Petrobras

Produção cai 4,9% entre janeiro e julho

Valor Econômico
12/08/2004 00:00
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A redução de 4,9% na produção de petróleo no Brasil entre janeiro e junho de 2004, comparada com o mesmo período do ano passado assim como o atraso na entrega das plataformas P-43 e P-48, já informados pela Halliburton podem atrasar as metas de auto-suficiência da Petrobras, antes prevista para 2007, apesar de a estatal ainda não descartar a antecipação para 2005.
A redução da produção de 2004 na comparação com a do ano passado é parcialmente compensada pelo aumento acumulado até agora na produção de junho comparada a janeiro deste ano, que estava em 1% . Mas outros fatores, como o aumento de 50% das importações de petróleo crú; de 6% do consumo de petróleo processado nas refinarias nacionais - incluindo aí Manguinhos e Ipiranga, além da Petrobras - podem indicar que não será fácil antecipar a tão sonhada auto-suficiência.
No que diz respeito à queda na produção do primeiro semestre de 2004 comparada com o mesmo período de 2003, a explicação está nas paradas de produção em alguns campos para manutenção de plataformas instaladas na bacia de Campos. Quando isso acontece, há um estrago nos resultados da produção industrial do Rio de Janeiro, que apresenta queda. Somente o atraso das plataformas P-43 e P-48 - que serão instaladas nos campos de Barracuda e Caratinga - implicam em uma redução de 300 mil barris/dia na projeção de aumento da produção da estatal em 2005.
A Halliburton, que controla a KBR, empresa que subcontratou os estaleiros onde essas embarcações estão sendo construídas, anunciou recentemente que terá que pagar multa de US$ 200 milhões à Petrobras pelo atraso na entrega das duas. Esses são temas que a Petrobras evita comentar, mas que não têm passado desapercebidos pelo mercado e até experientes executivos que já passaram pela empresa.
A analista Mônica Araújo, do banco BES Securities, prevê que a Petrobras trará a auto-suficiência ao Brasil em 2006 ou 2007. E supõe que a nova projeção da estatal de considerar a antecipação da instalação de alguns sistemas que permitirão tirar o atraso da entrega, por exemplo, da P-43 e P-48.
"Ela só vai conseguir antecipar a meta de auto-suficiência se conseguir atingir o pico de produção mais rápido do que o previsto no plano estratégico ou se estiver contando com uma redução do consumo de combustíveis", pondera Araújo.
No primeiro semestre de 2004, o consumo total de combustíveis no país aumentou 5,9%, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), sendo que no caso do diesel o aumento das vendas foi de 6,4%, abaixo do aumento de 8,3% no consumo de gasolina.
Mesmo assim, poucos sabem que o Brasil sempre terá que importar petróleo para misturar ou fazer blend com o petróleo pesado nacional. Por outro lado, outro fator conjuntural que pode justificar antecipar a auto-sufuciência seria a queda do consumo de combustíveis (causada pelo freio na economia); e a crescente substituição de derivados como óleo combustível e gasolina pelo gás natural e GNV, sem o aumento do uso pela indústria . Com isso, mesmo com produção menor, o consumo cairá porque eles serão "deslocados" pelo gás.
A Petrobras anuncia amanhã o resultado do segundo trimestre. Segundo Monica Araújo, que prevê lucro líquido de R$ 4,047 bilhões para a controladora, a empresa está com preços defasados em relação ao mercado internacional. Pelos cálculos da analista, a gasolina vendida no Brasil está com defasagem de 16,4% em relação aos preços do golfo americano. No caso do diesel, a defasagem é de 15%. Ela frisa que os cálculos foram feitos com base na média móvel dos últimos 15 dias.

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