Petroquímica

Refinaria do Comperj dobrará de tamanho

Valor Econômico
13/01/2010 09:55
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A Petrobras deve mudar o escopo do projeto para construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que agora pode se tornar uma refinaria "premium" com capacidade de processar 300 mil barris por dia de petróleo pesado do campo de Marlim, dobrando a capacidade de produção inicialmente prevista, de 150 mil barris por dia. A Petrobras confirma que o novo desenho prevê dois módulos de 150 mil barris. "Estamos avaliando o cenário para tornar o projeto mais competitivo", disse Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento da estatal.

 

Segundo ele, a decisão final deverá ser conhecida dentro de dez dias. O executivo afirmou que a Petrobras mantém a decisão de construir uma central petroquímica dentro do Comperj. Mas explicou que, por ser mais complexa, a refinaria precisa ser construída antes da central petroquímica e das unidades de segunda geração, que são menos complexas. "Não há como a petroquímica crescer sem o Comperj", disse.

 

A estatal já informou ao governador do Rio, Sergio Cabral, a sua intenção de mudar o projeto. O investimento original previsto pela Petrobras para o Comperj, de R$ 21 bilhões, pode chegar a R$ 25 bilhões na avaliação de fontes do mercado.

 

As dificuldades para trazer sócios privados para a central petroquímica teriam levado a estatal a priorizar as obras da refinaria e deixar as discussões da central petroquímica para depois que for acertada a incorporação da Quattor pela Braskem . A estatal é sócia de ambas as petroquímicas e única fornecedora da matéria-prima.

 

Costa garante que a reavaliação do tamanho da refinaria do Comperj não tem relação com as intensas negociações que a Petrobras vem travando com Odebrecht em torno da governança da "Nova Braskem". Ele explicou que a Quattor, controlada da Unipar, era a "sócia natural" do Comperj já que tem instalações no Sudeste, enquanto Braskem está na Bahia e no Sul. "Agora mudou o cenário", afirma o diretor, explicando que quando houver a fusão de ambas, o interlocutor do Comperj também vai mudar.

 

As informações iniciais sobre a alteração do escopo do Comperj destacavam o aumento da capacidade de refino do óleo pesado de Marlim, considerado um bom projeto porque beneficia no país um óleo que é vendido no exterior com deságio que já chegou a US$ 18 o barril. O que se comenta também é um encolhimento da produção de petroquímicos de primeira e segunda geração dada a dificuldade de atrair sócios privados para o empreendimento.

 

No mercado, a ausência de parceiros é explicada pelo custo elevadíssimo da tecnologia e equipamentos para extrair petroquímicos a partir de óleo pesado, o que não teria retorno garantido. "Para a Petrobras perder US$ 1 bilhão não é nada. Um privado quebra", afirma uma fonte.

 

Contrariando essas afirmações, Costa diz que várias empresas nacionais e estrangeiras já mostraram interesse no negócio e garante que os sócios virão na hora certa. Mas diz que não são prioridade nesse momento em que a estatal está envolvida na criação de uma gigante petroquímica nacional. Ele também foi veemente ao afirmar que a central petroquímica do Comperj não está ameaçada. E destacou que a estatal não será majoritária na primeira e nem na segunda geração petroquímica do complexo.

 

O diretor lembra que todas as projeções sobre a demanda futura do mercado de petroquímicos mostram a necessidade de elevar a oferta de resinas termoplásticas e isso, segundo ele, não será possível por meio de um aumento da capacidade de produção das centrais petroquímicas de Capuava (SP), Camaçari (BA) e Triunfo (RS). "Se não tivermos uma oferta adicional de resinas o Brasil vai se tornar um grande importador", diz. Segundo ele, a oferta adicional terá que vir do Comperj ou via importações. "Não tem alternativa. Os pólos (petroquímicos) demandam nafta", ressalta, informando que hoje parte da nafta consumida pela Braskem é importada pela Petrobras.

 

O projeto básico do Comperj vem sendo criticado desde que a Petrobras anunciou as gigantescas descobertas no pré-sal, onde alguns reservatórios, como Tupi, tem grande quantidade de gás natural e gás carbônico (CO2) associados ao óleo. O gás é a melhor e mais barata matéria-prima - seguido pelo GLP e pela nafta - para produção de petroquímicos de primeira geração, como o eteno e o propeno, e segunda geração (polietileno, estireno e polipropileno, entre outros). A avaliação de especialistas era que não fazia sentido insistir no projeto de uma petroquímica baseada em petróleo pesado, que é muito cara e complexa, quando se terá gás abundante.

 

A Petrobras já concluiu 60% da terraplanagem do terreno onde será construída a refinaria, no município de Itaboraí (RJ). Fala-se em custo de R$ 1 bilhão, valor não confirmado por Costa. Ele informou que até o fim deste mês ou início de fevereiro a Petrobras vai licitar os primeiros grandes contratos do complexo. A previsão é de que este ano comece a construção das estradas de acesso ao empreendimento. O cronograma original está mantido para começar a produzir derivados em 2012.
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