Finanças

Projetos de energia e gás giram R$ 5,4 bi

Valor Econômico
17/04/2006 00:00
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Puxado pelo setor de petróleo e gás, os financiamentos de projetos ("project finance") movimentaram R$ 5,4 bilhões no ano passado. Apenas a estruturação dos projetos de desenvolvimento do campo de gás de Manati (litoral da Bahia) e a construção de uma unidade para extração de óleo do campo Marlim Leste (a plataforma P53, no Rio) movimentaram R$ 2,37 bilhões.

A participação do segmento subiu de zero, em 2004, para 44% dos negócios em 2005, segundo a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).

O setor elétrico foi outro destaque, com projetos que somaram R$ 2,9 bilhões. Em 2005 os valores dos projetos foram menores que ano anterior (R$ 6,8 bilhões), mas houve mais operações: 17 ante 16 de 2004. Para Isacson Casiuch, coordenador da subcomissão de financiamento de projetos da Anbid e diretor do Banco Brascan, o valor dos projetos, principalmente os de energia, caiu porque grandes investimentos foram feitos no pós-apagão. Em 2004, por exemplo, a estruturação de projetos do setor elétrico somou R$ 6,7 bilhões.

Para 2006, a expectativa da Anbid é que a estruturação de projetos movimente, no mínimo, o mesmo valor de 2005. As maiores apostas dos bancos são os investimentos em energias alternativas, como a eólica, concessões rodoviárias, com o leilão de rodovias federais e estaduais, e o transporte ferroviário. No ano passado, por exemplo, foram licitadas sete usinas de geração de energia, que já estão buscando financiamento para o início das obras. Há ainda a expectativa das parcerias público-privadas (PPPs) estaduais, incluindo a recuperação da Rodovia MG-50, no sudoeste de Minas Gerais, e a Linha 4 do Metrô de São Paulo.

O Banco Santander, o primeiro do ranking na categoria emprestador de recursos, já tem dez projetos, incluindo alguns estruturados por outros bancos, com financiamento aprovado e 12 outros em processo de estruturação, conta o responsável pela área de project finance do banco espanhol, Cássio Schmitt. Segundo ele, a área é um dos focos mundiais do banco. No Brasil, tem nove executivos.

No holandês ABN AMRO, o líder no ranking de assessoramento dos projetos, a área também é um dos principais focos. Para incrementar a área, o ABN passou a buscar projetos de empresas menores (com faturamento acima de R$ 150 milhões). "Resolvemos expandir o nosso mercado alvo. As empresas são menores, mas nem por isso os projetos são menos rentáveis", diz Guilherme Alice, responsável pela área de dívida estruturada e assessoria do ABN. O banco tem oito executivos e, segundo Alice, a alta cúpula do banco está sempre comprometida com o andamento dos projetos. "A área alavanca outros negócios do banco, pois a estruturação dos projetos, como é demorada, cria grande proximidade com as empresas", diz.

Já o Banco do Brasil resolveu apostar forte na área em 2003. Desde 2001, começou a estruturar o segmento dentro do banco, que conta hoje com 40 profissionais. No ano passado, ficou em primeiro lugar no ranking de estruturador de projetos e em segundo no de assessor financeiro. "As mudanças surgiram do direcionamento da alta cúpula do banco para que o BB apóie os investimentos em infra-estrutura", diz João Carlos de Nobrega Pecego, gerente executivo da diretoria comercial do BB. Entre os projetos do banco, estão três PCHs no Mato Grosso e o projeto Ventos do Sul, de geração de energia eólica no Rio Grande do Sul, orçado em R$ 600 milhões.

Para financiar os projetos, um dos meios mais comuns é usar o empréstimo sindicalizado (quando vários bancos se juntam para oferecer o crédito). Há ainda as fontes oficiais, como BNDES, e de instituições como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial. Em outros casos, o banco usa recursos próprios. O projeto Rio do Fogo (de geração de energia eólica no Rio Grande do Norte) foi financiado com recursos do ABN e do BNDES.

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