Petrobras

Reservas petroleiras no Espírito Santo podem ser duplicadas

BNamericas
30/08/2004 00:00
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A Petrobras poderia duplicar suas reservas provadas de 1,2 bilhões de barris de petróleo no estado do Espírito Santo e triplicar suas reservas de 25 milhões de m³ de gás natural até 2009, justificando os US$ 6 bilhões que a companhia pretende investir no Estado até 2010, informou à BNamericas um funcionário da firma.
"Esta é uma estimativa de reservas potenciais que estamos detalhando, mas as reservas poderiam ser maiores", disse o gerente de exploração da unidade comercial da Petrobras no Espírito Santo, Hércules Ferreira.
A Petrobras calcula que 50% das novas reservas corresponderá a petróleo ligeiro.
O estado do Espírito Santo atualmente produz 40 mil barris por dia (b/d) de petróleo e 1,4 milhões de m³ por dia (m³/d) de gás natural. O investimento aponta para aumentar a produção de forma significativa.
A primeira alta na produção será em 2006, uma vez que comecem as operações comerciais da plataforma de produção, armazenamento e descarga (FPSO) P-34 no campo petrolífero de Jubarte e do recentemente descoberto campo de Golfinho.
Ambos campos se beneficiam da boa geografia e geologia do Espírito Santo. Jubarte está em frente à costa sul do Estado, na bacia de Campo e produz petróleo pesado (17 graus API), enquanto Golfinho está na bacia do Espírito Santo e contém petróleo leve (28 - 34 graus API) e grandes quantidades de gás natural. Desde o estado se tem acesso às duas bacias.
 "Temos uma boa diversidade de petróleo leve, pesado e ultra pesado em terra e em águas pouco profundas, profundas e ultra profundas", especificou Ferreira.
O estado esteve produzindo petróleo pesado em poços onshore no norte desde a década de sessenta, mas desde que a Petrobras certificou, em 1999, suas reservas 650 milhões de barris em Jubarte, o estado começou a produzir também petróleo em poços de águas profundas.
Em 2001 se reconfirmou o potencial do estado, quando a Petrobras descobriu petróleo em Golfinho, desde onde a companhia também contempla extrair hasta 8mm³ por dia de gás em 2006.
Esta diversidade é a razão pela qual a Petrobras investirá 19% de todo o seu pressuposto para exploração e produção em 2004-2010 no estado. A maioria se destinará ao desenvolvimento de campos provados como Jubarte, o vizinho Cachalote e Golfinho.
O resto se destinará à exploração dos 26 novos blocos que a companhia se adjudicou - sozinha ou com outras companhias - na Sexta Rodada de Licitações de petróleo este mês.
"A companhia tinha que renovar sua pasta de projetos", explicou Ferreira, agregando que 10 dos novos blocos estão situados nos arredores do campo de Golfinho.
A Petrobras desenvolverá 12 destes blocos sozinha, enquanto 14 serão desenvolvidos na sociedade com outras firmas com a Shell, a portuguesa Petrogal, Kerr-McGee dos Estados Unidos, a canadense Encana e a espanhola Repsol-YPF. A petroleira brasileira independente Synergy também comprou uma licença de exploração sozinha na bacia do Espírito Santo, onde tem previsto investir R$ 3 milhões de reais (US$ 1 milhão).
"O estado foi a estrela da licitação", disse a BNamericas o secretário de desenvolvimento do governo do Espírito Santo, Júlio Bueno. "Tem reservas de petróleo em uma diversidade de condições e isso atrai a investimento: um dom natural que não requer intervenção governamental".
As reservas provadas totais de petróleo do estado serão triplicadas a mais de 3 bilhões de barris de petróleo, segundo as estimativas de Bueno.
Outro grande investidor no Espírito Santo é a Shell, com reservas probadas de 500 milhões de barris no poço BC-10, mas como se trata de petróleo pesado, a companhia ainda está efetuando estudos de viabilidade comercial, disse a BNamericas, um porta-voz da Shell. A firma concluiria os estudos recentes em 2005, assinalou.

Outros investimentos - Outros investimento seguem os passos das empresas de exploração petroleiras, ressaltou Bueno.
Enquanto a alemã Mannesmann e a italiana Pirelli estão planejando investir em plantas no estado para abastecer à indústria de petróleo e gás, o estado está em conversações com o grupo Arabian Gulf Oil, uma companhia londrina criada há pouco com capitais britânicos e de países árabes para construir uma petroleira no estado nos próximos anos.
"Firmamos uma carta de intenção e estamos avançando no acordo", informou. A companhia pretende produzir derivados para exportação, concluiu.

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