Mercado

Petrobras volta a vender combustível com defasagem

Valor Econômico
22/03/2005 00:00
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A nova escalada do petróleo no mercado internacional aumentou a defasagem dos preços da Petrobras no mercado interno. O fato é ressaltado em relatórios de instituições financeiras - como o do banco Brascan, que teme a repercussão dessa política no resultado da Petrobras no primeiro trimestre - e pelo Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE).
O economista Adriano Pires, do CBIE, chama a atenção para o fato de a Petrobras estar vendendo combustíveis a preço mais barato para seus clientes de Buenos Aires do que para os paulistas.
O analista Luiz Caetano, do Brascan, destaca que, segundo os critérios do banco, os preços do diesel no Brasil estão defasados em 22,2%. O Brascan compara as cotações externas com a média de preços no Brasil fornecida pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) - deduzidos a Cide e o PIS/ Cofins.
No caso do diesel, o preço externo é baseado na cotação da Bloomberg (US$ 0,4271 por litro no 16 de março), convertido pela taxa de câmbio do dia, que era de R$ 2,7630. Já a gasolina estava sendo vendida no Brasil, na mesma data, com preço 32,6% inferior à cotação média do produto na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex).
Quando a Petrobras realizou o último reajuste de preços, dia 25 de novembro, o barril de petróleo do tipo WTI estava sendo vendido a US$ 49. O preço superou US$ 56/ barril nos últimos dias.
O CBIE, que utiliza outro critério - compara preços médios divulgados pela ANP com a cotação dos derivados publicada semanalmente pela Agência Internacional de Energia -, encontrou diferença de 10% na gasolina e de 20% no diesel vendidos no país. "A defasagem dos preços no Brasil deve aumentar nas próximas semanas, já que o preço da gasolina deve subir no mercado americano", prevê Pires.
Pires nota ainda que a internacionalização da Petrobras está fazendo com que o fenômeno da defasagem atravesse as fronteiras. Segundo cálculos do CBIE, no dia 28 de fevereiro a gasolina vendida nos postos da Petrobras em Buenos Aires estava 44% mais barata do que em São Paulo. Comparando-se preços antes dos impostos, a diferença do preço cobrado de consumidores e paulistas e portenhos era de 50%. "É incrível, mas agora estamos exportando subsídios para os argentinos", ironiza Pires.
A estatal não comenta o assunto e nem admite que esteja atendendo solicitação do presidente da Argentina, Nestor Kirchner. Recentemente, Kirchner se lançou em uma "guerra" contra aumentos dos preços dos combustíveis vendidos por companhias instaladas na Argentina, como a Shell.
A Petrobras é a terceira maior distribuidora da Argentina, depois da Repsol e da Shell. Enquanto a Shell enfrenta piquetes em frente às suas instalações, Repsol e a Petrobras ainda não aumentaram seus preços.
Caetano pondera que, juntos, o aumento da cotação do petróleo e derivados no mercado internacional e a valorização do real são os responsáveis pelo aumento da defasagem dos preços da Petrobras. O analista aponta três motivos pelos quais essa situação é negativa para a Petrobras, caso persista. "A falta de correção impede a empresa de lucrar com as outras companhias internacionais do setor, que estão corrigindo seus preços de acordo com as oscilações do mercado", diz Caetano.
Em segundo lugar, ele prevê que a manutenção da defasagem "pode levar a prejuízos efetivos", considerando os aumentos das cotações do petróleo importado, que correspondeu a 23% do volume processado nas refinarias da estatal no quarto trimestre de 2004, "sem que os preços dos dois principais produtos da empresa, que correspondem a 50% da receita e a 60% do volume, sejam corrigidos".
O terceiro ponto lembrado por Caetano é que cerca de 10% do diesel vendido pela Petrobras é importado. Por isso avalia que, "se continuar vendendo com preços inferiores ao mercado externo pode ter prejuízo efetivo".

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