Petrobras
Folha de S.Paulo
A PF deve prorrogar o inquérito sobre o furto de equipamentos da Petrobras com supostas informações sigilosas, se até 7 de março não estiverem concluídas as perícias realizadas pelo Núcleo de Criminalística da PF em equipamentos que não foram levados, como computadores fixos e CPUs.
As investigações desenvolvidas até agora não esclarecem se os aparelhos foram furtados por criminosos comuns ou se é um caso de espionagem industrial, como suspeitam integrantes do governo federal.
À frente do inquérito aberto no dia 7 deste mês, a delegada Carla Dolinski, da PF em Macaé, afirma que os interrogatórios realizados até agora não a ajudaram a identificar e localizar o autor ou autores do crime.
Dolinski aguarda o resultado das perícias. Se até o próximo dia 7 os laudos não estiverem prontos, a delegada pedirá à Justiça a prorrogação do prazo de conclusão do inquérito.
Ela interrogou ontem quatro funcionários da Halliburton, empresa norte-americana encarregada do transporte dos equipamentos até Macaé. Eles foram ouvidos a respeito de um terceiro furto descoberto na sexta-feira passada. Sumiram um disco rígido e um gravador de DVD retirados de um computador trazido do Rio. A caixa onde estava o aparelho chegou ao pátio da empresa Poliportos no Caju (zona portuária do Rio) em 19 de janeiro. Veio para Macaé no último dia 21, mais de um mês depois.
O primeiro furto foi em janeiro em caixa trazida da bacia de Santos para Macaé. Sumiram dois discos rígidos, dois pen drives e um gravador de DVD. O crime foi mantido em sigilo. Quando um contêiner foi arrombado, possivelmente no fim de janeiro, a Petrobras listou na PF os equipamentos que teriam desaparecido. Na relação, entraram os aparelhos que estavam na caixa. Do contêiner foram furtados quatro notebooks e uma impressora.
No Rio, ontem, o ministro Tarso Genro afirmou que o furto mostrou que informações do governo "estão vulneráveis".
"Esses furtos do contêiner têm de ser tratados como questão de Estado, que envolve Abin [Agência Brasileira de Inteligência] e PF. Quando você diz "questão de Estado", não quer dizer espionagem industrial ou espionagem de outro Estado. Quer dizer: há informações reservadas do Estado brasileiro que estão vulneráveis."
Segundo ele, houve falha de segurança. "Interessa ao Estado brasileiro vedar essas escotilhas. Vedar esses furtos (...), porque eles atingem informações reservadas que interessam ao Brasil. Não fixamos nenhuma linha [de investigação]. Furto comum interessa tanto ao governo como uma rede de espionagem."
Fonte: Folha de S.Paulo
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