ROV (sigla em inglês para Remote Operated Vehicle) e, a partir daí, executa parte das tarefas de inspeção e toda a limpeza, sendo operado, a partir da embarcação, por um profissional especializado. Outra vantagem é a capacidade de o robô portar ferramentas e girar 360 graus em volta do duto, mesmo que ele esteja bem próximo ao casco da plataforma, em local de difícil acesso. 

Atualmente as ferramentas utilizadas para efetuar a limpeza dos dutos ficam acopladas aos ROVs durante toda a operação e, depois disso, o ROV ainda precisa ser usado para fazer a inspeção visual. No caso do AURI, o ROV é usado apenas para sua instalação e desinstalação no duto, ficando liberado para outras atividades no restante do tempo. O AURI ainda grava vídeos da região inspecionada para análise e arquivamento das imagens, o que permite a avaliação do duto pelas equipes que estão em terra. 

“O AURI é um dos robôs em desenvolvimento pela Petrobras que são fruto do investimento constante da empresa em inovação. Há novos desenvolvimentos para ampliação das funcionalidades do AURI, que irão agregar ainda mais valor à ferramenta e ampliar as possibilidades de ganhos e avanços para a indústria do petróleo”, destaca o diretor de Transformação Digital e Inovação da companhia, Juliano Dantas.

Segurança e eficiência

 O robô AURI tem o potencial de evitar mais de 1.300 horas em operações de mergulho, contribuindo para a segurança dos profissionais. Ele foi desenvolvido a partir do desafio de automatizar a limpeza e inspeção visual de dutos flexíveis, inclusive em profundidades de água maiores que 30 metros, onde o tempo do mergulhador é reduzido. O AURI chega a até 50 metros sem limitação de horas e, comparativamente, apresenta um rendimento - redução do tempo de limpeza - maior que de outras ferramentas transportadas por ROV durante as atividades de limpeza e inspeção. Uma outra vantagem é que o AURI pode ser utilizado mesmo em condições meteorológicas adversas, que são um obstáculo para atividade dos mergulhadores.

O robô pode ser manipulado e instalado nos dutos flexíveis para realizar a limpeza em velocidade até 10 vezes maior do que é feita atualmente, com consequente redução de custos.  Com tantas habilidades, o robô já desperta o interesse de empresas prestadoras deste tipo de serviço. Elas aguardam o término do licenciamento - o processo de autorização para uso comercial - para ter acesso à tecnologia.

Inovação

A Petrobras destinará no seu plano estratégico 2022-26, cerca de US$1,6 bi para Transformação Digital e Inovação. No ano passado a empresa quebrou o recorde nacional com 119 pedidos de depósito de patentes, marca que não era superada desde 2014. A empresa brasileira é também a que detém mais patentes ativas no país, 1035, e foi a grande vencedora do Prêmio ANP de inovação 2021, obtendo o primeiro lugar em três das cinco categorias. A premiação reconhece os resultados de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), que representem inovação tecnológica de interesse do setor de petróleo, gás natural e biocombustíveis.

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