Combustíveis

Reajustes aceleram inflação

Jornal do Brasil
09/12/2004 00:00
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Reajustes puxaram alta do IPCA em novembro e ainda devem influenciar preços este mês

O primeiro aumento dos combustíveis, realizado em 15 de outubro, foi o principal responsável pela elevação de 0,69% na inflação de novembro, contra 0,44% em outubro, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que calcula a variação no custo de vida de famílias de até 40 salários mínimos. No período, a alta registrada na gasolina foi de 2,56%. E, no que depender do peso do produto na pesquisa, o índice, utilizado pelo governo como parâmetro para a meta anual de inflação, poderá ficar ainda maior em dezembro.
- O IPCA de novembro não trouxe os efeitos do último reajuste, no dia 26 de novembro, que foi ainda maior do que o anterior (4,2% na gasolina e 8% no diesel, contra 2,4% e 4,8%, respectivamente, no mês de outubro) - constata a gerente do sistema de índices do IBGE, Eulina Nunes.
Para efeito de comparação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de novembro, também calculado pelo IBGE, registrou alta de 0,44%, ou 0,25 ponto percentual menor do que o IPCA. O INPC mede a variação no custo de vida de famílias com renda até 8 salários mínimos e chefe de família assalariado, não sujeitas, portanto, ao impacto direto do preço dos combustíveis.
No ano, o IPCA acumula alta de 6,68%, abaixo do percentual de 8,74% de igual período em 2003. A meta do governo para inflação deste ano é de 5,5%, com tolerância entre 3% e 8%.
A segunda parcela de reajuste de telefonia fixa em outubro também influenciou o índice, com alta média de 2,66%. Os alimentos, embora praticamente estáveis (queda de 0,01%), tiveram alta de 0,22 ponto percentual em relação a outubro, quando caíram 0,23%. A queda na safra do feijão e da carne foram os principais responsáveis, com altas de 2,51% e 1,86%, respectivamente. Os efeitos do reajuste de energia elétrica no Rio de Janeiro foram atenuados pela redução de 21,44% em novembro no encargo de capacidade emergencial, o ``seguro-apagão``.
- De maneira geral, no caso dos alimentos, podemos dizer que, fora exceções, os preços estão se comportando bem, e isso se deve ao fato de alguns estarem atrelados ao dólar, beneficiando-se com a queda no câmbio.
Das onze regiões pesquisadas, as maiores altas foram registradas em Brasília (0,95%) e Belo Horizonte (0.90%). Os menores índices foram os do Rio de Janeiro (0,50%) e de Porto Alegre (0,52%).
Já a procura por determinados itens da cesta de Natal não deverá interferir nos próximos índices, afirma Eulina.
- Até o bacalhau, cujo preço tradicionalmente sobe em novembro, caiu 2,12% mês passado com a queda do dólar.

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