Construção Naval

Presidente da Transpetro diz que preço do aço prejudica a indústria brasileira

<P>O aço responde por cerca de 22% do custo final de um navio. A possibilidade do setor enfrentar um gargalo de crescimento pelo alto custo do aço vem sendo denunciada pelo presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que não aceita pagar mais pelo produto no mercado interno do que é vendido no ex...

Agência Brasil
07/10/2007 21:00
Visualizações: 1237

O aço responde por cerca de 22% do custo final de um navio. A possibilidade do setor enfrentar um gargalo de crescimento pelo alto custo do aço vem sendo denunciada pelo presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que não aceita pagar mais pelo produto no mercado interno do que é vendido no exterior.

Para ele, é inadmissível que o Brasil ponha em risco um programa como o da indústria naval, principalmente quando o país é um dos maiores produtores mundiais de minério de ferro. A disputa ocorre entre a Transpetro, que sacudiu o mercado ao anunciar o Programa de Modernização e Expansão da Frota - a compra de 42 navios de grande porte, sendo 26 deles já licitados e prontos para serem iniciados -, e a Usiminas, única siderúrgica brasileira que fornece a chamada chapa grossa, usada em navios e plataformas.

A encomenda da Transpetro - subsidiária da Petrobras encarregada pela logística e transporte de petróleo, gás e derivados - injetou, só neste primeiro momento, R$ 1,9 bilhão no setor. E o segundo lote de encomendas deve ser anunciado em breve, com pelo menos outros 16 navios. Para Sérgio Machado, se a Usiminas insistir em manter o preço do aço nas alturas, a única saída vai ser importar o produto.

“Nós queremos que os nossos estaleiros sejam competitivos, de forma que comprem o aço pelo mesmo preço que o coreano, o chinês ou o japonês. Nós faremos tudo para comprarmos o aço do Brasil, mas se as siderúrgicas não chegarem ao preço internacional,  vamos importar”, diz o presidente da estatal.

A guerra contra o preço do aço foi endossada pelo secretário estadual de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, Júlio Bueno, que adiantou que deve adotar medidas para facilitar a importação de aço para os estaleiros, como a isenção do ICMS.

“Nós vamos dar competitividade igual para o aço importado e o produzido no Brasil. A perspectiva de crescimento da indústria naval é fundamental. Então tem que ter um acordo, para que o valor aqui seja o preço internacional. Ninguém está pedindo para o preço ser menor”, disse Bueno. A medida precisa ser aprovada pelo governador do estado, Sérgio Cabral, para zerar a alíquota de importação do aço.

Segundo levantamento feito pela assessoria do secretário Júlio Bueno, uma chapa grossa com 6,5 milímetros de espessura, por 2,75 metros de largura e 12 metros de comprimento custa US$ 1.025 no exterior (já com o frete), contra US$ 1.442 cobrados pela Usiminas – uma diferença de 29%. E foi a vantagem de importar o aço para navegação que motivou o estaleiro Aker-Promar, especializado na construção de navios de apoio, a comprar cerca de 4 mil toneladas do produto na Romênia, em vez de adquirir da Usiminas.

Segundo o diretor da empresa, Wanderley Marques, a economia – já descontando o valor do frete - foi ao redor de 15%. “Hoje é melhor importar. O preço do aço subiu barbaramente. Se não resolver este problema, vamos ter que importar o produto, pois não é possível que o preço que se coloca lá fora seja menor do que o cobrado aqui.

De acordo com o diretor do Aker, para um navio pequeno, que usa até mil toneladas de aço e custa US$ 30 milhões, a diferença no preço do produto representa cerca de US$ 100 mil, o que pode não compensar a importação, que requer toda uma burocracia para se concretizar. Mas, segundo ele, para uma embarcação que pesa mais do que 3 mil toneladas, a diferença chega a US$ 1 milhão, o que deixa a empresa fora do orçamento inicial oferecido ao cliente. “Essa diferença vai consumir parte do lucro e até gerar prejuízo. O preço subiu muito rápido e quando se fez o orçamento não se contemplou o aumento. Pode representar um gargalo às empresas”, alerta.

A Usiminas foi procurada pela reportagem para falar sobre o assunto, mas a assessoria de comunicação da empresa disse que o grupo não iria se manifestar.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Gás Natural
Naturgy investe R$ 11 milhões em infraestrutura de gás e...
06/07/26
Transpetro
Transpetro realiza primeiro abastecimento da frota com c...
06/07/26
BOGE 2026
Dessalgadoras ganham papel estratégico na modernização d...
04/07/26
Combustíveis
Etanol volta a ser mais vantajoso que a gasolina após qu...
03/07/26
Financiamento
FAPESP destina R$ 50 milhões para projetos de inovação e...
03/07/26
Pessoas
Alessandra Davolio Gomes assume a direção de um dos maio...
02/07/26
Bacia Potiguar
BRAVA Energia inaugura Centro de Operações Integradas e ...
02/07/26
Tecnologia e Inovação
ABPIP desenvolve ecossistema próprio de inteligência art...
02/07/26
Etanol de milho
Atvos lança Pedra Fundamental da primeira planta de etan...
02/07/26
Reconhecimento
Constellation é a única empresa do setor de perfuração d...
02/07/26
Gestão do Conhecimento
200 mil pessoas, zero tolerância para treinamento que nã...
01/07/26
Resultado
Com 5,597 milhões de boe/d, a produção nacional de petró...
01/07/26
Bioenergia
Hora do jogo: começa hoje o 19º Congresso Nacional da Bi...
01/07/26
Firjan
ABDAN e FIRJAN lançam Agenda Nuclear para um Brasil Comp...
01/07/26
SOG 2026
Distribuição de gás em Sergipe entra na agenda estratégi...
30/06/26
Energy Summit
CPFL Energia está entre os destaques do Energy Summit Aw...
30/06/26
Resultado
ANP divulga dados consolidados do setor regulado em 2025
30/06/26
Energy Summit
Copa Energia lança desafio de inteligência artificial pa...
30/06/26
Fenasucro
FenaBio debate avanço do SAF e o papel do Brasil na avia...
30/06/26
Transição Energética
Evento reúne especialistas para discutir os desafios e o...
29/06/26
ANP
Royalties: valores referentes à produção de abril foram ...
29/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.